terça-feira, 25 de julho de 2017

4 - HISTORIA REAL – A VIÚVA NEGRA



Nestes quase vinte anos de experiência profissional, participamos de vários casos reais, e através deste veículo gostaria de dividir com os amigos alguns destes casos, inclusive o que passo a narrar, esclarecendo que por tratar-se de casos reais os nomes dos personagens foram substituídos, pois nossa intenção é de apenas expor aos nossos amigos e leitores histórias reais que embora pareçam copiadas de obras literárias ou dramas de telenovelas acontecem diariamente em nosso cotidiano:

O CASO DA VIÚVA NEGRA.
Manhã de uma quarta-feira, mais um dia normal de serviço, acabara de chegar ao meu escritório, apuro as ocorrências cotidianas pois nesta época cuidávamos quase que exclusivamente do setor de informações e fraudes de uma grande Empresa varejista em São Paulo, o que nos tomava quase todo nosso tempo disponível de trabalho.
O rádio comunicador chama, era o diretor desta Empresa nos convocando para uma reunião urgente no escritório Central, solicitava a nossa presença imediata, pois ocorrerá um fato que ele solicitava nossos préstimos profissionais.
Cheguei ao escritório do cliente por volta das 14 horas, fazia calor pois estávamos em pleno verão de 2007, e após os cumprimentos percebi que na sala também estava um rapaz chamado Claudio que era o proprietário de uma Empresa que também prestava serviços a esta Holding.
A Empresa do Claudio, iniciou suas atividades bem pequena e com o passar de quatro ou cinco anos teve um crescimento altíssimo em seu faturamento, ou seja, friso este acontecimento, pois falo de um trabalhador simples que vivia com 20 mil reais/ano e num espaço de 4 a 5 anos passou a 250 mil/ano, contratou mão de obra e expandiu seus negócios.
Ali estava o Claudio sentado à minha frente aparentando trinta anos, gordo e barbudo, cabelos maltratados e com diversos ferimentos, inclusive usando uma tipoia no braço esquerdo.
Quando o diretor da Holding, meu amigo Antenor, um executivo habituado a fraudes e desvios, contudo sem familiaridade com crimes contra a pessoa, tomou a palavra e iniciou a apresentação do ocorrido:
-Lembra do Claudio, dono da Empresa que nos assiste em transportes, e na data de segunda-feira, ontem, sofreu um atentado a "tiros', foi alvejado com 5 tiros à queima-roupa na porta de sua casa, por um motoqueiro desconhecido e de capacete; assim nos procurou, como amigos que somos, gostaríamos que o auxiliasse na elucidação do fato, na qualidade de força não oficial, mesmo porque queremos a verdade!
Dizeres que foram completos pelo próprio Claudio:
-Quero uma completa investigação, não oficial, pois quero saber a verdade do que me ocorreu, e não quero vincula-la em nenhuma hipótese a investigação policial que segue pela Delegacia especializada de Homicídios - DHPP, ou seja, quero o compromisso que tudo o apurado seja somente a mim reportado.
Assim foi acordado e uma vez estabelecidos os honorários tudo ficou acertado com o Claudio, assim a Holding apenas fez a apresentação para aceitarmos o caso e tudo mais apurado teria somente o interesse do empresário citado.
Iniciamos já nesta quarta-feira o levantamento inicial através de redes sociais e das lojas especificas que o Empresário cotidianamente executava suas tarefas de transporte.
Pessoalmente nos concentramos em desafetos que o Claudio pudesse colecionar dentre suas atividades pessoais e profissionais, porém nada foi prontamente localizado, visto que ele era uma pessoa muito agradável e também não ostentava a posição que exercia dentro de sua Empresa.
Já com as entrevistas realizadas nas lojas, obtivemos a informação que a “esposa” do Claudio, chamada Yara (aparentava 25 anos, loira, alta olhos verdes) que exercia a função gerencial na referida Empresa, “frequentava” com assiduidade uma das lojas da rede e possuía um estreito relacionamento com um ex-gerente de loja de nome Wilson (25 anos, alto, forte), pessoa de caráter duvidoso, que por coincidência, há cerca de 2 meses, nós, depois de uma denúncia anônima, o surpreendemos em desvio de mercadorias, contudo por não haver materialidade do caso, ele foi mandado embora da Holding “sem justa causa”.
Passamos a intensificar nossas atenções para o casal Yara e Wilson, que se encontravam diariamente passando tardes em um Motel da região onde situava-se a Empresa de transportes.
Esses encontros amorosos foram registrados por filmagem e fotografias, e a partir desta informação passamos a reconstituir a “linha do tempo” em direção ao dia e hora do atentado contra a vida do nosso cliente.
Sem, contudo, dizer o motivo, pedimos que colocasse a nossa disposição os “extratos” dos telefone e comunicadores NEXTEL utilizados por seus funcionários no mês do atentado.
A partir daí, chegamos ao aparelho utilizado pela Yara, que registrava inúmeros contatos com o Wilson, inclusive no dia da tentativa de homicídio contra o Claudio, culminando com o fato de se falarem pela manhã por vários minutos, a tarde cerca de 20 minutos antes do fato e depois cerca de 30 minutos após o fato, hora que inclusive a Yara aguardava o atendimento do seu marido no interior do Pronto Socorro.
Rastreando as ligações do Wilson, na véspera do atentado pelo telefone celular chegamos a um número pré-pago e descartável que supomos ter sido utilizado pelos executores do nefasto plano.
Após a tentativa de homicídio do Claudio, o contato entre eles se rarearam e culminaram com a súbita mudança do Wilson para outro endereço que apuramos mais tarde ser no Estado de Minas Gerais.
Cerca de 20 dias após a contratação, marcamos uma reunião na sede da Holding, para que pudéssemos expor o apurado tanto ao Claudio, quanto ao Diretor que juntos haviam nos colocado a frente dessa investigação.
Na hora aprazada estávamos todos aguardando a reação do Claudio que, quando soubesse do apurado, e assim sucedeu-se:
Estávamos os três sentados na sala de reunião, olhares se entretinham na espera das informações apuradas, como reagiria o Cláudio diante dos fatos incontestáveis que estávamos prestes a expor?
Tomei a palavra e comecei a explicar e mostrar as fotografias e filmagens bem como um relatório explicativo dos extratos telefônicos que elucidavam as informações:
“A Yara teve um caso amoroso com o ex-gerente Wilson e este que na ocasião era casado, fora demitido por desvio de mercadoria, ação que já praticava há pelo menos 2 anos, após a sua demissão a sua esposa Regina sabendo da traição do marido condicionou a permanência dele na família a sua mudança de domicilio à cidade de Belo Horizonte MG, onde sua família residia e ele trabalharia na loja do seu sogro; inconformada com a sua separação iminente do Wilson a Yara arquitetou o plano de assassinar seu esposo e colocar o Wilson na gerencia da Empresa que ela dirigiria, uma vez que o Claudio era sócio majoritário da Empresa com 98% de sua propriedade e ela, além de sua esposa possuía outros 2%; além do fato de ela haver realizado um seguro de vida do Claudio no valor de R$500 mil sendo ela a única beneficiária.
Após a explicação concluí:
-Claudio, após as informações observadas concluímos que se faz necessário chamarmos a sua esposa Yara para que esclareça nossas apurações, se for de sua vontade acionaremos equipes do DHPP para levá-la a prisão juntamente com o Wilson que se encontra em Belo Horizonte MG, cujo endereço já possuímos e com certeza podemos deitar a mão sobre ele assim que quisermos.
Ele tomado de forte emoção, espalmou as mãos sobre a cabeça e após alguns segundos respirando fundo olhou para nós e disse:
-Não quero providências!!! - Não imaginam para mim o que é saber destes fatos, pois amo muito minha esposa e não sei o que fazer, preciso falar com ela a sós, aí então saberei que fazer, daremos este caso como encerrado e se precisar de mais alguma coisa lhes comunicarei agradeço o seu empenho e conto com seu sigilo profissional e seu silêncio amigo.
No mesmo instante levantou-se e saiu rapidamente da sala, eu e o Diretor apenas nos entreolhamos e respeitamos a posição do nosso amigo.
Passados oito meses do ocorrido encontrei pessoalmente a pessoa do Claudio dentro das instalações da Holding e ele estava acompanhado da sua esposa Yara, e ela prestes a dar à luz. Ao ver-me aproximou-se e fez questão de dizer que estava muito bem e havia acertado as contas com ela e tudo que ocorreu já era passado e ela em breve lhe daria um filho que seria o maior sonho de sua vida.
A vida continua, assim passados cerca de 2 anos pelos meandros de 2010, fomos convocados pela Diretoria desta Holding a fim de analisarmos e editarmos algumas imagens que constatavam a presença do Claudio na noite do dia 15 de março acompanhando a entrega de mercadorias em um dos seus depósitos, em um determinado horário.
Ao questionarmos a utilidade das referidas imagens fomos informados que elas seriam entregues a DHPP (Delegacia Especializada em Homicídios), pois havia ocorrido nesta data o homicídio do Carlos (pai do Cláudio, assassinado a noite quando saia de um bar por um motoqueiro com 5 tiros à queima-roupa) e por haver um seguro de vida no valor de R$300 mil as imagens seriam entregues a seguradora que suspeitava de fraude para o pagamento da indenização.
A partir deste acontecimento passamos, mesmo sem contrato legal a acompanhar os acontecimentos referentes ao casal Claudio e a Yara e constatamos os seguintes fatos:
Quando da expansão da empresa o Claudio, que até então era um trabalhador comum, passou a chamar atenção inclusive da família, pelo status que havia adquirido como sitio, casa na praia e uma lancha, com isso foi possível a aproximação de seu pai de nome Carlos que havia abandonado a família há mais de 20 anos e que reaproximou-se da família iniciando uma relação de amizade com a sua esposa Yara, inclusive a auxiliando na expansão financeira e no contato com Bancos, em um destes contatos, inclusive a Yara realizou um seguro de vida no valor de 300 mil reais, tendo o filho Cláudio como único beneficiário.
Cerca de um ano depois, soubemos que a Empresa do Claudio havia sido desligada da Holding, ele havia enfim, recebido judicialmente a indenização referente ao seguro do seu pai.
Alguns meses depois em um shopping center, avistei a Yara e o Claudio passeando de mãos dadas e empurrando um carrinho com um bebê e outra criança, correndo em volta, e assim concluímos que a vida continua!


Fim.

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