quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Detetive em um Conto de Natal



Esclareço aos amigos e leitores que nossas histórias são verdadeiras, embora os nomes, datas e lugares são fictícios, sempre respeitando a confidencialidade das nossas operações fazemos questão de divulgar nosso trabalho como informação e aprendizado.
Vivíamos a entrada do verão brasileiro no ano de 2013; meados do dia 05 de dezembro, vinte dias antes do Natal; como sempre trabalhando em nosso pequeno, mas aconchegante escritório da Baker Street, bem no coração do elegante bairro paulistano do Tatuapé, devo lembrar que, como sempre, nossas investigações variadas sempre nos apresentam uma grande fonte de aprendizado, seja ele emocional ou ate mesmo financeiro, mas vamos a história:
Terça-feira, o calor batia tranquilamente os trinta graus em São Paulo, minha assistente Miriam me deixara sozinho, alegando outros afazeres, quando toca o interfone e apresenta-se uma senhora chamada Neide, e diz que busca os nossos serviços de detetive; estranhei a princípio, pois dificilmente os clientes batem a porta, sempre nos contatam por telefone ou aplicativo, mas mesmo assim pedi que subisse ao escritório.
Apresentou-se uma senhora aparentando 50 anos, vestida muito simples, que se fazia acompanhar por um garoto de uns 20 anos, chamado Fernando, claramente portador de deficiência mental, imediatamente os recebi e indiquei o lugar que se acomodassem para que nos relatassem o problema e que pudesse indicar uma solução.
-Meu nome e Neide, e este e meu filho Fernando, alias ele que me convenceu a procurar um detetive particular; meu caso e o seguinte:
Juntamente com o meu marido Ricardo, compramos para o Fernando um notebook para auxilia-lo em seu aprendizado, junto a uma instituição que nos atende, eu sou diarista e não ganho muito, meu marido trabalha como gari para a prefeitura e nem preciso lhe dizer que temos mais filhos e levamos uma vida muito dura em relação aos nossos ganhos, mas enfim juntamos a quantia de R$2.000,00 reais e compramos este computador pela internet, de uma pessoa muito simpática que nos ofereceu e explicou tudo direitinho, porem ao depositar o dinheiro em uma conta indicada, a pessoa simplesmente sumiu e não entregou o computador.
O Fernando ficou muito triste, ele hoje tem 20 anos mas a idade mental de uma criança de 10 anos e muita dificuldade de aprendizado, aprendeu a ler e inclusive ele que pesquisou o seu endereço pelo computador da instituição; gostaria de saber se você pode nos ajudar a recuperar o dinheiro ou mesmo o computador prometido, mas no caso lhe pagaremos com parte do dinheiro recuperado ; claro que fizemos um boletim de ocorrência na polícia, mas os policiais nos disseram que seria muito difícil localizar os malfeitores, por isso resolvi procurar a sua ajuda.
Ao saber os detalhes do caso, fiquei comovido com a situação desta cliente, pois o serviços de investigação particular, e um serviço caro, e sabia que se revelasse os valores cobrados normalmente, ela não poderia ou nem compensaria contratar-nos, ao mesmo tempo fiquei imaginando a sua situação, a expectativa do garoto de ter seu próprio computador em sua casa, e o seu desapontamento em relação ao malfeitores que os enganaram; contudo não poderia dizer-lhe que faria gratuitamente, pois ela poderia achar que estávamos com “pena” da sua situação; assim declarei que assumiria o caso e diante do resultado combinaríamos nossos honorários.
Após aceitar o caso e formalizar o contrato de serviço, nunca me esquecerei do brilho nos olhos do garoto, havíamos acabado de devolver a ele a esperança, e isso amigos e leitores não tem preço.
Assimilamos o “modus operanti” da quadrilha de malfeitores e nos dias que se seguiram nos dedicamos a localiza-los e pelo “anuncio de venda” do computador pela internet e conseguimos identificar os malfeitores, para este tipo de malfeitor precisaríamos ter muita cautela para faze-los se arriscarem, propor a eles um bom negocio e devo confessar que a proximidade do Natal, torna-se um aditivo para que eles se descuidassem e pudéssemos enfim identifica-los e como diria Sherlock Holmes “deitar a mão sobre eles”.
Contatamos os malfeitores e me identifiquei como “comprador” de uma conceituada instituição beneficente que criamos exclusivamente no mundo virtual (site e atitudes, tudo falso, mas que nos dariam a confiança dos malfeitores); minha assistente Miriam conduziu o processo de negociação, devo lembrar, que estes malfeitores sempre se sentem mais à vontade negociando com mulheres bonitas.
Miriam insistiu em pagar em dinheiro, pois avisamos a eles que o dinheiro doado, não poderia ser depositado, assim encomendamos 50 computadores e certamente pagaríamos na entrega; recordo e explico aos leitores que toda esta negociação estendeu-se por vários contatos e situações que deixaram os malfeitores crédulos dos valores que receberiam; assim os malfeitores insistiram em entregar a mercadoria em um estacionamento de um hipermercado aqui no bairro de Pinheiros, claramente iriam nos entregar um ou dois, e as demais caixas estariam vazias; visto que eles se prontificaram a fornecer um endereço de um deposito (checamos e descobrimos que era um endereço inexistente) caso alguns dos computadores fechados apresentassem problemas.
Tudo combinado e marcamos a entrega para o dia 18 de dezembro as 14:00; pedi a presença da equipe policial que havia registrado o boletim de ocorrência de nossa cliente, que aliás nos atenderam com muito profissionalismo e atenção, determinados a resolverem o problema do cliente.
Na hora marcada, estava em companhia do policial quando o malfeitor entrou com um pequeno caminhão no estacionamento, do hipermercado, me reconheceu por descrição e se apresentou como Jonas e seu ajudando Manoel; ao confirmarem a venda, meu acompanhante o policial Alberto se identificou como policial e em companhia de sua equipe deteve os dois malfeitores e os conduziu juntamente com carga para a delegacia.
Nem preciso dizer que, ao chegarmos a delegacia de polícia, lá já se apresentara um advogado para defender os seus clientes e desvirtuar a prisão que acabávamos de realizar.
Por fim, não nos interessa relatar os meandros policias e judiciais, apenas que os malfeitores se fizerem representar por este advogado que por intermédios dos policiais, entregou o computador a nossa cliente Neide e alegaram apenas desencontro comercial.
O garoto Fernando, ficou muito feliz ao receber o seu tão sonhado computador, que devo dizer que ate hoje nos acompanha em redes sociais, e tornou-se nosso amigo.

Inclusive Fernando nos visitou na véspera do Natal, em companhia de sua mãe, e como insistimos em não receber nossos honorários, pois alegamos que o trabalho foi policial; ele nos trouxe um Panetone, que recheado de amor e satisfação restabeleceu em nossa alma o verdadeiro espirito de Natal. – FIM 

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