terça-feira, 30 de outubro de 2018

Detetive Particular em - Um caso muito especial.




Um caso muito especial.

Dentro destes 20 anos de investigações, confesso que nos é muito difícil e ao mesmo tempo fascinante, descobrir verdades e analisar os casos que nos chegam, pois diferentes das tramas televisivas e da vasta literatura investigativa, nossas histórias descortinam-se aos nossos olhos, pouco a pouco, cada detalhe e cada verdade toma a sua forma e denota as personalidades envolvidas, por vezes nos surpreendemos com as tramas envolvidas em cada história.
Nosso intuito em “descrever” estes acontecimentos é única e exclusivamente com o objetivo dos nossos amigos e leitores, possam saber da verdade oculta em cada caso, casos obscuros e ocultos entre as paredes de vários lares da nossa sociedade.
Quando realizamos as denominadas investigações “conjugais”, sempre apresentam algumas características comuns, entre elas, o marido ou a esposa, observem que a dita ‘traição’ é apenas uma questão e comportamento e personalidade e jamais de gênero, contudo este caso que descreveremos apresentou particularidades singulares, que fogem do padrão, pela sua característica de planejamento e execução.
Todos os nomes, datas e locais foram trocados não só para preservar a verdadeira identidade dos envolvidos, como disse anteriormente, o que nos interessa é o fato em si, como ele se deu, e até onde chegam as pessoas para atingirem seus objetivos e desejos.
Vamos a história:
Estamos no ano de 2018, mês de janeiro, verão um tanto seco na cidade de São Paulo, o ano acabara de se iniciar, período de férias escolares, a vida vai começando a tomar a sua rotina, nesta grande cidade, estávamos cuidando dos nossos afazeres no pequeno e charmoso escritório de investigações da Baker Street, quando toca o telefone:
-Baker Street, bom dia! – atendi o telefone.
- Bom dia, meu nome é Maria Alice, e preciso muito da ajuda de vocês, peguei seu contato pelos classificados e necessito de uma consulta urgente, estou muito nervosa e desejo saber se vocês podem me atender imediatamente.
Marcamos uma consulta para o mesmo dia, as 15 horas; já a aguardávamos na Baker Street; eu e minha assistente Miriam, esclareço que em casos que envolvem clientes femininas, sempre que possível, realizamos o atendimento com a presença feminina, o que facilita que a cliente, neste momento difícil, possa se abrir e relatar com fidelidade o seu problema.
Na hora aprazada, conversávamos e comentávamos exatamente como a mídia e a sociedade comum, costumam encarar um caso de traição entre casal, um deslize, uma coisa à toa, contudo ao nosso ver, assunto é tão sério, pode mudar a vida e a existência de várias pessoas.
Toca o interfone, a cliente apresenta-se e sobe para a nossa sala de consulta, adentra a sala uma mulher comum, estatura média, cabelos louros, trajando vestes comuns a uma típica dona de casa de classe média paulistana, olhos vermelhos e semblante cansado; após os cumprimentos cordiais pedimos que se sentasse a nossa frente e relatasse os acontecimentos que a levaram a nos procurar:
-Meu nome é Maria Alice, tenho 45 anos e sou casada a 25 anos com o Júlio Cesar de 48 anos, temos 2 filhos adolescentes e moramos num bairro planejado em Alphaville, na grande São Paulo, meu marido é dono de uma pequena Construtora que herdou da família, e fiz aniversário ontem - momento no qual ela começa a chorar e desaba-se em pranto na poltrona que estava acomodada.
Esperamos alguns segundos para ela se recuperar, e prosseguimos a entrevista.
-Mas vamos ao acontecimento que a traz aqui – insisti
-Bom, ontem foi domingo e reunimos a nossa família toda, pais, irmãos e todos os mais chegados e fomos a uma conhecida churrascaria, para comemorarmos meu aniversário; até ai tudo bem; foi quando começaram a chegar várias mensagens de WhatsApp em meu celular, eu estava na mesa e levantei e fui para o banheiro para ler com mais atenção, tratava-se de uma mulher que se disse minha amiga e me alertava para um “caso” amoroso que meu marido estaria vivendo com outra pessoa; eu fui dando atenção e a conversa desenrolou-se por quase 15 minutos; foi quando respirei fundo e retornei a mesa, como se nada tivesse acontecido.
-Você tem essas conversas guardadas? ela se identifica através de um número de celular? – indaguei.
-Tenho sim, respondeu ela, passando-me às mãos seu aparelho de celular.
Tratava-se de uma longa conversa de aplicativo, a malfeitora se identificava como esposa de um amigo do marido, e queria simplesmente abrir seus olhos, para que Maria Alice viesse a separar-se do marido.
Neste momento, Maria Alice, totalmente levada ao desespero, tomava forças em nossas palavras e recomendações.
Deixava-se cair na poltrona que sentara entre prantos e soluços, procuramos acalma-la e após o cafezinho da paz, voltamos ao nosso caso.
Nestes 25 anos de matrimonio, Maria Alice jamais suspeitou que Júlio Cesar pudesse ter uma amante, sabia que já alguns anos seu casamento não era mais um romance, mas ele sempre foi dedicado à família e aos negócios; sua vida em suas horas de lazer resumia-se até então ao clube Atlético, onde assumia o cargo de Diretor de Futebol das categorias de base, e a essa atividade dedicava-se quase que exclusivamente nas suas folgas, sempre na companhia dos seus dois filhos, por este motivo assumia uma condição quase que intocada, aos olhos de sua esposa.
Acertamos os detalhes da nossa contratação, esclarecendo que quando assumimos um caso, nunca sabemos exatamente aonde vamos chegar, cada descoberta, cada intuição corresponde a pequenas vitórias que formam um caso todo.
Iniciamos por investigar quem estaria em posse do número que enviou as mensagens, quem seria está suposta esposa deste amigo do casal? qual seria a sua verdadeira intenção? estas perguntas teriam de ser respondidas antes de mais nada.
O número que enviara as mensagens pelo aplicativo de WhatsApp era de um chip pré-pago, descobrimos estar cadastrado em um CPF pertencente a uma mulher de 30 anos chamada Suzy, médica por profissão, solteira e que residia em um apartamento de um dos edifícios pertencentes a nossa cliente.
Esclarecendo, que embora não ostentassem um alto poder econômico, nossa cliente juntamente com seu esposo, possuíam uma Construtora, que era administrada exclusivamente pelo Júlio César, possuíam alguns condomínios residenciais e comerciais, inclusive uma imobiliária que administrava as vendas e locações das unidades próprias, que resultava em um considerável patrimônio chegando a casas de milhões de reais.
Optamos por investigar Suzy, elaborar um procedimento que chamamos de Dossiê Pessoal, onde investigaríamos seu passado, estabelecendo sua linha do tempo, pessoal e profissional. Descobrimos que ela era a filha mais nova de uma família muito humilde da periferia de Salvador -BA, muito inteligente ingressou na faculdade de medicina local com apenas 17 anos, formando-se aos 24 anos, possuía registro no Conselho Federal de Medicina, como clinico geral, saiu de Salvador aos 24 anos e passou por pelo menos outras 4 capitais nos outros 4 anos e há 2 anos estava em São Paulo. Não apresentava registros criminais, apenas algumas ocorrências onde figurava como vítima ou testemunha, contudo nestes últimos 4 anos não apresentava registro profissional algum, ou seja, não teria tido nenhum vinculo empregatício formal, o que nos chamou muito a atenção, seriam 4 anos residindo em 4 capitais de estados distintos, e ainda nos últimos dois anos, quando já residia em São Paulo, viajara por pelo menos 6 países pelo mundo, passando pelo menos 6 meses dos últimos dois anos em viagens pelo mundo. Possuía em seu nome, um automóvel Mercedes Bens, avaliado em 150 mil reais; em suas redes sociais divulgava especializações médicas e cursos diversos, definindo-se como Psiquiatra, especialista em alguns distúrbios em particular. Não demonstrava nenhum relacionamento sério, ostentava solteirice orgulhosa e independente. Ela com certeza escondia algum segredo, qual seria a sua intenção em invadir a vida e terminar com o relacionamento da nossa cliente? Precisávamos descobrir.
Começamos a seguir e acompanhar a Suzy, não demorou muito até descobrirmos que ela era a verdadeira amante do Júlio Cesar, até aí, seria apenas mais um caso de traição conjugal, como tantos outros que já investigamos.
Contudo, uma coisa ainda nos incomodava, eu explico, quando tomamos um caso, ao sabermos de todos os detalhes, formamos um perfil das pessoas que vamos investigar, no caso do Júlio Cesar, ele não possuía o perfil de um traidor contumaz, ou seja em 25 anos de casamento ele jamais havia traído a esposa, nem possuía sequer o estilo galante, simpático ou conquistador, pelo contrário tratava-se de uma pessoa séria e controladora e de trato muito difícil, que não combinaria com o estilo independente de Suzy.
Assim dos detivemos mais, em descobrir o envolvimento e a maneira como Suzy surgiu na vida de Júlio Cesar, e prosseguimos acompanhando a Suzy, em seu dia a dia, e descobrimos que ela possuía um outro namorado secreto, uma homem de trinta e poucos anos, muito bonito e atlético, que ostentava uma rotina de luxo e viagens, dono de uma loja de automóveis, nós o identificamos pelo nome de Joel.
Joel era um paulistano de 32 anos, bacharel em direito, comerciante que possuía vários imóveis nesta capital, bem como vários carros, e utilizava-se de um BMW de luxo, avaliado em quase 200 mil reais, possui também um passado bem sombrio, abandonado pelos pais, cresceu entre lares desfeitos e internações na antiga FEBEM, onde aprendeu na escola do crime, até seus 26 anos colecionou inúmeras prisões e delitos, chegando a ficar preso por roubo e tentativa de homicídio por quase dois anos.
Há cerca de 6 anos atrás, também morou em Salvador e estranhamente também residiu nas mesmas capitais em que a Suzy, na mesma época, quando chegou a São Paulo, a questão de 2 anos, já veio com um bom capital, montou uma loja de automóveis e adquiriu 4 imóveis, sendo um deles, um apartamento residencial em um edifico de propriedade da Construtora do Júlio Cesar, coincidentemente em frente ao escritório central da Construtora, e após conhecer o Júlio por amigos comuns, ele alugou (com contrato e tudo)o apartamento para que a Suzy, residisse bem em frente ao Júlio, e o conhecesse e iniciassem o romance.
Quanto mais investigávamos, mais as nossas descobertas nos levavam a supor que na verdade, tratava-se não apenas de mais um golpe do baú, em um empresário rico, havia mais alguma coisa por traz deste relacionamento, quando descobrimos que a Suzy, também possuía um Motel registrado e com uma intensa movimentação fiscal, em sociedade com sua irmã mais velha, contudo ao investigar mais a fundo descobrimos que fisicamente este motel nunca existiu, realmente tratava-se apenas de uma construção abandonada na beira de uma estrada qualquer nos arredores da capital baiana, empresa esta, obviamente era utilizada para “lavar” o dinheiro obtido na organização criminosa.
O crescente progresso financeiro de Joel e Suzy, deu-se exatamente nos últimos 6 anos, com certeza algum golpe financeiro que deu certo; assim nos concentramos em investigar qual seria o próximo passo da famigerada dupla com relação a nossa cliente; de uma coisa estávamos certos, eles desejavam que Maria Alice se separasse judicialmente de Júlio Cesar, eles haviam estudado o perfil publico de Maria Alice e a consideravam uma pessoa sem expressão ou capacidade de enfrentar o Júlio Cesar em caso de separação, assim teriam o caminho aberto para que a Suzy prosseguisse com o seu intento criminoso.
Desde o inicio da contratação já haviam se passado pelo menos 10 dias, e a Suzy com certeza permanecia inconformada pelo silencio da Maria Alice com relação a traição do marido, aos olhos de Suzy a Maria Alice estava demorando muito para tomar uma atitude, então ela voltou à carga enviando novas mensagens e citando evidencias da traição.
Nos reunimos com Maria Alice, e relatamos tudo o que apuramos, os fatos, qualificações dos malfeitores e o perigo que corriam neste relacionamento, e que ainda faltava-nos descobrir qual seria o golpe dos malfeitores, pois casamento com certeza não seria a opção da Suzy, não coincidia com o seu perfil, então o que seria? Algum negócio junto a construtora? Somente o Júlio poderia dizer, uma vez que Maria Alice, embora sócia da Construtora, ela jamais havia participado da rotina empresarial do marido.  Maria Alice, embora muito fragilizada por toda essa situação e pelas descobertas, mantinha-se firme decidida a não perder a sua família e não colocar seus filhos em risco, assim ela optou por reunir as nossas provas e um relatório detalhado e abrir o jogo com o Júlio Cesar, imaginava que ele ficaria assombrando com as descobertas e além de ajudar a descobrir a verdade, auxiliaria nas providências a serem tomadas.
Esclareço aos amigos e leitores, que embora com tantas evidências, os malfeitores até o momento não haviam praticado crime algum contra a nossa cliente, e embora nossas investigações apurassem sérios indícios de comportamento criminoso, nosso trabalho é todo composto de informações publicas e deduções, por isso quando entregamos qualquer relatório de atividade aos nossos clientes, sempre temos a certeza do seu embasamento legal de todas as nossas atividades e atitudes.
Estávamos em uma manhã de quinta-feira, cerca de 11 dias após havermos iniciado a investigação, Maria Alice nos procura aflita e pede que a encontremos em um restaurante no bairro dos Jardins, ela receava que o seu marido a estivesse seguindo, imediatamente eu e minha assistente fomos ao seu encontro.
Por motivo de segurança, sempre chegamos com 10 minutos de antecedência pois sabíamos que era bem possível que o Júlio a estivesse seguindo, sentamos em uma mesa próxima a entrada e a aguardamos, na hora aprazada ela chegou, adentrou rapidamente ao restaurante e sentou-se a nossa mesa e começou a descrever o ocorrido:
-A reação do Júlio, ao apresentar as provas, foi a pior possível, ele começou a me chamar de mentirosa, a me ofender, quase me agrediu, disse que eu estava louca, apanhou o relatório de minhas mãos e amassou, e gritou que quem fez isso com ele ainda iria pagar muito caro! – disse ela.
Com certeza, ele estaria desesperado e tentaria nos intimidar para que não prosseguíssemos com o nosso trabalho.
Esclarecemos a ela que se acalmasse, pois pelo perfil que traçamos dele, esta reação já era esperada, na verdade ele já estava totalmente apaixonado pela Suzy, ela ainda afirmou que após amassar os relatórios ele os pegou do chão e foi procurar a Suzy para esclarecer o ocorrido, ela temia que ele pudesse fazer alguma violência contra a Suzy, o que certamente ele não faria, assim procuramos tranquiliza-la e juntos traçarmos as nossas próximas ações.
Ela saiu, e nós ainda esperamos mais um pouco e retiramos o nosso carro junto aos manobristas do restaurante, ao sairmos pedi que minha assistente Miriam, tomasse a direção do nosso Nissan Kicks, pois observei dois rapazes em uma moto popular, estacionados do outro lado da rua nos observando, ao sairmos do restaurante, eles vieram atrás e pedi que Miriam, sem dizer o que eu havia presumido, virasse a direita, em seguida a direita e seguidamente a direita de novo, eles nos seguiram e após a terceira curva a direita, já não havia mais duvidas que eles nos seguiam, então já com o carro estacionado, esperamos que eles nos passassem, e parassem em um semáforo ao nosso lado, momento que abri o vidro do meu lado e entreguei meu cartão de visitas a eles, que ainda tentaram explicar algo, mas pedi que simplesmente entregassem meu cartão a quem havia mandado nos seguir, agindo assim também descobriríamos se a tentativa de seguimento teria partido do Júlio ou da Suzy.
Como não houve o contato e nenhuma solicitação, concluímos que o seguimento não partiu do Júlio Cesar, provavelmente seriam Suzy e o Joel que nos estudavam para o combate que a esta altura, era quase certo.
Nos fim de semana que se seguiu, Maria Alice nos reportou que Júlio Cesar, simplesmente não teria mais conversado com ela, agia como se simplesmente ela não existisse, assim nós a orientamos a buscar provas e evidencias nos negócios dele, computador, celular, tudo que nos pudesse esclarecer qual golpe os malfeitores estariam planejando.
Na segunda feira pela manhã, nos encontramos novamente  e ela nos relatou que havia examinado o notebook que ele utilizava em sua casa, e descobriu uma série de e-mails através dos quais ele preparava a locação por 10 anos de um Condomínio Inteiro comercial para uma grande empresa do ramo de saúde, e que a indicação e a gestão do projeto seria da Dra Suzy, que apresentara a empresa e atuaria como gestora do projeto.
Ao saber deste fato, Maria Alice confrontou o Júlio que novamente negou tudo, mas posteriormente soube de fonte segura que o negócio seria fechado justamente no dia seguinte a primeira conversa dela com o marido, o que obviamente frustrou a concretização do negócio, e testemunhas ainda disseram a ela que Suzy esteve no escritório no dia seguinte e saiu gritando e contrariada a negativa de sua proposta.
No dia seguinte, a frustração do nefasto negócio; Suzy arrumou a mala e saiu em viagem e intensificamos nossas ações em direção do namorado Joel, descobrimos ainda que, após o inicio do relacionamento entre Suzy e Júlio Cesar, a Suzy que residia no apartamento alugado pelo Joel, a questão de alguns meses havia pedido e alugado um outro apartamento no mesmo edifício mas de propriedade da Construtora do Júlio Cesar, tendo legalmente alugado este outro apartamento. Investigamos e descobrimos que o Joel mantinha o apartamento que foi desocupado pela Suzy, alegando aos administradores que ali residiria, contudo ele mantinha residência em outro Condomínio, muito mais luxuoso, então concluímos que ele se valia deste apartamento unicamente para os encontros amorosos com a Suzy, pois sendo no mesmo prédio, estes encontros tornavam-se mais fáceis.
Estabelecia-se assim, sem sombra de dúvida o triangulo amoroso, e nos remetia a certeza que o maior golpe, ainda estaria por vir.
Dias depois, a Suzy volta de viagem e posta nas suas redes sociais a bela viagem que fez a Campos do Jordão-SP, para esfriar a cabeça e descansar do seu estressante trabalho, hospedou-se em um luxuoso hotel desta chamada Suíça Brasileira, Júlio Cesar permaneceu na capital paulista, trabalhando e continuou sem falar com a esposa.
Ao percebermos as primeiras postagens da Suzy, esclarecendo que em todo processo investigativo, de acordo com cada perfil, iniciamos um acompanhamento intensivo das redes sociais; e imediatamente partimos para Campos do Jordão e flagramos Suzy e Joel em uma suíte “lua de mel” do luxuoso hotel, detalhe que ao informamos a Maria Alice, ela consultou contas e cartões do casal e flagrou polpuda retirada de dinheiro sem explicação, as vésperas desta viagem, o que nos levou a concluir que foi exatamente o Júlio que financiou a lua de mel do casal malfeitor.
Em posse de todos estes fatos, nossa cliente novamente confrontou o marido, que novamente ficou nervoso e negou que permanecia envolvido por Suzy.
Nesta altura dos acontecimentos, Maria Alice optou por separar-se definitivamente de Júlio Cesar e através do nosso departamento jurídico ingressou com ações legais de separação pertinentes à sua nova realidade.
Como eles não mais se falavam, ou seja, tratavam apenas o necessário para a convivência, a ação correu em seus tramites normais e ele foi intimado a deixar a sua casa e iniciar a partilha e a separação do casal.
Com a data da audiência se aproximando, Júlio Cesar consultou o departamento jurídico de sua Empresa, a amante Suzy e percebeu que Maria Alice não era tão ingênua como se mostrava, desta vez ela havia agido com maestria e de fato tomaria uma sábia decisão, para proteger e conservar seu patrimônio e da família, que estaria visivelmente ameaçado se a Suzy conseguisse seu intento.
De nossa parte, baseados nas provas e situações investigadas, orientamos a Maria Alice sobre o que poderia acontecer, quando se lida com malfeitores deste quilate, sua consequência seria, até mesmo para a segurança dela e de sua família.
Contudo, leitores como dissemos no início desta história, nem sempre a realidade transita junto da razão, o coração por vezes invade o imaginário e modifica a nossa história e a nossa vida.
Suzy, percebendo que seu intento criminoso estaria prejudicado pela divisão do patrimônio do Júlio Cesar, em conluio com o Joel, novamente nos surpreende e desta vez volta a carga em mais um golpe.
Dias antes da audiência de separação do Júlio.
Suzy e Joel, preparam um golpe de mestre, ela receita para o Júlio Cesar alguns remédios que geram alguns sintomas para que a própria Maria Alice perceba na sua convivência.
Sintomas como: irritação, dores de estomago e esquecimento; Suzy fez com que Júlio Cesar utilizasse alguns remédios, que segundo ela seriam afrodisíacos, dariam energia e combateriam a ansiedade e aliviariam os seus problemas pessoais.
Júlio Cesar, como todo bom apaixonado, aceitara de bom grado a medicação sugerida, e em poucos dias apresentava seus efeitos colaterais.
Suzy receitou remédios para o Júlio que os tomou e teve a reação esperada, com o único intuito de comover a Maria Alice.
Suzy, por sua vez, contatou novamente a Maria Alice afirmou que o Júlio estaria muito mal, porque, amava muito Maria Alice e a sua família e que embora, ela o amasse muito, estaria disposta a deixa-lo para que ele fosse feliz novamente com a família que ele tanto amava.
A manobra feita pela Suzy e seu comparsa, surtiu o efeito necessário, pois após esse contato, na véspera da primeira audiência da separação; Maria Alice decidiu perdoar o Júlio e cancelar a separação e dar uma nova chance ao seu casamento.
Respeitamos sempre as decisões dos nossos clientes, aliás a nossa obrigação é descortinar a verdade sem, contudo, interferir, pois somente NÓS somos os arquitetos do nosso destino.
Após a notícia, sentei em minha cadeira predileta, acendi meu cachimbo e fiquei pensando até onde poderia chegar a maldade humana, quanto vale a força da grana, os relacionamentos baseados em golpes e trapaças; descortinou-se em meus olhos toda a minha história, afinal como sempre digo são mais de 30 anos buscando justiça e revelando verdades, toca o telefone minha assistente me chamando para ir embora, ao recordar seus olhinhos e sorriso verdadeiro, concluo que a humanidade não está perdida.
Para nós da Baker Street, caso encerrado, embora todas as evidências nos direcionem para um futuro não tão feliz para a nossa cliente e agora amiga Maria Alice, temos conosco uma grande lição.
Até onde chega a maldade humana e a manipulação das pessoas em busca do dinheiro fácil, é logico que gostaríamos de contar uma história com final feliz, mas a realidade nua e crua, escreve-se em linhas tortas que tem como objetivo ensinar e aprender, como diria o grande Nelson Rodrigues “A VIDA COMO ELA É!”.
FIM...         

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Infiltração Empresarial - Caso real



Amigos...mais um relato divertido em nossa BAKER STREET...espero que apreciem e comentem com os amigos...
INFILTRAÇÃO EMPRESARIAL
Serviço que muito apreciamos em nosso escritório, devido a características de “crime” trata-se de infiltração empresarial que é o termo empregado quando ‘infiltramos” um agente como funcionário normal da empresa a fim de “descobrir” particularidades e irregularidades e até condutas criminosas.
Passamos a narrar um ”caso” em que atuamos nos meandros de 2003, recordando que evidentemente os nomes e locais foram substituídos para preservar a identidade dos personagens, pois o que importa é o fato e a maneira do seu acontecimento, assim vamos a ele:
O ano era 2003, lembro ainda que as informações que hoje possuímos em questão de internet e redes sociais ainda engatinhavam em nosso país, assim todas as informações nos chegavam de forma quase artesanal provindas de diversas fontes, isto esclarecido vamos ao caso:
Vivíamos o mês de Novembro do ano de 2003, a economia aquecida presenciava uma grande expansão do setor de terceirização de mão de obra, inclusive nas grandes indústrias, que neste caso era uma grande fabrica de chocolate e pela época preparava-se para a Pascoa contratando um enorme contingente de mão de obra terceirizada.
Estávamos em nosso escritório quando fomos contatados por um Empresário que possuía uma agencia de empregos terceirizados e marcara para a próxima tarde uma reunião para expor a situação que se encontrava e a necessidade dos nossos serviços, assim marcamos para as 16:00 horas em nosso escritório no bairro do Tatuapé em São Paulo.
Na hora exata, eu e minha assistente Miriam tomávamos um café quando a campainha soou e adentrou ao nosso escritório um Senhor de aproximadamente 45 anos grisalho trajando terno azul e aparentando extrema seriedade acompanhada de outro homem de aproximadamente 35 anos, cabelos curtos e trajando uma camisa solta aparentando portar um revolver, após as apresentações ele se identificou como Sr Armando e apresentou seu acompanhante como Roberto seu segurança e cabo da policia militar e passou a narrar suas necessidades e expectativas quanto aos nossos serviços:
-Sou dono de uma Empresa que terceiriza mão de obra, para uma grande fabrica de chocolate, e no último dia 10 deste mês eu e meu segurança que é policial sacamos uma grande quantia em dinheiro do banco que era destinada ao pagamento dos meus funcionários e segundos antes de adentrar as portas da minha empresa, enquanto meu segurança estacionava o carro, fui roubado por dois jovens em uma motocicleta que me apontaram uma arma e levaram uma bolsa com todo o dinheiro, tenho certeza que os ladrões possuíam informações privilegiadas para haverem cometido o roubo, pois ninguém de fora poderia supor ou até mesmo se arriscaria a roubar-me sabendo da escolta policial que sempre me acompanha, assim gostaria que investigasse minha empresa para sabermos se a informação do meu “saque” saiu de algum funcionário do interior da empresa, ou de alguém ligado a mim, mesmo porque fui informado que tal situação poderia ocorrer e partiria de alguém muito próximo a mim!
Indaguei: -Compreendemos à sua necessidade, contudo gostaria que esclarecesse de onde veio a informação que este evento partiu de alguém muito ligado ao Sr?
-Deixe-me explicar – prosseguiu o Sr Armando – eu não sei certamente qual a sua crença religiosa, “contudo devo dizer que sou espiritualista e possuo um ‘guru” espiritual que me alertou “antes” do acontecimento e disse ainda que seria alguém “muito ligado a mim” este fato muito me preocupa, peço que me ajudem, os Srs nos foram muito bem referenciados e necessito esclarecer o ocorrido o mais breve possível.
-Vejamos, antes de qualquer coisa devo dizer-lhe que os fatos falam mais que previsões e sinceramente não acredito que elas possam se realizar em face de nossas ações, atitudes e escolhas, contudo vamos ao trabalho, sugiro que iniciemos com uma investigação completa e infiltremos um agente que poderá ser contratado em seu setor administrativo e nos informe os acontecimentos diários de sua Empresa, escolheremos alguém de nossa equipe que tenha o perfil, preferencialmente de uma “vaga” que o Sr possa já tê-la em aberto, assim não arguindo suspeitas por parte dos seus funcionários.
Combinados os detalhes de honorários, perfil do funcionário infiltrado e datas e prazos para o trabalho passamos a investigação propriamente dita.
Iniciamos com uma “visita” disfarçada ao “guru” do Sr Armando que passamos a descrever a seguir:
Manhã de sábado, chegamos a um sítio ainda na grande São Paulo, sol calor já se manifestava tornando a manhã quente e sufocante encontramos o endereço e logo reconhecemos pela placa que oferecia serviços espirituais a quem pagasse por eles, tipo ...”amarrações para o amor e prosperidade para a vida financeira entre outros” , batemos a campainha e fomos atendidos por uma moça jovem , com bonitos traços e trajada de maneira simples e descalça, pedimos para falar com o responsável alegando uma “consulta” para a prosperidade em nossos negócios e fomos levados a uma sala onde um homem de cerca de 50 anos, branco nos recebeu sentado em frente a várias imagens de santos e demais entidades, e deu início a consulta:
– Bom dia...meu filhos..em que o Pai velho pode ajudar a vocês?
– Bem...- prossegui inventando uma estória para analisar a reação do “guru”..que baseava-se na solução de um problema que envolvia uma relação empresarial com fraude e crime, tudo porém fictício e aguardei a resposta dele..que nos possibilitaria uma melhor análise de seu comportamento.
Após ouvir toda a estória, o “guru” abaixou a cabeça e meditou por instantes e concluiu:
– Meus filhos, eu e meus amigos trabalhamos aqui com as esperanças e realizações das pessoas que nos procuram, por isso cobramos pelos nossos serviços, assim queria que vocês refletissem o que andam fazendo e depois se retirassem daqui e não mais retornassem, pois aqui não é e nunca foi o lugar de vocês!
Dito isso, nosso interlocutor gritou e veio até a sala um ajudante de uns dois metros de altura, negro alto e forte que nada disse e nos acompanhou até a saída do sitio.
Diante do exposto concluímos que nosso “guru” ou obtivera informações privilegiadas ou a sua ligação com o além o preveniu de nossa investida, contudo de qualquer maneira o breve futuro nos mostraria a verdade.
Selecionamos um rapaz de 19 anos de nome Jair, que possuía o perfil desejado e o contratamos para ser nosso “agente infiltrado” neste caso, apresentamo-lo ao cliente que procedeu às ações de praxe de uma contratação normal e dois dias depois ele já estava trabalhando como “continuo” na empresa de terceirização de mão de obra, onde somente seu proprietário sabia de sua identidade e função investigativa.
Nos dias que se seguiram nosso agente nos informava toda a rotina da Empresa, donde pudemos traçar um perfil dos seus Departamentos e funcionários, neste tipo de serviço depois que iniciamos, na maioria das vezes acabamos por constatar outras tantas coisas que a principio não seriam objeto da investigação, contudo passam a ser do interesse do proprietário da Empresa visto que algumas atitudes geram prejuízos tanto financeiros como operacionais.
Analisando a rotina acabamos por descobrir algumas curiosidades que listamos a seguir:
-Gerente Administrativa chamada Sonia, era uma mulher dos seus 40 e poucos anos, separada do marido e com dois filhos que sustentava com o seu salario, contudo constatamos que ao termino do expediente em determinados dias da semana frequentava um ‘bar” próximo da Empresa e era comum vê-la saindo totalmente “embriagada” e na companhia de diferentes homens.
-Auxiliar administrativo de nome Anderson, um rapaz de 20 anos, casado e namorava uma outra funcionária de nome Márcia que era auxiliar de cozinha, possuía dividas financeiras originadas provavelmente de seu duplo relacionamento, contudo trabalhava de forma exemplar e não apresentava “riscos” a empresa.
-Segurança pessoal do Sr Armando era um homem de 40 anos e chamado Roberto Oliveira, era cabo da Policia Militar e trabalhava à noite na corporação e de dia realizava a segurança pessoal do nosso cliente, apuramos que apesar de ser “casado” relacionava-se afetivamente com o nosso cliente que como descrevemos era um Sr solteiro de 45 anos e que residia com a sua mãe em uma luxuosa casa em Tamboré.
Passaram-se quase dois meses desde o inicio da Operação e nada podíamos acrescentar que ligasse a rotina da Empresa ao “roubo” que nos obrigávamos a apurar, em levantamentos dos “suspeitos” não encontramos quem tivesse sua “renda” aumentada após o advento do crime, demonstrando sua participação efetiva, assim começávamos a sentir uma “incomoda sensação de fracasso” em nossas ações quando nosso agente Jair em um happy hour no barzinho que servia de ponto de “encontro” após o expediente teve a informação que seu proprietário de nome Carlão, havia uma noite antes, “agredido” a esposa que trabalhava como cozinheira no bar (alias ela era muito amiga do nosso cliente), a socos e pontapés e havia sido preso em flagrante e ela socorrida ao hospital e “misteriosamente” ele só não foi preso em flagrante como também contava aos quatro ventos que pagou cerca de 80 mil reais aos policiais para não ser preso e ainda acrescentando “quem tem dinheiro não vai preso neste país”... fato que nos chamou a atenção porquanto a quantia assemelhava-se a subtraída no “roubo” sofrido pelo nosso cliente.
Passamos a investigar o Carlão, e não nos foi difícil descobrir que no passado ele já havia sido preso por “roubo e receptação” por vários anos.
Conversamos com sua esposa que após a agressão retornara a casa de sua mãe, e como não só o bar e todas as contas de celulares estavam em nome dela, passamos com a sua autorização a rastrear as ligações do Carlão no dia do “roubo” e assim descobrimos que:
-Nosso cliente e sua gerente Sônia tomaram café da manhã, no dia do roubo e como sempre falaram a mesa da quantia a ser sacada, bem como o trajeto que fariam do banco para a Empresa, ciente da rotina do nosso cliente o dono do bar seu Carlão, ligou para dois amigos que eram “ladrões” e combinou o “modo” de executar a tarefa bem como a sua divisão, visto que os “ladrões” eram amigos e ele mesmo encarregava-se de receptar objetos roubados rotineiramente de outras vítimas.
Agendamos uma reunião com o nosso cliente, expomos os fatos apurados, e os métodos utilizados para a nossa conclusão que não nos deixava a menor dúvida da autoria do fato.
Colocamo-nos a disposição do nosso cliente para acompanharmos junto às autoridades policiais a “noticia crime”, contudo para a nossa surpresa ele preferiu após uma conversa com o Carlão por resolver pessoalmente os fatos apurados, assim encerramos a nossa participação no caso.
Esclareço ao amigo leitor que pode nos perguntar:
-Após a nossa agencia investigar a conduta do Carlão, não teríamos a obrigação de reportar as autoridades policiais o “crime” resolvido?
Respondo que não, atuando como detetive particular, representamos uma força não regular e como não integramos qualquer força policial não temos a obrigação de reportar a noticia crime às autoridades, deixando a mercê e a conveniência do nosso cliente tal informação e providências.
Quanto ao “guru” espiritual concluímos apenas que não teve nenhuma ligação com o fato criminoso e ainda quanto ao nosso agente infiltrado, uma vez acabada a tarefa demitiu-se regularmente e ainda executa alguns trabalhos a nossa agencia.
FIM...


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Detetive Particular - em um caso de fantasmas




Detetive Baker Street, em um caso de fantasmas ...


Estávamos um tanto desanimados no escritório da nossa agencia Baker Street, e passando os olhos pelas notícias atuais no portal do Estadão, deparamos com uma noticia que afirmava que o STJ Superior Tribunal de Justiça, havia publicado um entendimento que considerava crime de extorsão por grave ameaça, entendendo-se por grave ameaça a execução de magia negra, através da qual a meliante obteve vantagem monetária indevida de sua vítima.
Assim, recordamos de um caso, que investigamos há cerca de 10 anos, que hoje com certeza podemos contar, observo que, como sempre, nomes, locais e datas, foram trocados para preservar as pessoas envolvidas, mas os fatos e atitudes foram reais e assim submeto ao crivo de sua razão.
Vivíamos o ano de 2007, a capital paulista o verão dava adeus, após muitos dias de calor, no palco político nacional o então presidente Lula acabara de ser reeleito e exercia o seu segundo mandato, o mês era o de marco que é quando as coisas economicamente falando, passam a funcionar neste país.
Coloco o amigo leitor na atmosfera que vivíamos, para que possam compreender os fatos a seguir; fomos procurados por um Empresário do setor de construção civil, chamado Pablo; argentino, engenheiro civil, e dono de uma Empresa construtora, que realizava dentre outros trabalhos a construção de um grande templo evangélico aqui na capital paulista, uma obra milionária que anos depois teve a sua inauguração cercada de luxo e badalação; mas aí já e outra história.
Como sempre, o cliente nos contata e marcamos uma consulta, com o Pablo não foi diferente, e após a marcação desta consulta, realizamos os levantamentos preliminares e ao encontra-lo em nosso escritório, já tínhamos a ideia de que Pablo era empresário, 50 anos, casado há 30 anos com Franciele com quem tinha 02 filhos, um rapaz de 30 e uma moca de 27.
Na hora aprazada, toca o interfone e sobe o Pablo, um homem alto, gordo e careca, trajando um terno escuro, e bem cortado, óculos escuros e muito abatido; após os cumprimentos cordiais, pedi que ele se sentasse em uma aconchegante cadeira, especialmente colocada a frente da minha mesa, onde as pessoas relaxam e ficam mais à vontade para exporem seus problemas; quando ele toma a palavra:
-Meu nome e Pablo, como podem reparar eu não sou brasileiro, sou argentino, empresário do ramo da construção, e enfrento um problema muito grave em minha casa, sou casado com Franciele há 30 anos, temos dois filhos, e há alguns meses, minha construtora fechou um grande contrato com uma igreja evangélica, da capital paulista, para a construção de um mega templo ; passamos a viver quase que exclusivamente para este grandioso projeto; trabalhamos cerca de 16 horas por dia, digo trabalhamos pois minha esposa também estava integrada a este projeto; nunca fomos muito religiosos, somos católicos por tradição, mas quando iniciamos as tratativas para conseguirmos esse milionário contrato, passamos a nos relacionar muito intensamente com os seus pastores dirigentes, ai começaram nossos problemas, moramos em um confortável apartamento no bairro de Moema, aqui em São Paulo, apartamento de 400 metros quadrados, bem amplo e espaçoso, nos mudamos da cidade de Buenos Aires onde morávamos em 2003; em meio a uma aguda crise que assolava a Argentina, viemos sediar nossa empresa familiar aqui em são Paulo, junto com os nossos filhos, o Pedro e a Isabel, observo que o Pedro casou-se aqui e mudou-se em 2006, embora continue trabalhando comigo, e a Isabel no ano passado foi morar nos EUA para estudar e especializar-se; conto isso porque exatamente nos meados de outubro do ano passado, coincidiu a assinatura do contrato com a mudança da Isabel para os EUA. Atravessamos juntos a fase de negociações até a implantação do projeto propriamente dito; envolvidos na implantação do projeto passamos a visitar a sede da igreja quase que diariamente e seguir um culto semanal, para melhor nos posicionarmos perante o projeto, nos envolvemos emocionalmente com um casal de pastores dirigentes da obra chamados Estevam e Leticia , que nos incluíram em um grupo de casais que, segundo eles realizavam uma poderosa corrente espiritual denominada “casamento blindado”; passamos por diversas aulas e cultos; e foi justamente ai que começou o meu drama! – continuou Pablo desta vez dominado pela emoção, deixou-se cair na cadeira em prantos; imediatamente o amparamos e servimos o nosso famoso café da “calma”, oferecemos um lenços e aguardamos que ele se recompor e prosseguir a sua narrativa.
-Franciele, sempre foi uma mulher muito bonita e elegante, com seus atuais 50 anos, nem aparenta a idade que possui, sempre vivemos uma relação muito apaixonada, em todos os sentidos, nestes 30 anos nunca protagonizamos brigas, ciúmes ou traições. Contudo, no último mês percebi algo muito estranho, Franciele passou a se distanciar, suas dúvidas e discussões passaram a ser frequentes, começou a controlar minha agenda e indagar “onde eu estava” a cada hora, como se eu tivesse algo a esconder; notei também que a Sra Leticia, esposa do Estevam, passou a me encontrar diariamente, algumas vezes sua visita coincide com meu horário de almoço, como que me obrigando a almoçarmos juntos; ela sempre muito educada, e sensual acabei por notar que ela, com frequência queixava-se do esposo ausente, e me elogiava com frequência dizendo que a Franciele tinha muita sorte de ter-me como esposo, foi quando notei que ela estava me “paquerando”, e como sempre fui uma pessoa muito franca, esclareci que sou casado, e amo minha esposa, logicamente ela negou e desculpou-se dizendo que não era essa a sua intenção. Nestes mesmos dias notei que o Estevam, conversava muito com Franciele, conversas reservadas e inclusive por mensagens telefônicas.
Exatamente nestes dias, percebi que Franciele estava muito ligada a Igreja dirigida por Estevam e Leticia, frequentava cultos assiduamente e chegou a afirmar que Deus tinha um proposito para a sua vida, e inclusive eu acabaria por compreende-lo. Eu estava muito ocupado, nestes dias com as obras que planejávamos e Franciele começou a atrasar-se e por vezes faltar ao trabalho, foi quando dei por conta que U$ 20 mil estavam faltando em nosso cofre pessoal que fica em meu quarto, este dinheiro, todos da família guardávamos para uma viagem que faríamos juntos, quando do final do contrato da construção do templo. Indaguei a Franciele, sobre o dinheiro e ela me disse que não sabia de nada, disse ainda que talvez eu mesmo teria tirado de lá, e agora queria culpa-la disso.
Este fato, ocorreu na quarta feira passado, há exatamente uma semana, quando foi na sexta feira, ela negou-se a sair de casa, dormiu o dia inteiro, e se diz doente, não saiu nem para ir à Igreja, que tanto gostava ultimamente; e até hoje não mais saiu de casa, alimenta-se muito pouco, não quer conversar e nem ir ao médico ou recebe-lo.
Eis o meu problema, desejo que descubra o que aconteceu com ela, para ela chegar neste estado, se os pastores têm algo a ver com isso; preciso muito da sua ajuda! – completou Pablo.
Após a sua declaração, Miriam a minha assistente levanta e pede licença a fim de servir, como sempre falamos, o “café da sabedoria”; e olhando nos olhos do Pablo passei o seguinte planejamento:
-Sugiro, a principio que investiguemos o “sumiço” do dinheiro do seu cofre pessoal, pois este fato com certeza estará intimamente ligado ao estado que a Franciele se encontra neste momento, a sua relação com Estevam e Leticia, para juntos definirmos a estratégia e o comportamento a serem seguidos.
Pablo concordou de imediato, e realizadas as tratativas de contratação, sugerimos que imediatamente analisemos o computador que ela utiliza no escritório, seu notebook pessoal e a analise de suas chamadas telefônicas.
Na manha seguinte, Pablo nos deu acesso aos computadores e a movimentação telefônica de Franciele, e os nossos especialistas passaram a analisar, para a nossa surpresa no notebook encontramos uma “pasta” oculta e denominada TRAIDOR ; esta pasta continha fotos e vídeos dos almoços do Pablo com a Leticia, observo que em nenhuma foto eles demonstram intimidade, porem havia um relatório assinado por uma agencia de detetives aqui de São Paulo, que concluía que havia presenciado “sem registrar” o suposto envolvimento de Pablo com a Leticia; relatório datado de dois dias antes do sumiço do dinheiro. Observamos ainda que nestes dois dias subsequentes o extrato telefônico da Franciele continha mais de 20 ligações telefônicas entre ela e Estevam e que na mesma noite se encontraram após o culto e permaneceram, segundo outros fieis trancados por quase duas horas na sala do Estevam.
Passamos a investigar o passado de Estevam e Leticia; O pastor Estevam na verdade era Joao Carlos e utilizava o nome de Estevam após a sua conversão para a Igreja, possuía uma extensa ficha criminal, envolvendo fraudes, estelionato e ate mesmo sequestro, havia sido preso e cumprido pena de 7 anos no interior de São Paulo, onde conheceu Leticia que era filha de um companheiro de cárcere de Estevam; que acabaram namorando e casando-se em seguida.
Agora precisávamos saber o que de fato ocorreu, o porque de Franciele haver entregue o dinheiro a Estevam, e o que mais haveria nesta trama.
Combinamos com Pablo, que ele deveria prosseguir normalmente em seu trabalho e sua relação com Estevam e Leticia, como se nada tivesse ocorrido, quando perguntavam por sua esposa, deveria dizer que ela estava indisposta e havia viajado para encontrar a sua filha nos Estados Unidos, e neste tempo de tratamento deveríamos restringir as chamadas dos meliantes, ou de pessoas desconhecidas para Franciele, logicamente sem que ela soubesse, bloqueamos tais chamadas nos dias que se seguiriam.
Pedimos para o Pablo que nos apresentassem para o casal malfeitor, como ricos empresários do ramo de serviços, em nossas pesquisas percebemos que o casal nunca havia tido contato com o estado do Paraná, assim nos apresentamos como sendo proprietários de uma grande rede de restaurantes que estaríamos abrindo filiais em São Paulo, e nos mudando rapidamente para esta cidade onde não conhecíamos ninguém, ambos evangélicos e com filhos já crescidos e netos, mas sem amigos ou parentes em São Paulo, assumimos assim a característica preferida dos malfeitores.
Esclareço que para assumirmos tais papeis, envolve toda uma preparação de sites, noticias, redes sociais, que por certo credenciam-nos perante as famigeradas buscas superficiais dos malfeitores com relação a próxima vítima.
Fomos a igreja, e rapidamente fizemos amizade com o casal, fiquei amigo do Estevam e minha assistente Miriam ficou, como gostamos de dizer “amiga de infância” da Leticia.
Dentro desta relação, eu sempre que podia falava com Estevam sobre “farras e infidelidade”, como aproveitar a vida com amantes e prostitutas, o que ele concordava e ainda utilizava o jargão “afinal somos homens, e podemos tudo”; já com Leticia a minha assistente adotou a posição de esposa traída, disse que sabia que eu tinha amantes, mas mesmo assim esperava que a religião me concertasse, que eu mudasse de comportamento a qualquer custo, uma vez que gratidão para ela, muito rica, não seria problema desde que atingissem os objetivos.
Quase que imediatamente Leticia, mordeu a isca, convidou a Miriam para uma forte “corrente de oração” chamada casamento blindado, e ao final do dia, chamou-a na sala e disse que tinha uma saída, para o problema que ela enfrentava, nem preciso dizer que em uma operação como esta todas as conversas e encontros são gravados e monitorados; Leticia propôs realizar um trabalho de magia e bruxaria, que vulgarmente chama de “amarração para o amor”, que uma vez realizado, no caso “eu” o marido ficaria dominado pelas forças do além, para nunca mais a trair e nem sequer olhar para outras mulheres, mas para isso ela teria de arcar com o custo do trabalho, que tudo seria extremamente sigiloso, ela pagaria a quantia de 3 mil reais, e somente depois se o trabalho “desse certo”, ela poderia recompensar a pessoa com mais dez mil reais.
Miriam concordou de imediato, alegou não possuir o valor em espécie, e pegou a conta bancaria de Leticia para um deposito no dia seguinte; Leticia prometia o resultado da “amarração” em dois dias; e assim no dia seguinte foi realizado o deposito na conta bancaria da Leticia.
A partir do dia seguinte, eu sai de cena, aleguei para meu novo amigo Estevam que iria viajar a negócios e ficaria fora por um tempo, havíamos alugado um apartamento mobiliado no bairro dos Jardins, apenas por alguns dias, pois tínhamos a certeza de que em poucos dias a Leticia visitaria a Miriam para cobrar o restante da trama.
Miriam insistiu que Leticia não contasse para Estevam sobre seu problema, pois tinha medo que a sua aproximação com meu personagem ele pudesse contar o que acontecia, foi uma excelente desculpa, pois assim saberíamos se eles agiam juntos ou separados.
Como prevíamos, após saberem da viagem do meu personagem, Leticia ligou para Miriam e marcou um jantar no apartamento, pois ela desejaria descortinar e relatar toda a visão espiritual do trabalho apresentado.
Preparamos todo o apartamento com câmeras ocultas e microfones aptos a captarem toda a reunião que haveria no apartamento.
Marcamos as 19 horas de uma sexta-feira, Miriam a receberia na sala, eu e outro detetive assistente de nome Marcos, aguardávamos no quarto de onde monitorávamos as câmeras e o áudio, e estávamos preparados para intervir caso fosse necessário, neste momento não saberíamos o que poderia acontecer.
Na hora marcada, Leticia anuncia a sua chegada pelo interfone do prédio, o porteiro anuncia a sua chegada, ela sobe e adentra ao apartamento, Miriam demonstra-se muito abatida e preocupada, a convida para sentar e confessa que não haverá “jantar”, apenas o encontro, assim que se acomoda Leticia toma a palavra:
-Miriam, seu caso e muito grave o seu esposo Amauri está muito envolvido com as sombras, mas a nossa corrente e muito forte e o afastou das tentações, os espíritos fizeram com que ele fosse viajar, para cuidarem dele mais de perto, envolvendo-o de forma eficaz, para que ele nunca mais a faca sofrer. - Concluiu.
-Minha amiga – prosseguiu a Miriam – agradeço muito o que fez, mas eu analisei e compreendi que não posso continuar com isso, na verdade ele nem vale a pena, o dinheiro que temos e todo meu, propriedades de família e todos os nossos negócios são meus, prefiro me separar dele e deixa-lo sem nada, assim devo me desculpar e dizer que não precisa mais fazer nada; agradeço de todo o coração e peco que pare tudo agora.
Neste momento, Leticia transforma-se, ela tomada de um acesso de raiva, diz:
- Não e assim que se faz, não se pode parar um trabalho destes, assumimos um compromisso com entidades trevosas que exigem o pagamento a qualquer custo e não vou sair daqui sem o dinheiro que me prometeu.
- Não vou pagar – disse Miriam se mostrando nervosa e apreensiva, prosseguiu – não me interessa mais este trabalho e quero parar por aqui, se os seus espíritos querem prejudicar a ele, vão em frente, acabem com ele, esse maldito merece, agora pode ir embora, estou com dor de cabeça – concluiu.
Neste momento Leticia, levantou-se e raivosamente explicou:
-Se você insistir em não pagar, estes espíritos irão atrás de seus filhos e netos e acabarão por destruir a sua família, pois eles não toleram caloteiros; eles irão destruir a sua vida, e não poderei fazer mais nada para lhe ajudar.
Miriam levantou-se e foi em direção da porta, abriu e pediu que Leticia se retirasse, obviamente antes dela se retirar o agente Marcos havia descido e fotografado o marido Estevam aguardando por Leticia em seu carro.
Havíamos gravado e registrado toda a conversa, e a partir daí, ficou claro o que ocorreu com Franciele, deduzimos que ela foi induzida a crer que Pablo tinha um romance com Leticia e encomendou o “trabalho espiritual especial” com Estevam, quando arrependeu-se foi extorquida pelo pastor a lhe entregar os vinte mil dólares que sumiram do cofre, e não tinha mais coragem de contar o ocorrido ao seu marido Pablo.
Imediatamente, marcamos uma reunião com o Pablo para lhe entregar as provas e conclusões do trabalho e inclusive sugerir que se ele concordasse, deitaríamos a mão da justiça sobre o casal de malfeitores.
Adiantamos sempre, o andamento da investigação aos nossos clientes, e para a nossa surpresa no dia e horário aprazado ele comparece ao nosso escritório em companhia da esposa Franciele.
Os recebemos e ela confirmou as nossas suspeitas, ou seja, ela havia sido vítima de extorsão, por ameaça de magia negra, contudo desejava esquecer o assunto e não fariam queixa policial.
Pablo marcou uma reunião com o presidente da referida igreja, obviamente ele não possuía nenhuma ligação com os malfeitores e suas práticas, passo a descrever abaixo esta reunião que muito nos marcou pelo procedimento do presidente e as suas atitudes.
Marcamos para as 10 horas da manhã de terça feira, em um luxuoso escritório na avenida Faria Lima, bairro elegante de São Paulo, chegamos dez minutos antes e permanecemos na sala de espera, eu a Miriam e o Pablo, escutamos um helicóptero pousar no heliporto do edifício, na hora marcada uma secretaria nos convida a adentrar em uma sala de reunião, adentram a sala quatro homens, todos muito bem trajados com ternos caros e elegantes, o presidente da Igreja-Empresa, vamos chama-lo de Carlos, apresenta-se muito cordial e simpático, apresenta os outros como advogados e diretores, e nos indica o lugar para sentarmos na mesa de reuniões, Carlos toma a palavra:
-Bom dia a todos, sem mais delongas eu sei o assunto que os trazem hoje aqui, peco que sejam sucintos e me relatem com exatidão tudo o que apuraram com relação aos pastores Estevam e Leticia.
Levantei, me apresentei e tomei a palavra, não sem antes entregar ao Carlos o relatório final de serviços, que além de todo o ocorrido impresso acompanhava-se de uma mídia com todas as fotos, vídeos e áudios de toda a operação.
Ele abriu a pasta e folheou atentamente toda a história, deteve-se na conclusão e teceu algumas dúvidas e considerações. Presumimos que ele compreendeu e ficou satisfeito com as informações recebidas, por fim desculpou-se em nome da Igreja, e assegurou que Pablo receberia o dinheiro pago aos malfeitores e prosseguiria normalmente com a obra combinada e que tomaria todas as providencias no âmbito interno para que estas atitudes não mais ocorressem em seus domínios.
Claro que mesmo com o caso encerrado, permanecemos atentos a possíveis represálias do casal malfeitor, acompanhamos que imediatamente deixaram a igreja, mudaram da sua residência, venderam os carros e motos que possuíam e nunca mais foram vistos em terras paulistas.
Nosso cliente e amigo Pablo, refez seu casamento e mora atualmente em Buenos Aires, de onde faz muita questão de nos receber e nos acompanhar aos excelentes shows de tango da capital platina.
Quanto a ameaça espiritual, confesso que acredito compartilho uma frase que reproduzo abaixo:
 
             
  
                    
 FIM....

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Detetive em um caso de extorsão


O Perigo mora em casa.

Vivíamos a primavera de 2017 ; calor na cidade de São Paulo, muitas das nossas consultas profissionais prendem-se as relações familiares, por vezes somos procurados por pessoas que não querem descobrir a verdade, pelo contrario desejam perseguir e incomodar quem simplesmente optou por não mais manter laços pessoais ou de amizade, mascarando atitudes e inventando verdades, e ainda desejam que nós colaboremos, por vezes descobrindo fatos que elas se utilizarão posteriormente para chantagens pessoais e profissionais.
Nossa experiência nos mostra, aliás são quase 20 anos em investigações privadas e foram mais 15 anos nas fileiras policiais, que nos coloca sempre do lado certo, do lado justo, embora sendo profissionais e necessitarmos do dinheiro ganho a cada dia, nos posicionamos sempre em favor da verdade e da justiça, orientando e auxiliando, certo que nem sempre somos compreendidos ao recusar alguns casos.
Passo a narrar um caso em especial, que muito nos tocou com relação ao sentimento envolvido em uma relação familiar desgastada e de aparências, mas vamos ao caso:
Quinta-feira, manha de sol em São Paulo, somos procurados por telefone, por um homem chamado Cesar, que se apresenta como Empresário, diz ter sido indicado por um amigo que já teria utilizado os nossos serviços, demonstra-se muito nervoso e preocupado, pede uma consulta para a mesma hora, endereço anotado passamos a aguarda-lo.
Como é de costume, após marcarmos uma consulta sempre procuramos saber um pouco mais da pessoa que utilizara nossos serviços, neste caso apuramos rapidamente tratar-se de um Empresário paulistano, cujos negócios estavam ligados ao Governo do Estado; tratava-se de um homem de 55 anos, casado com esposa da mesma faixa etária, três filhos crescidos, mantinham relação com instituições beneméritas, tanto ele quanto a esposa e com um alto poder aquisitivo, por hora as informações já nos bastariam.
Na hora aprazada, percebemos tocar o interfone, pedimos que subisse à nossa sala, em abrindo a porta nos deparamos com um homem de estatura mediana, vestido com roupas esportivas e de marca, usava óculos, suava muito, demonstrando intranquilidade e nervosismo, pedi que entrasse e se acomodasse em uma cadeira defronte a minha mesa, notamos que ele se encontrava incomodado com a presença da minha assistente Miriam , que imediatamente percebeu e retirou-se alegando outros afazeres; imediatamente ele sentou-se na cadeira indicada, deixando-se cair e externando toda a sua preocupação:
-Meu nome e Cesar, sou Empresário, quem o indicou, foi um grande amigo que já utilizou os seus serviços, mas que pediu para que não revelasse a indicação, talvez com receio de comentários, bem compreendo isso, mas meu caso é o seguinte, sou casado com Anete, minha esposa que temos um relacionamento de 35 anos, filhos já crescidos, posso dizer que nestes 35 anos eu nunca trai minha mulher, sou apaixonado por ela e muito feliz com a vida que temos, mas ontem , exatamente ontem, tínhamos uma reunião no fim da tarde com representantes do governo, participariam desta reunião somente eu e minha secretaria, contudo estes representantes desmarcaram a reunião, cerca de uma hora antes, assim já estávamos com a agenda livre e minha secretaria Telma, uma linda moca de 30 anos, me convidou para um happy hour, em um barzinho badalado e próximo a Empresa.
Fomos ao barzinho, sentamos em uma mesa, começamos a beber e falarmos da vida, dançamos e sim, rolou uma certa intimidade, mas mesmo havendo bebido, não levei adiante, disse a ela que era casado e amava a minha esposa, apenas saímos abraçados e o manobrista trouxe meu carro e eu a deixei na porta do seu condomínio em um bairro próximo.
Assim que a deixei, conferi meu celular e havia uma mensagem pelo aplicativo de watssap, um número estranho que me chamava pelo nome e desejava uma boa noite, visualizei e como não conhecia, eu não respondi, a pessoa ao notar que eu visualizei e não respondi, imediatamente me envio fotos do meu encontro com a Telma e um vídeo e me disse que eu era um “safado” e que se não desse atenção e pagasse U$10 mil, ela mostraria tudo para minha esposa e acabaria com meu casamento e divulgaria minha “traição” em rede social; meu Deus eu nunca traí de verdade a minha esposa! isso é uma mentira e as fotos não revelam a verdade.- ao concluir entregou-me o seu celular para que constatássemos o ocorrido.
Após ler o conteúdo, cerrei levemente os olhos e perguntei a ele:
-Você realmente tem alguma relação com a Telma? ela e casada? mais alguém sabe deste encontro? – perguntei
-Não, não sei pelo que me toma, estou lhe dizendo que nunca trai a minha esposa, sim a Telma e casada, não conheço o marido dela, e não, ninguém sabia do encontro, porque simplesmente não era um encontro, foi um happy hour inocente, e agora estou sendo chantageado, quero e preciso que você descubra quem esta por traz disso; desejo resolver isso de uma vez por todas, mas não preciso dizer que este assunto é muito secreto, não desejo forca policial envolvida e quero o máximo empenho, sigilo e discrição.
Apresentado o caso, e mediante a afirmação de nosso cliente que ele era inocente e malfeitores o estariam extorquindo, decidimos auxilia-lo no caso; preenchidas as formalidades do contrato, passamos a analisar o caso.
O numero de contato do aplicativo watssap era de um celular pré-pago, cadastrado em nome de um senhor de 70 anos e residente no Estado do Ceara, obviamente falso, que foi imediatamente descartado.
Passamos a analisar as conversas, modo de escrita, assunto, forma de exigências, que os malfeitores fizeram ao nosso cliente, tudo tinha de ser rápido, pois haviam aprazado 48 horas, apenas para que nosso cliente pagasse os U$10 mil, exigidos.
Formamos dossiês, sobre a secretaria Telma e seu marido Arnaldo, analisamos redes sociais, trabalho, bens e antecedentes criminais, e nada foi encontrado que os ligassem a estas exigências.
Analisamos também nosso cliente Cesar, sua esposa e seus filhos, separadamente e apenas um padrão chamou a atenção da minha assistente Miriam, que percebeu que a esposa do Cesar; Anete publicava com frequência artigos em rede social, e sua característica de linguagem se assemelhava a dos malfeitores; tanto que separamos algumas “frases” soltas que quando juntas e ampliadas em nossos quadro de evidências, transmitiam a impressão de similaridades que neste caso, não podiam ser desconsideradas, contudo o nosso prazo esgotava-se e precisávamos tomar algumas atitudes, quando chamamos nosso cliente Cesar para que “juntos” iniciássemos uma negociação pelo aplicativo com os malfeitores para o pagamento da extorsão.
Exigimos pelo aplicativo, nem preciso dizer que toda a negociação foi registrada, e que o dinheiro, que seria pago em dólares, fosse pago em espécie, o que foi prontamente aceito pelos malfeitores, que nos alegrou pois nesta hora tivemos a certeza de estarmos tratando com “amadores”, pois se fossem profissionais teriam exigido deposito bancário em conta não rastreada (normalmente malfeitores se utilizam de conta poupança de banco público, que são abertas facilmente com documentos falsos).
Marcamos a entrega para a próxima noite, passamos a foto de uma mochila que conteria o valor exigido, e por exigência dos malfeitores ela seria deixada no interior da Catedral da Sé, aqui em São Paulo; em um determinado banco da catedral; às 20 horas em ponto, pelo nosso cliente Cesar que iria sozinho.
Tudo acertado, por volta das 19 horas, nos encontramos em nosso escritório da Baker Street, conferimos a mala e instalamos um rastreador portátil dentre os maços de notas que foram acondicionados na mochila; assim após a entrega poderíamos rastrear o dinheiro e localizar os malfeitores.
Fomos em dois carros, na frente o de uso do nosso cliente e atrás o nosso, com quatro agentes que nos auxiliariam na vigilância da mochila, na hora que os malfeitores a retirassem da Catedral.
Tínhamos de tomar o maior cuidado, e precaução, pois sabíamos que se os malfeitores desconfiassem que vigiávamos o local, toda a operação estaria perdida.
Adentramos paulatinamente, a Catedral e um a um nos posicionamos formando um largo quadrilátero ao redor do Cesar, três dos agentes vestiam-se como andarilhos para não chamar a atenção, a mochila foi deixada em um banco perto da entrada, onde não havia ninguém e o Cesar, cumprindo a ordem dos malfeitores se afastou do banco e após fotografa-lo e enviar a imagem aos malfeitores que aguardavam do outro lado do aplicativo, nesta hora o Cesar voltou e entrou em nosso veículo que o estava aguardando na porta.  Imediatamente após o envio das fotos; um adolescente aparentando uns 15 anos, vestindo moletom e capuz, passa rapidamente pelo banco e apanha a mochila e sai correndo da catedral, em direção à rua. Fechamos o quadrilátero para cerca-lo, mas para a nossa surpresa ela passa correndo por um carro de luxo Audi de cor branca e joga a mochila no seu interior ao lado do passageiro, o veiculo sai em disparada, momento que nossos agentes perseguem e abordam o garoto ele não está mais com a mochila.
Retorno correndo ao nosso veículo e em companhia do Cesar e da minha assistente Miriam, ligamos o rastreador que estava no dinheiro, e passamos a seguir pelo rastreador o veiculo Audi branco, para a nossa surpresa ele desloca-se para o bairro de Perdizes, onde reside nosso cliente, apressamos a marcha e percebemos que o veículo toma a direção, do Condomínio onde reside o nosso cliente.
Chegamos antes, e estacionamos na entrada do Condomínio, acompanhamos o deslocamento do veículo Audi pelo sistema de rastreamento, até avista-lo dobrando a esquina e postando-se a entrada do Condomínio, momento em que fechamos a entrada com o nosso veiculo e abordamos o Audi; para a nossa surpresa quem estava dirigindo o carro era Anete, que diante da nossa abordagem ficou muito assustada, momento que o Cesar, tomou à nossa frente e abrindo a porta do carro, a tranquilizou, e nos reportou que fossemos embora que ele cuidaria de tudo, nossa participação estaria encerrada.
Fomos embora e no dia seguinte, sem nada dizer, o Cesar depositou os valores devidos em nossa conta bancaria.
Soubemos dias depois, por este amigo comum que indicou o Cesar, alias uma amiga querida que anos antes, havia disposto dos nossos serviços para descobrir a traição do ex-marido; que a Anete havia contratado um detetive particular que flagrou a relação de Cesar com a secretaria Telma, aliás relação que já durava dois anos, passou as provas e Anete decidiu tirar alguns dólares do traidor, e que depois de flagrada, não só, não devolveu os dólares como fez uma polpuda doação a uma instituição filantrópica e pediu a separação matrimonial do Cesar.
Quanto a nós, caso encerrado e verdade descoberta, e para a Baker Street, consciência tranquila.


FIM ...                 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Detetive em um Conto de Natal



Esclareço aos amigos e leitores que nossas histórias são verdadeiras, embora os nomes, datas e lugares são fictícios, sempre respeitando a confidencialidade das nossas operações fazemos questão de divulgar nosso trabalho como informação e aprendizado.
Vivíamos a entrada do verão brasileiro no ano de 2013; meados do dia 05 de dezembro, vinte dias antes do Natal; como sempre trabalhando em nosso pequeno, mas aconchegante escritório da Baker Street, bem no coração do elegante bairro paulistano do Tatuapé, devo lembrar que, como sempre, nossas investigações variadas sempre nos apresentam uma grande fonte de aprendizado, seja ele emocional ou ate mesmo financeiro, mas vamos a história:
Terça-feira, o calor batia tranquilamente os trinta graus em São Paulo, minha assistente Miriam me deixara sozinho, alegando outros afazeres, quando toca o interfone e apresenta-se uma senhora chamada Neide, e diz que busca os nossos serviços de detetive; estranhei a princípio, pois dificilmente os clientes batem a porta, sempre nos contatam por telefone ou aplicativo, mas mesmo assim pedi que subisse ao escritório.
Apresentou-se uma senhora aparentando 50 anos, vestida muito simples, que se fazia acompanhar por um garoto de uns 20 anos, chamado Fernando, claramente portador de deficiência mental, imediatamente os recebi e indiquei o lugar que se acomodassem para que nos relatassem o problema e que pudesse indicar uma solução.
-Meu nome e Neide, e este e meu filho Fernando, alias ele que me convenceu a procurar um detetive particular; meu caso e o seguinte:
Juntamente com o meu marido Ricardo, compramos para o Fernando um notebook para auxilia-lo em seu aprendizado, junto a uma instituição que nos atende, eu sou diarista e não ganho muito, meu marido trabalha como gari para a prefeitura e nem preciso lhe dizer que temos mais filhos e levamos uma vida muito dura em relação aos nossos ganhos, mas enfim juntamos a quantia de R$2.000,00 reais e compramos este computador pela internet, de uma pessoa muito simpática que nos ofereceu e explicou tudo direitinho, porem ao depositar o dinheiro em uma conta indicada, a pessoa simplesmente sumiu e não entregou o computador.
O Fernando ficou muito triste, ele hoje tem 20 anos mas a idade mental de uma criança de 10 anos e muita dificuldade de aprendizado, aprendeu a ler e inclusive ele que pesquisou o seu endereço pelo computador da instituição; gostaria de saber se você pode nos ajudar a recuperar o dinheiro ou mesmo o computador prometido, mas no caso lhe pagaremos com parte do dinheiro recuperado ; claro que fizemos um boletim de ocorrência na polícia, mas os policiais nos disseram que seria muito difícil localizar os malfeitores, por isso resolvi procurar a sua ajuda.
Ao saber os detalhes do caso, fiquei comovido com a situação desta cliente, pois o serviços de investigação particular, e um serviço caro, e sabia que se revelasse os valores cobrados normalmente, ela não poderia ou nem compensaria contratar-nos, ao mesmo tempo fiquei imaginando a sua situação, a expectativa do garoto de ter seu próprio computador em sua casa, e o seu desapontamento em relação ao malfeitores que os enganaram; contudo não poderia dizer-lhe que faria gratuitamente, pois ela poderia achar que estávamos com “pena” da sua situação; assim declarei que assumiria o caso e diante do resultado combinaríamos nossos honorários.
Após aceitar o caso e formalizar o contrato de serviço, nunca me esquecerei do brilho nos olhos do garoto, havíamos acabado de devolver a ele a esperança, e isso amigos e leitores não tem preço.
Assimilamos o “modus operanti” da quadrilha de malfeitores e nos dias que se seguiram nos dedicamos a localiza-los e pelo “anuncio de venda” do computador pela internet e conseguimos identificar os malfeitores, para este tipo de malfeitor precisaríamos ter muita cautela para faze-los se arriscarem, propor a eles um bom negocio e devo confessar que a proximidade do Natal, torna-se um aditivo para que eles se descuidassem e pudéssemos enfim identifica-los e como diria Sherlock Holmes “deitar a mão sobre eles”.
Contatamos os malfeitores e me identifiquei como “comprador” de uma conceituada instituição beneficente que criamos exclusivamente no mundo virtual (site e atitudes, tudo falso, mas que nos dariam a confiança dos malfeitores); minha assistente Miriam conduziu o processo de negociação, devo lembrar, que estes malfeitores sempre se sentem mais à vontade negociando com mulheres bonitas.
Miriam insistiu em pagar em dinheiro, pois avisamos a eles que o dinheiro doado, não poderia ser depositado, assim encomendamos 50 computadores e certamente pagaríamos na entrega; recordo e explico aos leitores que toda esta negociação estendeu-se por vários contatos e situações que deixaram os malfeitores crédulos dos valores que receberiam; assim os malfeitores insistiram em entregar a mercadoria em um estacionamento de um hipermercado aqui no bairro de Pinheiros, claramente iriam nos entregar um ou dois, e as demais caixas estariam vazias; visto que eles se prontificaram a fornecer um endereço de um deposito (checamos e descobrimos que era um endereço inexistente) caso alguns dos computadores fechados apresentassem problemas.
Tudo combinado e marcamos a entrega para o dia 18 de dezembro as 14:00; pedi a presença da equipe policial que havia registrado o boletim de ocorrência de nossa cliente, que aliás nos atenderam com muito profissionalismo e atenção, determinados a resolverem o problema do cliente.
Na hora marcada, estava em companhia do policial quando o malfeitor entrou com um pequeno caminhão no estacionamento, do hipermercado, me reconheceu por descrição e se apresentou como Jonas e seu ajudando Manoel; ao confirmarem a venda, meu acompanhante o policial Alberto se identificou como policial e em companhia de sua equipe deteve os dois malfeitores e os conduziu juntamente com carga para a delegacia.
Nem preciso dizer que, ao chegarmos a delegacia de polícia, lá já se apresentara um advogado para defender os seus clientes e desvirtuar a prisão que acabávamos de realizar.
Por fim, não nos interessa relatar os meandros policias e judiciais, apenas que os malfeitores se fizerem representar por este advogado que por intermédios dos policiais, entregou o computador a nossa cliente Neide e alegaram apenas desencontro comercial.
O garoto Fernando, ficou muito feliz ao receber o seu tão sonhado computador, que devo dizer que ate hoje nos acompanha em redes sociais, e tornou-se nosso amigo.

Inclusive Fernando nos visitou na véspera do Natal, em companhia de sua mãe, e como insistimos em não receber nossos honorários, pois alegamos que o trabalho foi policial; ele nos trouxe um Panetone, que recheado de amor e satisfação restabeleceu em nossa alma o verdadeiro espirito de Natal. – FIM 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

DETETIVE PARTICULAR INVESTIGA “BOA NOITE CINDERELA”.



DETETIVE PARTICULAR INVESTIGA “BOA NOITE CINDERELA”.
POR -  AMAURI DETETIVE BAKER STREET 11 2851-6508 

Nestes anos todos dedicados as investigações particulares, temos alguns casos que ultimamente nos tem chamado a atenção, pela sua frequência e aumento nas estatísticas policiais; acrescentamos ainda que em nossa preocupação em relata-los, contando e comentando, esperamos ajudar as pessoas a prevenirem-se contra os malfeitores e de alguma forma tornar, além de interessante, muito útil aos leitores e amigos os nossos trabalhos e contos.
Estávamos em Marco de 2017, nosso ano realmente começa aqui na capital paulista; época em que terminam as férias escolares e a rotina exaustiva da sobrevivência diária volta aos lares e ocupa a vida das pessoas.
Não é exagero afirmar que a maioria dos casos extraconjugais e desvios empresariais se iniciam ou intensificam nesta época do ano, do lado empresarial e quando são notadas as primeiras estatísticas de prevenção de perdas e ajustes financeiro e auditorias fiscais, no campo sentimental e quando os cônjuges se voltam para sua rotina e despertam-se as carências afetivas.
A história que vamos relatar, e de um cliente chamado Nelson 50 anos, que tem como profissão advogado tributarista de uma grande empresa, após 25 anos de casado, percebeu que a sua esposa Sonia 48 anos, o estava traindo.
Fomos contratados e após uma breve investigação descobrimos que a Sonia mantinha um romance com um gerente do Banco comercial que ela trabalhava; enfim nada que nosso cliente não superasse e em breves dias houve a separação consensual.
Esta transição de vida e comportamento, nem sempre e fácil para os nossos clientes, observo aos leitores e amigos que aqui começa a nossa história propriamente dita.
Relatório entregue, separação realizada, nosso cliente embora triste com as descobertas ficou muito satisfeito com o nosso trabalho e após um mês voltou a nos procurar relatando o seguinte fato:
-Seu Amauri , volto a procura-lo pois me vejo com outro grande problema e preciso dos seus serviços; a história e a seguinte:
- Como e do seu conhecimento, após a minha separação eu comprei um flat na região do Tatuapé e passei a residir sozinho, mas para quem foi casado por tantos anos, descobri que não e tão fácil ser solteiro novamente, não tenho muitos amigos, ainda mais na minha idade e senti a necessidade de conhecer festas e bares. Em uma destas festas com alguns amigos, conheci uma mulher muito linda chamada Ellen , que aparenta seus vinte e poucos anos, apresentou-se como modelo e conversamos por muitas horas, bebemos no barzinho e percebi haver passado da conta e simplesmente apaguei na mesa, meus amigos me encontraram sozinho e dormindo, me acordaram e como eu estava a passar muito mal, me levaram para casa; no dia seguinte percebi compras com meu cartão de debito e credito que somadas chegaram a 3 mil reais; nem preciso observar que por serem operações bancarias mediante o uso de senha, este foi o primeiro prejuízo; contudo a imagem de Ellen não me saia da cabeça, seria ela que junto aos malfeitores acabaram por me pilhar. Preciso saber a verdade, quero que encontre a Ellen, não para saber do que me foi roubado, mas preciso saber que ela realmente e; se teve algo haver com o roubo, ou se foi apenas uma vítima da situação; preciso esclarecer isso urgentemente.
Ao aceitarmos o caso e iniciarmos a investigação, começamos pelo mais logico, o celular do Nelson havia sido levado, mas ele estava regulado para quando tirasse fotos, armazena-las em sua conta icloude; ou seja, tivemos acesso as fotos tiradas na noite e através delas,  pudemos enfim retratar a Ellen e seus amigos.
Em posse destas informações, fomos ao barzinho onde passamos pelo menos uma semana investigando e esperando que ela retornasse, fato que se deu em uma sexta feira, bem quente e chuvosa, a observamos juntamente com outras três garotas tentaram o mesmo golpe, desta feita em um grupo de quatro rapazes, mas não obtiveram êxito, pois estes já familiarizados com a situação, negaram-se gentilmente a dividir bebidas, e mesmo quando duas delas foram a pista de dança, com dois dos rapazes pelo menos um permaneceu sem beber e de olho nas bebidas dos amigos; assim quando perceberam que seria impossível aplicarem o famigerado golpe, acabaram por irem embora. Seguimos Ellen ao seu carro e depois ao seu apartamento situado em um condomínio de classe média no bairro da Mooca em São Paulo.
Apuramos que seu verdadeiro nome era Cleide Aparecida, e era casada e vivia com o marido e duas filhas, de dia trabalhava como balconista de uma rede varejista de produtos de beleza, no mesmo bairro; não havia dúvidas do seu comportamento e relatamos ao nosso cliente, inclusive o modus operante da sua quadrilha que consistia em colocar sedativo chamado popularmente de “boa noite cinderela” nas bebidas das vítimas e delas subtraírem seus pertences e dinheiro realizando débitos em contas preparadas.
A investigação foi detalhada e entregue ao cliente Nelson, que ao saber dos detalhes resolveu ir ao local de trabalho da Ellen (ou Cleide) e conversar com ela; nosso trabalho havia acabado.
Para a nossa surpresa fomos procurados por Nelson, novamente depois de 10 dias e nos reportou que havia ido falar com ela e compreendera os motivos a levavam a cometer os delitos, disse ele que ela era casada com um marginal de nome Pablo e que ele, sendo o seu comparsa a obrigava a cometer os crimes e ficava impreterivelmente com o dinheiro arrecadado; que ele se sensibilizara com a situação de Ellen e que iniciara um romance.
Pediu que apurássemos a ficha criminal de Pablo, pois ela já frequentando seu apartamento prometeu acabar com o seu casamento e que apaixonada ficaria de vez com o Nelson.
Ao iniciarmos a investigação apuramos que Pablo, na verdade era ex-marido de Ellen, e que nem mais residia no Brasil, contudo em posse das informações contatamos o Nelson para lhe passar as informações apuradas e marcamos para um dia de segunda feira.
Na data aprazada o Nelson veio ao escritório e ao saber das nossas investigações, nos relatou a seguinte situação:
-Cai de novo – falou Nelson
-Sábado último, ela foi ao meu apartamento, eu já havia entregue a chave a autorização de entrada, chegou a noite, trouxe um bom vinho, jantamos e fizemos planos para o futuro e eu novamente simplesmente apaguei; desta vez ela sozinha levou dinheiro, celular, eletrônicos, minha coleção de relógios, joias, tvs e tudo que eu tinha e que podia ser transportado, ao acordar deparei com o apartamento vazio. Fui imediatamente a casa dela e encontrei a casa vazia; hoje pela manhã fui ao trabalho dela e ela havia se demitido há pelo menos uma semana, a escola que ela dizia que seus filhos estudavam nunca a tinham visto por lá; enfim cai novamente na mesma armadilha.
Indagamos se ele desejava que a encontrássemos novamente ou que levássemos o ocorrido a polícia; ele pediu que não e que desejava que esquecêssemos tudo e que ele havia aprendido uma grande lição.
Como dizia o grande poeta Victor Hugo “Quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas”.
Concluímos neste caso que muitas pessoas são o que são; invariavelmente podem mudar; contudo será sempre nossa obrigação saber, sentir e traçar o nosso destino.

FIM.... 

Detetive Particular em - Um caso muito especial.

Um caso muito especial. Dentro destes 20 anos de investigações, confesso que nos é muito difícil e ao mesmo tempo fascinante, desc...