quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Infiltração Empresarial - Caso real



Amigos...mais um relato divertido em nossa BAKER STREET...espero que apreciem e comentem com os amigos...
INFILTRAÇÃO EMPRESARIAL
Serviço que muito apreciamos em nosso escritório, devido a características de “crime” trata-se de infiltração empresarial que é o termo empregado quando ‘infiltramos” um agente como funcionário normal da empresa a fim de “descobrir” particularidades e irregularidades e até condutas criminosas.
Passamos a narrar um ”caso” em que atuamos nos meandros de 2003, recordando que evidentemente os nomes e locais foram substituídos para preservar a identidade dos personagens, pois o que importa é o fato e a maneira do seu acontecimento, assim vamos a ele:
O ano era 2003, lembro ainda que as informações que hoje possuímos em questão de internet e redes sociais ainda engatinhavam em nosso país, assim todas as informações nos chegavam de forma quase artesanal provindas de diversas fontes, isto esclarecido vamos ao caso:
Vivíamos o mês de Novembro do ano de 2003, a economia aquecida presenciava uma grande expansão do setor de terceirização de mão de obra, inclusive nas grandes indústrias, que neste caso era uma grande fabrica de chocolate e pela época preparava-se para a Pascoa contratando um enorme contingente de mão de obra terceirizada.
Estávamos em nosso escritório quando fomos contatados por um Empresário que possuía uma agencia de empregos terceirizados e marcara para a próxima tarde uma reunião para expor a situação que se encontrava e a necessidade dos nossos serviços, assim marcamos para as 16:00 horas em nosso escritório no bairro do Tatuapé em São Paulo.
Na hora exata, eu e minha assistente Miriam tomávamos um café quando a campainha soou e adentrou ao nosso escritório um Senhor de aproximadamente 45 anos grisalho trajando terno azul e aparentando extrema seriedade acompanhada de outro homem de aproximadamente 35 anos, cabelos curtos e trajando uma camisa solta aparentando portar um revolver, após as apresentações ele se identificou como Sr Armando e apresentou seu acompanhante como Roberto seu segurança e cabo da policia militar e passou a narrar suas necessidades e expectativas quanto aos nossos serviços:
-Sou dono de uma Empresa que terceiriza mão de obra, para uma grande fabrica de chocolate, e no último dia 10 deste mês eu e meu segurança que é policial sacamos uma grande quantia em dinheiro do banco que era destinada ao pagamento dos meus funcionários e segundos antes de adentrar as portas da minha empresa, enquanto meu segurança estacionava o carro, fui roubado por dois jovens em uma motocicleta que me apontaram uma arma e levaram uma bolsa com todo o dinheiro, tenho certeza que os ladrões possuíam informações privilegiadas para haverem cometido o roubo, pois ninguém de fora poderia supor ou até mesmo se arriscaria a roubar-me sabendo da escolta policial que sempre me acompanha, assim gostaria que investigasse minha empresa para sabermos se a informação do meu “saque” saiu de algum funcionário do interior da empresa, ou de alguém ligado a mim, mesmo porque fui informado que tal situação poderia ocorrer e partiria de alguém muito próximo a mim!
Indaguei: -Compreendemos à sua necessidade, contudo gostaria que esclarecesse de onde veio a informação que este evento partiu de alguém muito ligado ao Sr?
-Deixe-me explicar – prosseguiu o Sr Armando – eu não sei certamente qual a sua crença religiosa, “contudo devo dizer que sou espiritualista e possuo um ‘guru” espiritual que me alertou “antes” do acontecimento e disse ainda que seria alguém “muito ligado a mim” este fato muito me preocupa, peço que me ajudem, os Srs nos foram muito bem referenciados e necessito esclarecer o ocorrido o mais breve possível.
-Vejamos, antes de qualquer coisa devo dizer-lhe que os fatos falam mais que previsões e sinceramente não acredito que elas possam se realizar em face de nossas ações, atitudes e escolhas, contudo vamos ao trabalho, sugiro que iniciemos com uma investigação completa e infiltremos um agente que poderá ser contratado em seu setor administrativo e nos informe os acontecimentos diários de sua Empresa, escolheremos alguém de nossa equipe que tenha o perfil, preferencialmente de uma “vaga” que o Sr possa já tê-la em aberto, assim não arguindo suspeitas por parte dos seus funcionários.
Combinados os detalhes de honorários, perfil do funcionário infiltrado e datas e prazos para o trabalho passamos a investigação propriamente dita.
Iniciamos com uma “visita” disfarçada ao “guru” do Sr Armando que passamos a descrever a seguir:
Manhã de sábado, chegamos a um sítio ainda na grande São Paulo, sol calor já se manifestava tornando a manhã quente e sufocante encontramos o endereço e logo reconhecemos pela placa que oferecia serviços espirituais a quem pagasse por eles, tipo ...”amarrações para o amor e prosperidade para a vida financeira entre outros” , batemos a campainha e fomos atendidos por uma moça jovem , com bonitos traços e trajada de maneira simples e descalça, pedimos para falar com o responsável alegando uma “consulta” para a prosperidade em nossos negócios e fomos levados a uma sala onde um homem de cerca de 50 anos, branco nos recebeu sentado em frente a várias imagens de santos e demais entidades, e deu início a consulta:
– Bom dia...meu filhos..em que o Pai velho pode ajudar a vocês?
– Bem...- prossegui inventando uma estória para analisar a reação do “guru”..que baseava-se na solução de um problema que envolvia uma relação empresarial com fraude e crime, tudo porém fictício e aguardei a resposta dele..que nos possibilitaria uma melhor análise de seu comportamento.
Após ouvir toda a estória, o “guru” abaixou a cabeça e meditou por instantes e concluiu:
– Meus filhos, eu e meus amigos trabalhamos aqui com as esperanças e realizações das pessoas que nos procuram, por isso cobramos pelos nossos serviços, assim queria que vocês refletissem o que andam fazendo e depois se retirassem daqui e não mais retornassem, pois aqui não é e nunca foi o lugar de vocês!
Dito isso, nosso interlocutor gritou e veio até a sala um ajudante de uns dois metros de altura, negro alto e forte que nada disse e nos acompanhou até a saída do sitio.
Diante do exposto concluímos que nosso “guru” ou obtivera informações privilegiadas ou a sua ligação com o além o preveniu de nossa investida, contudo de qualquer maneira o breve futuro nos mostraria a verdade.
Selecionamos um rapaz de 19 anos de nome Jair, que possuía o perfil desejado e o contratamos para ser nosso “agente infiltrado” neste caso, apresentamo-lo ao cliente que procedeu às ações de praxe de uma contratação normal e dois dias depois ele já estava trabalhando como “continuo” na empresa de terceirização de mão de obra, onde somente seu proprietário sabia de sua identidade e função investigativa.
Nos dias que se seguiram nosso agente nos informava toda a rotina da Empresa, donde pudemos traçar um perfil dos seus Departamentos e funcionários, neste tipo de serviço depois que iniciamos, na maioria das vezes acabamos por constatar outras tantas coisas que a principio não seriam objeto da investigação, contudo passam a ser do interesse do proprietário da Empresa visto que algumas atitudes geram prejuízos tanto financeiros como operacionais.
Analisando a rotina acabamos por descobrir algumas curiosidades que listamos a seguir:
-Gerente Administrativa chamada Sonia, era uma mulher dos seus 40 e poucos anos, separada do marido e com dois filhos que sustentava com o seu salario, contudo constatamos que ao termino do expediente em determinados dias da semana frequentava um ‘bar” próximo da Empresa e era comum vê-la saindo totalmente “embriagada” e na companhia de diferentes homens.
-Auxiliar administrativo de nome Anderson, um rapaz de 20 anos, casado e namorava uma outra funcionária de nome Márcia que era auxiliar de cozinha, possuía dividas financeiras originadas provavelmente de seu duplo relacionamento, contudo trabalhava de forma exemplar e não apresentava “riscos” a empresa.
-Segurança pessoal do Sr Armando era um homem de 40 anos e chamado Roberto Oliveira, era cabo da Policia Militar e trabalhava à noite na corporação e de dia realizava a segurança pessoal do nosso cliente, apuramos que apesar de ser “casado” relacionava-se afetivamente com o nosso cliente que como descrevemos era um Sr solteiro de 45 anos e que residia com a sua mãe em uma luxuosa casa em Tamboré.
Passaram-se quase dois meses desde o inicio da Operação e nada podíamos acrescentar que ligasse a rotina da Empresa ao “roubo” que nos obrigávamos a apurar, em levantamentos dos “suspeitos” não encontramos quem tivesse sua “renda” aumentada após o advento do crime, demonstrando sua participação efetiva, assim começávamos a sentir uma “incomoda sensação de fracasso” em nossas ações quando nosso agente Jair em um happy hour no barzinho que servia de ponto de “encontro” após o expediente teve a informação que seu proprietário de nome Carlão, havia uma noite antes, “agredido” a esposa que trabalhava como cozinheira no bar (alias ela era muito amiga do nosso cliente), a socos e pontapés e havia sido preso em flagrante e ela socorrida ao hospital e “misteriosamente” ele só não foi preso em flagrante como também contava aos quatro ventos que pagou cerca de 80 mil reais aos policiais para não ser preso e ainda acrescentando “quem tem dinheiro não vai preso neste país”... fato que nos chamou a atenção porquanto a quantia assemelhava-se a subtraída no “roubo” sofrido pelo nosso cliente.
Passamos a investigar o Carlão, e não nos foi difícil descobrir que no passado ele já havia sido preso por “roubo e receptação” por vários anos.
Conversamos com sua esposa que após a agressão retornara a casa de sua mãe, e como não só o bar e todas as contas de celulares estavam em nome dela, passamos com a sua autorização a rastrear as ligações do Carlão no dia do “roubo” e assim descobrimos que:
-Nosso cliente e sua gerente Sônia tomaram café da manhã, no dia do roubo e como sempre falaram a mesa da quantia a ser sacada, bem como o trajeto que fariam do banco para a Empresa, ciente da rotina do nosso cliente o dono do bar seu Carlão, ligou para dois amigos que eram “ladrões” e combinou o “modo” de executar a tarefa bem como a sua divisão, visto que os “ladrões” eram amigos e ele mesmo encarregava-se de receptar objetos roubados rotineiramente de outras vítimas.
Agendamos uma reunião com o nosso cliente, expomos os fatos apurados, e os métodos utilizados para a nossa conclusão que não nos deixava a menor dúvida da autoria do fato.
Colocamo-nos a disposição do nosso cliente para acompanharmos junto às autoridades policiais a “noticia crime”, contudo para a nossa surpresa ele preferiu após uma conversa com o Carlão por resolver pessoalmente os fatos apurados, assim encerramos a nossa participação no caso.
Esclareço ao amigo leitor que pode nos perguntar:
-Após a nossa agencia investigar a conduta do Carlão, não teríamos a obrigação de reportar as autoridades policiais o “crime” resolvido?
Respondo que não, atuando como detetive particular, representamos uma força não regular e como não integramos qualquer força policial não temos a obrigação de reportar a noticia crime às autoridades, deixando a mercê e a conveniência do nosso cliente tal informação e providências.
Quanto ao “guru” espiritual concluímos apenas que não teve nenhuma ligação com o fato criminoso e ainda quanto ao nosso agente infiltrado, uma vez acabada a tarefa demitiu-se regularmente e ainda executa alguns trabalhos a nossa agencia.
FIM...


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