quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Detetive em um Conto de Natal



Esclareço aos amigos e leitores que nossas histórias são verdadeiras, embora os nomes, datas e lugares são fictícios, sempre respeitando a confidencialidade das nossas operações fazemos questão de divulgar nosso trabalho como informação e aprendizado.
Vivíamos a entrada do verão brasileiro no ano de 2013; meados do dia 05 de dezembro, vinte dias antes do Natal; como sempre trabalhando em nosso pequeno, mas aconchegante escritório da Baker Street, bem no coração do elegante bairro paulistano do Tatuapé, devo lembrar que, como sempre, nossas investigações variadas sempre nos apresentam uma grande fonte de aprendizado, seja ele emocional ou ate mesmo financeiro, mas vamos a história:
Terça-feira, o calor batia tranquilamente os trinta graus em São Paulo, minha assistente Miriam me deixara sozinho, alegando outros afazeres, quando toca o interfone e apresenta-se uma senhora chamada Neide, e diz que busca os nossos serviços de detetive; estranhei a princípio, pois dificilmente os clientes batem a porta, sempre nos contatam por telefone ou aplicativo, mas mesmo assim pedi que subisse ao escritório.
Apresentou-se uma senhora aparentando 50 anos, vestida muito simples, que se fazia acompanhar por um garoto de uns 20 anos, chamado Fernando, claramente portador de deficiência mental, imediatamente os recebi e indiquei o lugar que se acomodassem para que nos relatassem o problema e que pudesse indicar uma solução.
-Meu nome e Neide, e este e meu filho Fernando, alias ele que me convenceu a procurar um detetive particular; meu caso e o seguinte:
Juntamente com o meu marido Ricardo, compramos para o Fernando um notebook para auxilia-lo em seu aprendizado, junto a uma instituição que nos atende, eu sou diarista e não ganho muito, meu marido trabalha como gari para a prefeitura e nem preciso lhe dizer que temos mais filhos e levamos uma vida muito dura em relação aos nossos ganhos, mas enfim juntamos a quantia de R$2.000,00 reais e compramos este computador pela internet, de uma pessoa muito simpática que nos ofereceu e explicou tudo direitinho, porem ao depositar o dinheiro em uma conta indicada, a pessoa simplesmente sumiu e não entregou o computador.
O Fernando ficou muito triste, ele hoje tem 20 anos mas a idade mental de uma criança de 10 anos e muita dificuldade de aprendizado, aprendeu a ler e inclusive ele que pesquisou o seu endereço pelo computador da instituição; gostaria de saber se você pode nos ajudar a recuperar o dinheiro ou mesmo o computador prometido, mas no caso lhe pagaremos com parte do dinheiro recuperado ; claro que fizemos um boletim de ocorrência na polícia, mas os policiais nos disseram que seria muito difícil localizar os malfeitores, por isso resolvi procurar a sua ajuda.
Ao saber os detalhes do caso, fiquei comovido com a situação desta cliente, pois o serviços de investigação particular, e um serviço caro, e sabia que se revelasse os valores cobrados normalmente, ela não poderia ou nem compensaria contratar-nos, ao mesmo tempo fiquei imaginando a sua situação, a expectativa do garoto de ter seu próprio computador em sua casa, e o seu desapontamento em relação ao malfeitores que os enganaram; contudo não poderia dizer-lhe que faria gratuitamente, pois ela poderia achar que estávamos com “pena” da sua situação; assim declarei que assumiria o caso e diante do resultado combinaríamos nossos honorários.
Após aceitar o caso e formalizar o contrato de serviço, nunca me esquecerei do brilho nos olhos do garoto, havíamos acabado de devolver a ele a esperança, e isso amigos e leitores não tem preço.
Assimilamos o “modus operanti” da quadrilha de malfeitores e nos dias que se seguiram nos dedicamos a localiza-los e pelo “anuncio de venda” do computador pela internet e conseguimos identificar os malfeitores, para este tipo de malfeitor precisaríamos ter muita cautela para faze-los se arriscarem, propor a eles um bom negocio e devo confessar que a proximidade do Natal, torna-se um aditivo para que eles se descuidassem e pudéssemos enfim identifica-los e como diria Sherlock Holmes “deitar a mão sobre eles”.
Contatamos os malfeitores e me identifiquei como “comprador” de uma conceituada instituição beneficente que criamos exclusivamente no mundo virtual (site e atitudes, tudo falso, mas que nos dariam a confiança dos malfeitores); minha assistente Miriam conduziu o processo de negociação, devo lembrar, que estes malfeitores sempre se sentem mais à vontade negociando com mulheres bonitas.
Miriam insistiu em pagar em dinheiro, pois avisamos a eles que o dinheiro doado, não poderia ser depositado, assim encomendamos 50 computadores e certamente pagaríamos na entrega; recordo e explico aos leitores que toda esta negociação estendeu-se por vários contatos e situações que deixaram os malfeitores crédulos dos valores que receberiam; assim os malfeitores insistiram em entregar a mercadoria em um estacionamento de um hipermercado aqui no bairro de Pinheiros, claramente iriam nos entregar um ou dois, e as demais caixas estariam vazias; visto que eles se prontificaram a fornecer um endereço de um deposito (checamos e descobrimos que era um endereço inexistente) caso alguns dos computadores fechados apresentassem problemas.
Tudo combinado e marcamos a entrega para o dia 18 de dezembro as 14:00; pedi a presença da equipe policial que havia registrado o boletim de ocorrência de nossa cliente, que aliás nos atenderam com muito profissionalismo e atenção, determinados a resolverem o problema do cliente.
Na hora marcada, estava em companhia do policial quando o malfeitor entrou com um pequeno caminhão no estacionamento, do hipermercado, me reconheceu por descrição e se apresentou como Jonas e seu ajudando Manoel; ao confirmarem a venda, meu acompanhante o policial Alberto se identificou como policial e em companhia de sua equipe deteve os dois malfeitores e os conduziu juntamente com carga para a delegacia.
Nem preciso dizer que, ao chegarmos a delegacia de polícia, lá já se apresentara um advogado para defender os seus clientes e desvirtuar a prisão que acabávamos de realizar.
Por fim, não nos interessa relatar os meandros policias e judiciais, apenas que os malfeitores se fizerem representar por este advogado que por intermédios dos policiais, entregou o computador a nossa cliente Neide e alegaram apenas desencontro comercial.
O garoto Fernando, ficou muito feliz ao receber o seu tão sonhado computador, que devo dizer que ate hoje nos acompanha em redes sociais, e tornou-se nosso amigo.

Inclusive Fernando nos visitou na véspera do Natal, em companhia de sua mãe, e como insistimos em não receber nossos honorários, pois alegamos que o trabalho foi policial; ele nos trouxe um Panetone, que recheado de amor e satisfação restabeleceu em nossa alma o verdadeiro espirito de Natal. – FIM 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

DETETIVE PARTICULAR INVESTIGA “BOA NOITE CINDERELA”.



DETETIVE PARTICULAR INVESTIGA “BOA NOITE CINDERELA”.
POR -  AMAURI DETETIVE BAKER STREET 11 2851-6508 

Nestes anos todos dedicados as investigações particulares, temos alguns casos que ultimamente nos tem chamado a atenção, pela sua frequência e aumento nas estatísticas policiais; acrescentamos ainda que em nossa preocupação em relata-los, contando e comentando, esperamos ajudar as pessoas a prevenirem-se contra os malfeitores e de alguma forma tornar, além de interessante, muito útil aos leitores e amigos os nossos trabalhos e contos.
Estávamos em Marco de 2017, nosso ano realmente começa aqui na capital paulista; época em que terminam as férias escolares e a rotina exaustiva da sobrevivência diária volta aos lares e ocupa a vida das pessoas.
Não é exagero afirmar que a maioria dos casos extraconjugais e desvios empresariais se iniciam ou intensificam nesta época do ano, do lado empresarial e quando são notadas as primeiras estatísticas de prevenção de perdas e ajustes financeiro e auditorias fiscais, no campo sentimental e quando os cônjuges se voltam para sua rotina e despertam-se as carências afetivas.
A história que vamos relatar, e de um cliente chamado Nelson 50 anos, que tem como profissão advogado tributarista de uma grande empresa, após 25 anos de casado, percebeu que a sua esposa Sonia 48 anos, o estava traindo.
Fomos contratados e após uma breve investigação descobrimos que a Sonia mantinha um romance com um gerente do Banco comercial que ela trabalhava; enfim nada que nosso cliente não superasse e em breves dias houve a separação consensual.
Esta transição de vida e comportamento, nem sempre e fácil para os nossos clientes, observo aos leitores e amigos que aqui começa a nossa história propriamente dita.
Relatório entregue, separação realizada, nosso cliente embora triste com as descobertas ficou muito satisfeito com o nosso trabalho e após um mês voltou a nos procurar relatando o seguinte fato:
-Seu Amauri , volto a procura-lo pois me vejo com outro grande problema e preciso dos seus serviços; a história e a seguinte:
- Como e do seu conhecimento, após a minha separação eu comprei um flat na região do Tatuapé e passei a residir sozinho, mas para quem foi casado por tantos anos, descobri que não e tão fácil ser solteiro novamente, não tenho muitos amigos, ainda mais na minha idade e senti a necessidade de conhecer festas e bares. Em uma destas festas com alguns amigos, conheci uma mulher muito linda chamada Ellen , que aparenta seus vinte e poucos anos, apresentou-se como modelo e conversamos por muitas horas, bebemos no barzinho e percebi haver passado da conta e simplesmente apaguei na mesa, meus amigos me encontraram sozinho e dormindo, me acordaram e como eu estava a passar muito mal, me levaram para casa; no dia seguinte percebi compras com meu cartão de debito e credito que somadas chegaram a 3 mil reais; nem preciso observar que por serem operações bancarias mediante o uso de senha, este foi o primeiro prejuízo; contudo a imagem de Ellen não me saia da cabeça, seria ela que junto aos malfeitores acabaram por me pilhar. Preciso saber a verdade, quero que encontre a Ellen, não para saber do que me foi roubado, mas preciso saber que ela realmente e; se teve algo haver com o roubo, ou se foi apenas uma vítima da situação; preciso esclarecer isso urgentemente.
Ao aceitarmos o caso e iniciarmos a investigação, começamos pelo mais logico, o celular do Nelson havia sido levado, mas ele estava regulado para quando tirasse fotos, armazena-las em sua conta icloude; ou seja, tivemos acesso as fotos tiradas na noite e através delas,  pudemos enfim retratar a Ellen e seus amigos.
Em posse destas informações, fomos ao barzinho onde passamos pelo menos uma semana investigando e esperando que ela retornasse, fato que se deu em uma sexta feira, bem quente e chuvosa, a observamos juntamente com outras três garotas tentaram o mesmo golpe, desta feita em um grupo de quatro rapazes, mas não obtiveram êxito, pois estes já familiarizados com a situação, negaram-se gentilmente a dividir bebidas, e mesmo quando duas delas foram a pista de dança, com dois dos rapazes pelo menos um permaneceu sem beber e de olho nas bebidas dos amigos; assim quando perceberam que seria impossível aplicarem o famigerado golpe, acabaram por irem embora. Seguimos Ellen ao seu carro e depois ao seu apartamento situado em um condomínio de classe média no bairro da Mooca em São Paulo.
Apuramos que seu verdadeiro nome era Cleide Aparecida, e era casada e vivia com o marido e duas filhas, de dia trabalhava como balconista de uma rede varejista de produtos de beleza, no mesmo bairro; não havia dúvidas do seu comportamento e relatamos ao nosso cliente, inclusive o modus operante da sua quadrilha que consistia em colocar sedativo chamado popularmente de “boa noite cinderela” nas bebidas das vítimas e delas subtraírem seus pertences e dinheiro realizando débitos em contas preparadas.
A investigação foi detalhada e entregue ao cliente Nelson, que ao saber dos detalhes resolveu ir ao local de trabalho da Ellen (ou Cleide) e conversar com ela; nosso trabalho havia acabado.
Para a nossa surpresa fomos procurados por Nelson, novamente depois de 10 dias e nos reportou que havia ido falar com ela e compreendera os motivos a levavam a cometer os delitos, disse ele que ela era casada com um marginal de nome Pablo e que ele, sendo o seu comparsa a obrigava a cometer os crimes e ficava impreterivelmente com o dinheiro arrecadado; que ele se sensibilizara com a situação de Ellen e que iniciara um romance.
Pediu que apurássemos a ficha criminal de Pablo, pois ela já frequentando seu apartamento prometeu acabar com o seu casamento e que apaixonada ficaria de vez com o Nelson.
Ao iniciarmos a investigação apuramos que Pablo, na verdade era ex-marido de Ellen, e que nem mais residia no Brasil, contudo em posse das informações contatamos o Nelson para lhe passar as informações apuradas e marcamos para um dia de segunda feira.
Na data aprazada o Nelson veio ao escritório e ao saber das nossas investigações, nos relatou a seguinte situação:
-Cai de novo – falou Nelson
-Sábado último, ela foi ao meu apartamento, eu já havia entregue a chave a autorização de entrada, chegou a noite, trouxe um bom vinho, jantamos e fizemos planos para o futuro e eu novamente simplesmente apaguei; desta vez ela sozinha levou dinheiro, celular, eletrônicos, minha coleção de relógios, joias, tvs e tudo que eu tinha e que podia ser transportado, ao acordar deparei com o apartamento vazio. Fui imediatamente a casa dela e encontrei a casa vazia; hoje pela manhã fui ao trabalho dela e ela havia se demitido há pelo menos uma semana, a escola que ela dizia que seus filhos estudavam nunca a tinham visto por lá; enfim cai novamente na mesma armadilha.
Indagamos se ele desejava que a encontrássemos novamente ou que levássemos o ocorrido a polícia; ele pediu que não e que desejava que esquecêssemos tudo e que ele havia aprendido uma grande lição.
Como dizia o grande poeta Victor Hugo “Quem poupa o lobo, sacrifica as ovelhas”.
Concluímos neste caso que muitas pessoas são o que são; invariavelmente podem mudar; contudo será sempre nossa obrigação saber, sentir e traçar o nosso destino.

FIM.... 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Detetive Baker Street em um caso chamado "Quando um homem ama uma mulher".

Detetive Baker Street em um caso chamado "Quando um homem ama uma mulher".


QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER

Mais um dia de trabalho, aqui na Baker Street, entrávamos no verão de 2015; alguns amigos sempre nos perguntam, como e ser detetive profissional, sempre digo que em minha vida nunca fiz muita coisa, foram quase quinze anos como policial, “naquela incansável luta contra o crime”, e já se vão outros dezenove com a nossa agencia de detetive particular, solucionando casos e acima de tudo aprendendo com eles, claro que muitas vezes nos surpreendemos com o seu desfecho, e nesta simples conversa procuro contar aos amigos e leitores algumas de nossas histórias, sempre repito, que os nomes e locais são preservados, mas a essência do caso e sempre real.
Estávamos em Janeiro de 2015, São Paulo, termômetros marcavam quase 35 graus, muito calor para a nossa cidade, e na Baker Street, nosso aconchegante escritório no coração do Tatuapé, vivíamos uma segunda feira, recordo-me nesta ocasião fazer-me acompanhar apenas de uma boa música, um bom jazz ecoava pelo escritório, fechando alguns relatórios para entregar aos clientes, quando como sempre, toca o telefone, do outro lado da linha um homem muito apreensivo toma a palavra:
-Bom dia, e da agencia de detetive? – Pergunta o homem aflito.
-Sim, Amauri falando posso ajudar?
-Meu nome e Rodolfo, preciso muito dos seus serviços, você poderia me atender agora, estou próximo e chego em alguns minutos – completou.
Devido a sua aparente aflição, rapidamente em questão de quarenta minutos, ou seja, as 11:00hs, Rodolfo subia as escadas que dá acesso ao escritório Baker Street.
Adentra a nossa sala um homem magro, aparentando 55 anos, pele queimada de sol, trajava roupas comuns, mãos calejadas de trabalho, muito abatido com o problema que o afligia, após as apresentações cordiais, indiquei o lugar para que se sentasse e ficasse à vontade para iniciar a narrativa de seu problema, quando tomou a palavra:
-Meu nome e Rodolfo, tenho 55 anos, sou comerciante tenho algumas mercearias e comercializo frutas frescas, meu problema e com minha esposa, ela chama-se Carla, tem 52 anos, somos casados a 33 anos, e sinto que ela está me traindo, ela sempre foi boa esposa e companheira, temos um casal de filhos, já crescidos e encaminhados, embora residam conosco, mas o fato é que ela montou um pequeno restaurante acerca de seis meses, não quis mais trabalhar comigo e de um tempo para cá, como trabalho diariamente desde muito cedo, percebo que ela desaparece durante o dia, e cheguei a observar mensagens de aplicativo de celular com o nome de homem, que ela não me mostra.
Sinto-me muito envergonhado em tratar de tal assunto, mas devo confessar que estou enlouquecendo, não penso em outra coisa, ela apesar da idade é uma mulher muito bonita e encantadora e de uns meses para cá, tem se arrumado muito, coisa que nem sempre fez durante a vida; as vezes penso em me matar e acabar com tudo, tamanha minha aflição! – Momento que espalma a mão sobre os olhos e entra em pranto compulsivo.
Nestes casos, primeiro acalmamos o cliente e explicamos que o melhor remédio é saber a verdade, a verdade liberta e faz ver a situação real, e as decisões que tomaremos de cabeça fria, sempre serão nossas, únicas e exclusivas, somente quem enfrenta o problema, com coragem e de peito aberto saberá como agir diante dele.
Resolvemos aceitar o caso e após as tratativas formais, optamos por segui-la, também com o advento da tecnologia, sugerir que ele colocasse um pequeno rastreador, e uma escuta ambiente no carro que ela utiliza, neste caso vale observar que os carros são do nosso cliente (ele possuía dois veículos e eles se revezavam na utilização).
Este tipo de trabalho, normalmente é realizado por um período de 15 dias, e sempre uma questão de inteligência e observação dos lugares que ela ia, as conversas que fazia dentro do veículo; confesso que em certos casos chegamos a flagrar o suspeito no primeiro dia, indo e estacionando em Motéis, mas esse não foi o caso.
Durante a primeira semana, observamos que diariamente ela ia ao restaurante, passava o dia todo lá, saindo apenas para compras, médicos e exames, mas estranhamente ia a um condomínio e estacionava o veículo no interior do prédio, sempre chegava, um pouco antes do almoço e saia a tarde, com o passar dos dias, cada vez mais tarde.
Destacamos uma equipe de seguimento, e em um determinado dia de sol, a flagramos adentrando ao condomínio com o carro e minutos depois tomava sol, na piscina do prédio em companhia de um homem, que identificamos posteriormente tratar-se do mesmo que lhe enviava mensagens.
Através de um drone, obtivemos imagens precisas de momentos de descontração do casal, o que não nos deixava mais dúvidas que a Carla tinha uma intensa relação extraconjugal com um homem chamado Pedro, de mesma idade, que residia no Condomínio.
Ao correlacionarmos as informações com a escuta colocada no carro, soubemos mais da relação dela com o namorado, marcavam encontros e viviam um romance.
Em posse das informações, chamamos nosso cliente Rodolfo e o colocamos a par de nossas descobertas.
Até aqui, tudo normal, como acontece em muitos outros casos, chamamos o cliente e entregamos o material de nossa investigação, ele ficou muito abatido e no dia seguinte retornou ao escritório para entregar o rastreador e a escuta e terminar o caso, contudo não foi isso que aconteceu; para a nossa surpresa ele pensou muito, e fez a seguinte revelação:
- Estou muito triste, mas diante do que me revelam, tive muito o que pensar, e se ela fez o que fez, deve ter um motivo, confesso que nestes 32 anos de casamento, no início éramos assim, apaixonados e felizes, eu trabalhei muito para ter o que temos hoje, me olhei no espelho e confesso que não gostei do que vi, tornei-me triste e amargo, descuidei muito de mim, dela, e não consegui segurar em minhas mãos o amor da minha vida, sou tão culpado quanto ela; e não vou abrir mão do amor de minha vida, vou renovar nossa investigação e vou me propor a mudar, mudar de vida.
Continuaremos monitorando as suas atividades, mas tenho certeza que vou reconquista-la; por isso não falarei nada para ninguém, farei ao contrário, e vou reconquista-la – prosseguiu Rodolfo.
A partir deste dia, prosseguimos a investigação ainda por seis meses, nosso cliente mudou seu visual, sua postura, trabalhou menos e investiu mais em si mesmo, e para nossa surpresa, cerca de cinco meses depois ela já não encontrava mais o namorado, e sua relação voltou a ser apaixonada e sincera.
Nosso cliente deixou claro, sua vontade de mudar, tomou o rumo da sua vida em suas mãos, passou acreditar mais nele e trocou ciúmes e lamentação por ação, deixou que ela, o amor de sua vida, percebesse que ele havia mudado, sem cobranças ou lamentações, como era de se esperar, e isso fez muito bem a ele que se sentiu renovado e pronto para mais este desafio que a vida lhe apresentava, arregaçou as mangas e como ele mesmo nos confidenciou mais tarde “quando entrei em seu escritório, percebia o mundo desmoronando em minha cabeça, e pela ajuda e auxilio de vocês, descobri uma dura e ingrata verdade, mas hoje posso dizer que apanhei no chão os cacos da minha vida e reconstruí o meu verdadeiro eu, hoje olho-me no espelho e voltei a me reconhecer”.  
Findo os seis meses, Rodolfo voltou ao escritório, para devolver os equipamentos, era outra pessoa, muito feliz e confiante, nos confidenciou que a partir de agora não mais desconfiava, pois eles continuavam juntos só que desta vez, não haviam mais interesses ou duvidas, estavam e continuariam juntos por amor.
Não sabemos se continuam juntos, ou o que aconteceu depois disso, mas de uma coisa não temos dúvida, essa história mostra que diante das tragédias cotidianas, todos temos escolhas que podem nos libertar, como nos tornar reféns das nossas atitudes.
Percebam os amigos e leitores, que o coração, tem suas variáveis, muitas vezes precisamos apenas saber a verdade e a verdade sempre liberta.
E assim, prosseguimos descobrindo e trabalhando.


FIM....   

domingo, 17 de setembro de 2017

Detetive Particular em caso de Namoro e Relacionamento por aplicativo !


Namoro e relacionamento por aplicativo!

Amigos e leitores, diante de um problema que nossos clientes nos questionam, quase que diariamente, resolvemos divulgar um caso real e recente, evidente que trocamos, como sempre, nomes e locais; contudo, o que nos interessa é divulgar a forma como golpistas e malfeitores agem e se aproveitam das pessoas, vamos a história:
Estávamos no mês de junho de 2017, em São Paulo o inverno chega de verdade, e exatamente em uma terça feira muito fria, trabalhando em nosso simpático e aconchegante escritório da Baker Street, confesso que acompanhávamos o noticiário da tv que além das atualidades, sempre ressaltam crimes e atitudes vis, que em muitas ocasiões nos fazem descrer da bondade humana.
Toca o telefone, uma voz feminina, aparentando muito desespero, inicia o diálogo a seguir:
-Bom dia, meu nome e Sandra, e preciso dos seus serviços, meu caso é que preciso saber do meu namorado, ele tem tido atitudes muito estranhas; estou muito preocupada, vocês poderiam me ajudar?
Diante do quadro exposto, marcamos para o mesmo dia no horário das 15 horas, como sempre fazemos através do telefone e do nome da cliente agendada, realizamos uma breve pesquisa e descobrimos que ela é solteira e tem 38 anos, possui uma empresa de tradução e revisão literária, no bairro dos Jardins aqui em São Paulo, reside em um luxuoso apartamento com seus pais.
Na hora marcada, juntamente com a minha assistente Miriam, esperávamos pela cliente, quando toca o interfone, a convidamos a subir e minha assistente a recebe e indica o lugar da consulta, observamos uma mulher loira, alta e muito bonita, contudo vestida de forma simples e despojada, cabelos desgrenhados, e olhos inchados; refletem seu estado emocional, e um estilo que demonstra preocupar-se mais da vida cultural do que com a aparência pessoal; após os cumprimentos e apresentações, ela tomou a palavra:
-Meu nome é Sandra, sou empresaria e iniciei um relacionamento com Gustavo, eu tenho 38 anos e ele 36, o conheci em um aplicativo de encontros, ele é muito bonito e solteiro, aspirava casar-se e ter filho, e como eu formar uma família.
-Fale-nos mais do Gustavo – pedi que prosseguisse.
- Bom, o Gustavo, como disse é um rapaz muito bonito e sedutor, solteiro e cuida da mãe que muito doente, seu pai faleceu e reside com a mãe e a irmã que tem sérios problemas emocionais, apresenta distúrbios psicológicos, segundo ele, esse é o motivo pelo qual ele nunca me levou a casa dele, pois me disse que precisa preparar a família para me aceitar, ele vem de um relacionamento complicado, onde a ex-noiva, levou todo o dinheiro dele em uma sociedade que praticamente deixou-o falido.
Ao ouvirmos, percebi que toda a sua aflição não era proporcional apenas a história que nos narrara, e precisávamos, antes de aceitar o caso, saber de tudo, então perguntei:
-Ah, então você suspeita que ele seja casado, quer que descubramos apenas seu estado civil e se reside com a mãe e irmã?
-Não, antes fosse somente isso, deveria tê-los contratado logo que o conheci, assim talvez conhecedora de tais informações, as minhas aflições não teriam chegado a este ponto; mas vamos aos fatos; ele quando o conheci ele me disse que estava desempregado e após a falência de seu comercio e o abandono de sua noiva, ele entrou em uma grave depressão e não conseguia arrumar um emprego. Nos conhecemos por um aplicativo de encontros chamado ALMA GEMEA, após as primeiras conversas descobrimos que tínhamos muito em comum, e após os primeiros encontros me senti totalmente entregue e apaixonada, ele um verdadeiro cavalheiro, sempre romântico, agradável e solicito, tanto que, em um primeiro momento ofereci um emprego a ele em minha Editora, mas ele imediatamente recusou-se, pois disse depois do que ele tinha passado com a ex-noiva, jamais misturaria trabalho e relacionamento novamente, o que me deixou muito confiante em suas boas intenções. Sempre que saíamos ele fazia questão de pagar a conta, e somente depois que eu insisti muito, ele concordou em dividirmos as despesas. Passadas umas três semanas do início do namoro, ele estava muito preocupado pois não arrumava emprego e suas reservas financeiras estavam acabando e logo não conseguiria sequer sustentar mais a sua casa, visto que sua mãe e sua irmã dependiam exclusivamente dele. Na época ele tinha um carro Mitsubishi Pajero que segundo ele, ele não podia dispor pois estava em nome da sua ex-noiva que já tinha requerido a sua busca e apreensão judicial, lembro de ter oferecido os serviços dos nossos advogados para auxilia-lo, o que ele negou veemente, pois segundo ele, nós não poderíamos misturar as coisas. Ele, no dia seguinte manifestou o interesse de trabalhar como motorista de veículo de aluguel por aplicativo UBER, contudo demonstrava profundo abatimento por não conseguir comprar um veículo novo, ao vê-lo desta forma, juro a vocês que não pensei duas vezes e me propus a comprar um veículo novo para que ele pudesse trabalhar novamente; e assim o fiz, eu tenho uma reserva guardada e o comprei um HB20 a vista, comprei em nome dele, pois segundo ele para exercer este trabalho o carro deveria estar em nome do motorista, ele de imediato quis assinar promissórias e confissão de dívida, pois combinamos que ele me pagaria prestações mensais; o que no calor da alegria e na promessa de compromisso, eu não insisti e que acabamos por não fazer. Após comprarmos o carro ele começou a trabalhar, começou alegar o avanço da doença da mãe e suas complicações no tratamento da irmã, nos encontrávamos todos os dias, e ele afirmando que precisava de mais dinheiro para quitar as suas dívidas, passamos a nos encontrar a cada dois dias, preocupada com a sua saúde e ritmo de trabalho, ofereci a ele mais dez mil reais, para que quitando algumas dividas ele pudesse dedicar mais tempo a nossa relação, fazem dois meses desde que fiz este último empréstimo, e ontem ele novamente alegou problemas financeiros, nesta última semana nos encontramos apenas a cada três dias. Resumindo passado quatro meses de namoro, ele nunca me levou em sua casa, ou me apresentou a família, não me pagou nenhuma das parcelas do carro, e refere-se novamente a estar sem dinheiro, motivo que o leva a trabalhar mais e espaçar nossos encontros, como se estivesse querendo que eu lhe oferecesse mais ajuda financeira. Não aceito mais esta situação, não sei o que fazer! – Desabafou deixando cair na cadeira em um pranto doido e choroso.
Imediatamente a minha assistente Miriam, a consolou oferendo o cafezinho da “paz”, enquanto pensava nas atitudes a serem sugeridas.
Sugerimos que imediatamente iniciássemos um levantamento que chamamos de dossiê pessoal do Gustavo, onde focaríamos nas suas informações pessoais, bem como financeiras e criminais; ressaltando que tudo e realizado sem deixarmos “rastros”, ou seja das informações apuradas não deixamos formas do averiguado saber que teve suas informações pesquisadas ou investigadas.
Realizadas as tratativas de contratação, iniciamos imediatamente os procedimentos.
Nos dias que se seguiram, apuramos que o Gustavo na verdade, Gustavo de Oliveira Bastos, havia desencarnado há cerca de dois anos, ou seja, em 2016 vitimado por um acidente automobilístico na capital paulista.
Quem na verdade seria Gustavo, partimos para investigar seus parentes e descobrimos que ele tinha um irmão apenas um ano mais velho que se chamava Orlando e que residia ao lado dos pais aqui na capital paulista.
Passamos a seguir e investigar a casa dos pais e do irmão do suposto Gustavo, e descobrimos que o carro adquirido pelo “Gustavo”, dormia sempre no endereço da família.
Acompanhamos o suposto Gustavo e descobrimos que ele na verdade era Orlando de Oliveira Bastos, irmão do falecido Gustavo, ele tinha 37 anos e era casado há quase 23 anos com Marilia, que juntos tinham três filhos; era formado como Administrador de Empresas e ficara desempregado, há pelo menos dois anos e desde então vivia de pequenos golpes em mulheres solteiras que conhecia através de aplicativos da internet.
Checamos seu passado criminal e constatamos que no início utilizava-se do próprio nome e foi denunciado por, pelo menos três de suas vítimas, que registraram boletins de ocorrência policial, todos versando empréstimos e extorsão emocional que resultaram em variadas quantias financeiras.
Passamos a acompanhar e checar suas entradas em sites de relacionamento amoroso, e descobrimos que, desde o início do ano o perfil criado com seu nome deixa de figurar, passando a utilizar-se apenas com o nome do seu irmão falecido.
Após estas descobertas, passamos a viver uma fase muito delicada da investigação, corríamos o risco de o malfeitor sentir-se acuado e simplesmente desaparecer com tudo que o ligasse ao finado Gustavo; e mais sua esposa Marilia saberia de tudo o que ocorre, como nossa cliente Sandra aceitaria os fatos e que providencias ela decidiria por tomar.
Ressaltamos que como detetive particular, não somos policiais, e como forca não regular não possuímos o dever de comunicar as autoridades os crimes descobertos em nossos processos de investigação, portanto relataríamos a cliente e aguardaríamos por sua decisão.
Decorridos apenas quatro dias de investigação, já em posse dos fatos acima narrados, recebemos a Sandra, desta vez acompanhada por sua mãe Regina, logo no primeiro horário em nosso escritório da Baker Street.
Após os cumprimentos cordiais, pedimos que sentasse indicando a cadeira defronte à mesa de reunião e passamos a descrever e documentar os fatos apurados.
Ao saber das nossas revelações mãe e filha trocaram olhares, sendo que Regina toma a palavra:
-Está vendo filha, bem que te disse, mamãe não se engana eu sabia que havia algo estranho com este rapaz, isso e intuição de mãe, a gente jamais se engana.
Sandra simplesmente deixou-se cair na poltrona e chorava copiosamente após as revelações, e sua mãe tomando o controle passamos a dialogar.
-Temos de prender este crápula, o que vocês sugerem para que ele devolva todo o dinheiro e pague pelo mal que ele nos fez. – Indagou Regina.
- Sugiro que armemos uma cilada para ele, que Sandra consinta em emprestar mais dinheiro e na hora que ele for receber este dinheiro pessoalmente, com o registro da ação, posteriormente chamaremos a polícia e o prenderemos por estelionato e falsidade ideológica, claro que posteriormente poderemos liga-lo aos saques e a movimentação bancaria que ele utiliza em nome do seu irmão falecido, mas desta outra forma materializamos o delito de forma pratica e rápida.
Combinamos, e Regina chamou seu marido André, para juntos apoiarmos a Sandra na obtenção das provas para que enfim a policia deitasse a mão sobre este malfeitor.
Ajeitamos tudo para a entrega do dinheiro no próximo sábado, um restaurante na região da avenida Paulista, agentes, mesas e câmeras posicionadas, contudo só não contávamos com a mais antiga das variáveis de um relacionamento amoroso, as nuances do coração.
Quando da sexta feira a tarde, somos informados pelo André que sua filha Sandra havia se despedido deles e partido em viagem para o exterior, havia decidido por deixar tudo para trás, e estavam encerrando o caso como estava, ou seja, para o nosso desapontamento o Gustavo, Orlando seja ele quem fosse continuaria aplicando golpes em corações desavisados.
Pagou-nos o restante dos honorários e encerramos a investigação.
Claro que nossos amigos e leitores devem estar pensando que poderíamos ter denunciado o falsário a polícia, mas esclareço que não, devemos sempre observar a nossa fidelidade ao compromisso assumido perante o cliente no sigilo das informações e dos segredos que nos sãos revelados.
Para nós, fica a lição de que devemos sempre saber o que fazemos e com quem estamos lidando, seja no meio pessoal ou profissional, hoje em dia com o advento da modernidade, tanto o crime, quanto a sua prevenção tem caminhado a passos largos, só que percebemos que algumas coisas nunca mudam, ou se podem determinar, “os caminhos do coração”!


FIM ...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Detetive Particular em Roubo de Cargas – Rotina que não imaginamos!



Hoje ao colhermos os periódicos do dia, chama-nos a atenção para a reportagem de capa do jornal Folha de São Paulo; a crescente onda de roubo de cargas no Estado de SP; logo percebemos a utilidade de reportar um caso que resolvemos nesta mesma época do ano, há um ano atrás.
Observo que os nomes e Empresas foram trocados, pois em nossas histórias, pretendemos tratar a maneira e os detalhes que nos levaram a solução do caso.
Estávamos em junho de 2016, o inverno apenas começava na capital paulista, fomos indicados por um diretor de uma grande rede de varejo, para que atendêssemos um Empresário da capital federal que possuía empresa de transportes, esta distribuía cargas com medicamentos a serem entregues em hospitais e secretaria estadual da saúde, aqui em São Paulo.
Confesso que o contato e o início do processo de investigação deram-se de forma pouco usual, mas vamos a ele.
Em um sábado fomos contatados por um amigo, que por vezes, como diretor de uma grande empresa de varejo, utilizou-se dos nossos serviços, informando que um amigo seu, era dono de uma transportadora e tivera um de seus carros roubados, estava com um grande problema, e ele iria passar o nosso contato para que nos procurasse logo nas primeiras horas de segunda feira.
Passaram-se cerca de 10 dias e em uma quarta-feira, estávamos no escritório quando toca o telefone era um Sr chamado João, empresário brasiliense, se apresenta e diz que e estava em São Paulo e pela indicação, já estaria a caminho do escritório para expor seus problemas, e saber se poderíamos auxilia-lo. Confesso que não gostamos de atender sem hora marcada, pois sempre realizamos consultas e pesquisas que nos facilitam, tanto no trato, quanto na resolução e planejamento do trabalho a ser realizado.
Em uma hora, já tocava o interfone e pedimos que o cliente adentrasse ao escritório, era um senhor com seus 55 anos, grisalho e muito abatido, carregava uma mochila com alguns pertences e documentos, após os cumprimentos cordiais, pedimos que se sentasse e relatasse o problema que o trazia a Baker Street:
- Meu nome e João Albuquerque, sou proprietário de algumas transportadoras em Brasília, Rio de Janeiro e Barueri-SP; ganhamos uma concorrência do governo Federal para a entrega de medicamentos especiais, são medicamentos para tratamento de câncer, são medicamentos muito caros, e deveriam ser entregues para a secretaria da saúde do estado e alguns hospitais, embora possuíssem grande valor de compra e venda, nunca nos preocupamos com a sua segurança, pois possuem uma finalidade muito especifica e são de difícil comercialização. Fato, que a cerca de doze dias, um dos meus caminhões de entrega destes medicamentos, no valor aproximado de 4 milhões de reais, foi roubado na cidade Guarulhos, acabo de vir da delegacia especializada em roubo de cargas, e após estes doze dias do ocorrido eles nada apuraram sobre o roubo, esta e a segunda ocorrência de roubo da minha filial de Barueri, nos últimos 60 dias, se bem que na outra eram outras mercadorias com um valor muito menor.
- Quantos funcionários possui a sua empresa em Barueri – indaguei.
-Possuímos um gerente de operação e cerca de doze funcionários registrados, entre administrativos, motoristas e ajudantes – esclareceu ele.
- O que exatamente espera de nós, perguntei
- Estou desesperado, preciso que realizem uma investigação e descubram se há funcionários envolvidos, se possuímos alguma chance de recuperar esta carga, esclareço que não tenho seguro do caminhão e nem da carga, se bem que o caminhão nem me preocupa, me preocupa exatamente a carga de medicamentos, pois ela não e segurada, pelo seu alto valor e o pior ainda, mesmo pagando a carga, corro o risco de perder o contrato público, que hoje mantem nossas operações, desejo ainda saber se vocês mantem contato ou podem intervir nas investigações policiais deste roubo junto a delegacia especializada – perguntou João.
- Quanto a delegacia especializada, sim conhecemos o delegado titular da pasta, posso afirmar que trabalham de forma séria e que possuem todo um tramite processual com relação as ocorrências policiais e jamais admitiriam nosso concurso na investigação, ainda mais nessa fase de início; quanto a chance de recuperar o carro ou a carga, devo lembrar que já se passaram doze dias do roubo, neste caso o tempo e nosso inimigo, agora podemos investigar para saber se seus funcionários estão envolvidos, e de repente chegarmos aos receptadores e até mesmo a valiosa carga, refazendo o local, confrontando os depoimentos e analisando os fatos e a participação de cada funcionário envolvido.
Percebemos que nosso cliente, ficou meio que inconformado, com a realidade que o fizemos compreender, contudo mesmo que sem muito acreditar em nosso trabalho, ele não tinha muitas opções e resolveu pôr nos contratar.
Findo os tramites iniciais, ele no mesmo dia, retornou a Brasília e dois dias depois marcamos com seu gerente de confiança que ele enviara de Brasília, o Sr Damião, uma reunião na transportadora em Barueri-SP.
Confesso que quando realizamos estas investigações no interior das empresas, temos de apresentar um personagem, não podemos nos apresentar como detetives particulares, encarregados de investigar delitos, neste caso em particular, me apresentei como um funcionário do consorcio particular que monitorava a entrega e o sumiço dos remédios para justificar ao governo do estado, recordo haver me vestido e inspirado no personagem do famoso detetive “Columbo” (seriado televisivo dos anos 80); expliquei que me vesti de forma relaxada, barba e cabelos desgrenhados e uma mochila velha com uma prancheta para as anotações, claro que dentro da velha mala, possuíamos um gravador de áudio e vídeo para comprovar as entrevistas e table para checar os locais e suas respectivas distancias.
Quinta feira, eram 10 horas em ponto, estava na empresa transportadora na cidade de Barueri, conheci o Sr Damião, que sabia ser o funcionário de confiança do nosso cliente e o coloquei a par de que era fundamental, que somente ele soubesse de nossa verdadeira condição, todos os outros apenas saberiam o que combinamos de contar, inclusive o gerente operacional Walter que nos acompanharia na reunião inicial.
Iniciada a reunião o Sr Walter, gerente operacional um rapaz de 24 anos moreno, bem vestido e muito falante, que providenciou cópia de todas as fichas individuais dos funcionários, bem como cópia dos boletins de ocorrência dos dois roubos sofridos, fazendo uma explanação detalhada do comportamento de cada funcionário envolvido ou não, no acontecimento e marcamos para que ele chamasse os dois funcionários envolvidos neste último roubo, para que na quinta - feira próxima, mesmo dia da semana e no mesmo horário do roubo, nos encontrássemos com um caminhão  semelhante ao roubado, e refizéssemos todo o percurso com os detalhes do roubo, assim saberíamos o que de fato ocorreu neste tão nefasto dia.
Aproveitamos os sete dias que possuíamos para investigar os envolvidos no roubo, o gerente Walter, o motorista Gumercindo e o ajudante Thiago; checamos seus antecedentes criminais que nada apontaram, obtivemos seus números de celulares e também descobrimos que o Walter além do telefone corporativo utilizava-se de uma linha pré-paga para conversas pessoais, checamos os endereços residências de cada envolvido e mapeamos seus relacionamentos e bens, até ai tudo compatível com os estilos de vida, nada que chamasse a atenção, a não ser o  Walter que ganhava 5 mil mensais, esposa não trabalhava, tinham um filho pequeno de 2 anos e um patrimônio de apartamento próprio, e veículos que somados ao imóvel, ultrapassavam os 800 mil reais, poderiam ser herança ou bons negócios, mas já era algo para se pensar; conseguimos ainda imagens de câmeras de segurança de uma empresa, nos momentos que antecederam o roubo, que nos seriam de muita importância posteriormente.
Na quinta feira marcada, pedi que o Walter e os dois funcionários me apanhassem em frente a uma estação do metrô, aleguei estar sem carro, e para minha surpresa apenas o Walter e o motorista Gumercindo compareceram. Walter alegou que o ajudante Thiago havia bebido muito na véspera e sua esposa havia ligado dizendo que ele não compareceria ao serviço por estar embriagado, sua atitude, era rotineira, tanto que ele estaria pensando em demiti-lo, assim que terminasse a apuração da ocorrência.
Fomos para um endereço onde minutos antes do roubo o caminhão investigado, havia recebido o complemento das carga roubada, o relógio batia com os horários marcados no boletim de ocorrência, ou seja as 10 horas em ponto o caminhão roubado recebera o complemento da carga, o motorista Gumercindo comunica a empresa de monitoramento e estabelece o contato, ciente de que o próximo contato seria apenas em 50 minutos depois; alegou ainda que cerca de 5 minutos depois o caminhão e abordado pelos ladrões que rendem o motorista e o ajudante e os levam para um outro local deserto, os prendem no baú do próprio caminhão e subtraem a carga descarregando em outro veículo não identificado, alguns dos ladrões saem com a carga e outros os mantem presos no baú até solta-los cerca de 1 hora e quarenta minutos depois em uma rodovia próxima.
Dentro deste período, a companhia de monitoramento quando não avisada, informou o desaparecimento do veículo, ao escritório em Barueri que acionou o gerente Walter que disse ter ido ao médico e estar coincidentemente na zona leste de São Paulo, o que o facilitou a encontrar os funcionários libertos há apenas quarenta minutos na rodovia e depois leva-los ao distrito policial e elaborar a ocorrência policial.
Em toda está reconstituição que e fotografada, filmada e analisada todos os trajetos são marcados com tempo e transito e coerência das informações; o que nos deu alguns pontos importantes a serem esclarecidos:
Gumercindo nos disse que não utiliza celular pessoal, apenas o celular que a empresa fornece, e este os ladrões roubaram, porem nos levantamentos comprovamos que tinha sim um aparelho pessoal; e omitiu tal informação tanto para nós como para a polícia ao fazer o boletim de ocorrência; disse que ficou em cativeiro com o ajudante Thiago por uma hora e meia e neste intervalo o caminhão não parou nenhuma vez, lembrando que ele foi solto a cerca de 20 minutos de onde foi preso, seria impossível os ladrões ficarem rodando por mais de uma hora e vinte minutos na mesma região que tomaram o caminhão de roubo; disse ainda que o seu ajudante Thiago tinha um celular novinho que utilizava pela primeira vez naquele dia, contudo ele levara só o aparelho, não tinha chip, pois ainda iria comprar, declarou seu roubo para a polícia com a intenção de acionar o seguro posteriormente; e assim também não tinha nenhum número para fornecer.
O gerente Walter, tomou o partido do motorista e confirmou e montou a história que ele nos contou, com certeza não levou o ajudante Thiago com receio que ele não contasse com exatidão o plano elaborado.
De nossa parte, reunimos todas as informações e deixamos os averiguados muito à vontade, fizemos algumas indagações e colhemos o material que comprovaria a participação dos averiguados no referido roubo, contudo para nós, mais importante que os ligar ao roubo, seria encontrar o receptador da carga, carga esta, que mesmo substituída em termos financeiros, faria uma enorme diferença para os doentes de câncer do sistema público de saúde que teriam de aguardar por meses ainda a sua substituição.
Em posse deste material conclusivo, nos reunimos com o nosso cliente em Brasília, e chegamos à conclusão que não poderíamos esperar as autoridades intima-los e os ligar ao roubo formalmente, pela quebra de sigilo telefônico, que sabidamente, quando realizada, os ligaria de fato ao roubo e aos receptadores. Teríamos uma única chance de pressiona-los informalmente e se eles não voltassem atrás os denunciaríamos a polícia com as informações que já possuíamos.
Precisaríamos marcar uma reunião teatral, onde os ameaçaríamos, caso a carga não fosse devolvida os levaríamos a polícia, caso a carga aparecesse esqueceríamos o ocorrido e assim fizemos.
Alugamos uma sala de reunião em um luxuoso prédio comercial na avenida Nações Unidas, aqui em São Paulo, estávamos presentes com mais 3 agentes, o dono da transportadora, Damião o seu funcionário de confiança, convidamos o Walter a trazer o motorista Gumercindo e o ajudante Thiago, com o pretexto de faze-los resolver assuntos trabalhistas a um advogado, nos reunimos as 10 horas de uma terça–feira.
Damião, juntamente com o Walter, Gumercindo e Thiago já nos aguardavam quando nos quatro acompanhados do cliente João adentramos a sala, todos de terno e gravata, ao me reconhecer Walter e Gumercindo empalideceram, após as apresentações tomei a palavra e comecei por expor os fatos, abrimos uma pasta cheia de folhas, algumas em branco e blefando disse a eles que possuíamos suas contas telefônicas, mostrei os seus números pessoais, as incoerências dos seus depoimentos, fotos das suas residências, e familiares disse que sabia que não haviam vendido a carga, pois em seus extratos bancários não registravam aportes financeiros e que agora seria a hora deles contarem toda a verdade, ou devolverem a valiosa carga, que não haveria consequências e que daríamos 48 horas a eles, ou seja na sexta feira as 11 horas da manhã o Sr João estaria conosco na delegacia especializada de roubo de carga e transmitiria aos policiais tudo o que havíamos apurado; disse ainda que eles teriam duas opções naquele instante, a primeira seria de contar toda a verdade e nos mesmos iriamos atrás da carga a partir daquele momento, ou simplesmente poderiam abrir a porta e sair e devolver a carga até as 10 horas de sexta-feira. Para a nossa surpresa sem dizer uma palavra o Walter levantou-se chamou os outros dois e os três se retiraram da sala, nem preciso dizer que não apareceram na sede da empresa nem na quarta ou quinta feira.
Na sexta feira, fomos acionados logo nas primeiras horas da manhã, com a informação que o caminhão roubado fora localizado intacto no município de Guarulhos -SP, abandonado, e o mais incrível, com toda a carga de medicamentos intacta, enviamos um agente juntamente com o Damião (que representava a vítima) para o Distrito Policial que localizou e apreendeu o veículo com a carga, para a sua liberação.
Haviam-se passado cerca de 42 dias, desde o seu roubo, os meliantes haviam acomodado o carro e a carga de forma que não se deteriorasse, durante todo este período. O agente policial que realizou o auto de entrega, sem saber das nossas atividades, ainda brincou com o Sr Damião ao entregar o carro com a carga:
- Sr Damião, em mais de 20 anos como policial, eu nunca presenciei nada parecido, o Sr tem muita, como se tivéssemos encontrado uma “mosca branca de olhos azuis”.
Em tempo real, comunicamos ao cliente em Brasília, do sucesso de nossa investigação privada, e sugerimos que marcássemos uma reunião para as providenciais junto a Polícia, e determos os funcionários envolvidos.
Esclareço que, como não somos policiais, não temos a obrigação ou dever de levar as autoridades, a suspeita do crime praticado, nosso compromisso encerra-se com o dever de relatar a verdade dos fatos ao nosso cliente.
O Sr João, por ser de Brasília, disse que primeiro precisava desenrolar seus problemas administrativos com relação a filial e aos funcionários envolvidos, contudo após recuperar a carga e restabelecer a devida entrega para o Órgão Público optou por não mais nos procurar e resolver seu problema internamente.
Possuímos muita ética e respeito em nossa relação com os nossos clientes e sempre respeitamos os seus motivos e suas decisões e assim demos por finalizada a Operação.
Com a certeza do dever cumprido, mesmo com atraso da entrega, sabemos que muitas pessoas foram beneficiadas com o nosso trabalho, assim prosseguimos na Baker Street à espera do próximo caso!


FIM.

terça-feira, 25 de julho de 2017

2 - Nem tudo é o que parece!



Mais uma tarde de trabalho na Baker Street, nosso simples, discreto e aconchegante escritório de investigações particulares bem no coração do charmoso Tatuapé em São Paulo. Vivíamos o mês de julho de 2016, alguns casos em andamento, mas este em especial traz-nos a memória um problema, que mesmo parecendo banal à primeira vista, esconde uma triste realidade que com certeza algum dia poderá bater à porta de qualquer um de nós.
Fomos contatados por um casal, ele o Fábio, sessenta e um anos, professor de economia graduado e doutorado, hoje aposentado, e a sua esposa Sonia uma bela mulher de sessenta anos advogada e aposentada do serviço público.
Marcamos uma consulta em nosso escritório, para que pudessem expor o seu problema a ser investigado, e na primeira hora de uma quarta feira iniciamos assim a consulta:
Após as apresentações, demos a palavra ao Fábio que assim narrou o seu problema:
-Temos uma filha chamada Tamara, ela tem 30 anos, é formada em Direito, advogada com registro na Ordem e tudo mais, ela tem uma filhinha, nossa neta, de dois anos, e há cerca de 6 meses terminou seu casamento de dez anos, e veio morar conosco em nosso apartamento aqui no Tatuapé, o rompimento com seu ex-marido foi muito difícil, ele é ex-presidiario e foi um antigo cliente do escritório que ela trabalhava; hoje trabalha com vendas e está muito bem de vida, exceto de caráter, pois desde o rompimento sequer visitou a filha; mas enfim, esta não é a nossa preocupação, desde que veio morar conosco, posso dizer que veio “com uma mão na frente outra atrás”; Tamara havia parado de trabalhar e desde o nascimento da filha dedicava-se exclusivamente à sua criação, até ai tudo bem. Embora aposentados possuímos financeiramente uma vida confortável e jamais cobraríamos nada de nossa filha ou deixaríamos algo faltar a nossa netinha. Depois de instalada e bem instalada em nosso apartamento Tamara colocou a filha em uma escolinha, e dedicou-se a procurar um emprego como advogada, após quatro meses procurando uma colocação, ela foi tomada por muito desanimo e embora insistíssemos em colaborar financeiramente ela nunca aceitou a nossa ajuda; e na segunda feira da semana passada, ela saiu à tarde, depois do almoço e retornou após as 18 horas, em companhia da filha e nos disse que havia arrumado um emprego em uma corretora de valores no centro da capital; ai entra o mais estranho e o que nos tem tirado o sono e a tranquilidade, ela nos deu um nome de Empresa, mas negou-se a fornecer o endereço ou telefone, dizendo que não podia receber pessoas pois seu trabalho é muito concentrado, contudo em algumas tardes leva a nossa neta para trabalhar com ela; diz que não é registrada e seus ganhos variam com seu trabalho, mas minha esposa pegou o seu celular com o aplicativo bancário e notou que ela deposita diariamente algo em torno de quinhentos reais; assim chegamos a 10 mil/mês, por mais que insistíssemos não diz onde trabalha e diante de nossas perguntas até ameaçou se mudar e levar a nossa neta.
Estamos desesperados em saber a verdade, ela realmente trabalha? O que ela faz? Porque leva a menina constantemente ao trabalho? O que está acontecendo com ela? Meus amigos são a estas perguntas que preciso que respondam, mas já adianto ela é muito esperta e astuta, não será fácil segui-la ou descobrir; eu mesmo já a segui mas ela deve ter desconfiado e ao estacionar o carro no Shopping Light desapareceu entre as pessoas.
- Sim compreendo – tomei a palavra, você sabe se ela tem amigas ou namorado?
- Amiga sim, alias a nossa sobrinha Aline é muito amiga dela, sempre saem juntas, mas ela compartilha desta nossa preocupação, aliás ela nos encorajou a procurar orientação profissional – respondeu a esposa Sonia.
-Compreendo precisamos investigar, realizaremos nossos levantamentos preliminares, mas o maior trabalho será de segui-la e registramos e descobrirmos a sua rotina, seja ela qual for.
Acordados os valores, contrato e prazos do trabalho, iniciamos a investigação com os levantamentos que chamamos preliminares, constatamos que ela advogada formada, seu ex-marido vendedor e já casado com outra mulher, ela possuía um carro médio em seu nome, uma conta bancária bem estável, passeava com a prima, ia a eventos culturais, shows, ou seja, nada que uma pessoa com seu perfil não fizesse, era uma pessoa acima de qualquer suspeita.
Na segunda feira seguinte iniciamos o seu acompanhamento, nossa averiguada Tamara é uma mulher muito bonita, estatura média, morena e cabelos compridos muito bem ajeitados e veste-se muito bem ;ela saiu sozinha do seu condomínio no seu carro as 12:00(colocamos com o consentimento do seu pai um rastreador veicular portátil no veículo); deixou sua filhinha na escola e dirigiu-se ao centro de São Paulo e estacionou no Shopping Light, saiu do carro e adentrou a shopping e andou por alguns minutos e entrou no banheiro feminino, nossos agentes por respeito a privacidade do investigado, e para não serem reconhecidos posteriormente, não adentram a banheiros, assim permaneceram na porta, passaram-se quase uma hora e acionamos nossa agente feminina que adentrou ao banheiro e nada da averiguada, algumas pessoas haviam deixado o banheiro, mas nenhuma com as suas características, assim nada mais nos restava ao não ser procurar na região e aguardarmos próximo ao veículo para acompanhar seu retorno, assim foi feito as 18:20 ela retornava ao carro e foi direto para apanhar a sua filha na escola e direto para seu apartamento.Esclarecemos que todo o trabalho de seguimento em investigação, é comum os agentes perderem de vista os averiguados, por distração ou acontecimentos, mas indagados a respeito os agentes não se conformavam de perde-la, mas assim vamos ao outro dia.
Terça feira, mesmo horário por volta do meio dia a nossa averiguada sai de casa, mas desta vez não passa na escola, vai direto ao mesmo Shopping e estaciona quase na mesma vaga, o que demonstra que segue determinada rotina em relação ao trabalho, ao descer e adentrar ao Shopping center encontra uma mulher, negra 1.60 , gordinha e vestida de maneira simples com um roupa surrada e com um aspecto de relaxo, enfim a beija e abraça cumprimentando e a menina também demonstra muita intimidade com esta moça, inclusive nossos agentes captam filmagens onde a menina chama a moça de Tia Lu; nossa averiguada deixa a filha com tia Lu e vai novamente para o banheiro, nossa equipe divide-se e concentra a operação, por minha determinação na criança e segue a tia Lu e a menina em direção a um prédio comercial, onde ambas adentram ao prédio por uma porta lateral e desaparecem em um extenso corredor, outra agente da equipe espera sozinha que a Tamara saia do banheiro, novamente saem várias pessoas e ela simplesmente desaparece.
Retornamos ao local que o carro estava estacionado e exatamente as 18:10 hs, nossa averiguada retorna em companhia da filha e novamente segue direto para a sua casa.
Vida de detetive, não é fácil, as vezes nosso trabalho é tomado de muita dúvida, nem sempre as informações se encaixam, assim pedi que a equipe retornasse ao escritório Baker Street, para passarmos a limpo os acontecimentos com as imagens e gravações antes de iniciarmos o terceiro dia de seguimento.
Recebemos os agentes em reunião e baixamos todas as filmagens e separamos todas as pessoas envolvidas, com uma boa foto buscamos nas redes sociais e descobrimos que a tia Lu, era na verdade uma diarista que trabalhava na casa da Tamara antes de ela se separar do marido. Passamos em uma tela grande todas as fotos das pessoas que entraram e saíram do banheiro do shopping depois que a averiguada entrou e nada, com certeza ela não havia saído, contudo cerca de dez minutos após nossa averiguada entrar percebemos que uma mulher com aspecto de mendigaria, deixa o banheiro ela é mais ou menos da mesma altura e vestida com trapos e roupa suja, demos um close no rosto e ficou muito parecido com a nossa averiguada, contudo as informações não eram tão precisas, mas já havíamos conseguido uma evidencia do que poderia estar acontecendo.
Quinta feira, resolvi agir diferente e a seguimos apenas pelo rastreador veicular, comprovamos a sua saída de casa e diretamente para o shopping, desta feita, coloquei a nossa agente no interior do banheiro feminino, com um uniforme de limpeza, claro que não era da empresa responsável pela limpeza, mas esperávamos que não chamasse atenção da averiguada que segue a sua rotina, colocamos também outro agente na entrada do prédio comercial para identificar a tia Lu e a menina e saber aonde elas iriam.
Nossa averiguada adentra ao banheiro, nossa agente encostada próximo a pia, percebe-a adentrando ao reservado e com uma micro câmera disfarçada capta a sua modificação ela sai do reservado como uma moradora de rua, com uma enorme mala que compunha o seu visual, sai do shopping e dirige-se para uma rua próxima, bem ao lado do prédio comercial em que havíamos perdido a tia Lu, em data anterior. Nosso outro agente ao mesmo tempo havia identificado a tia Lu com a menina que também havia trocado de roupa e encontrava a nossa averiguada em um calçadão do centro da cidade.
Elas montavam uma barraquinha e sentavam-se no chão bem em frente a um prédio público e pediam esmolas, a criança brincava inocente, inclusive a Tamara apresentava um ferimento falso de maquiagem e uma receita médica que mostravam aos funcionários que saiam do prédio público, recebendo muitas esmolas.
Estava descoberta a verdade, marcamos uma reunião com o Fabio e a Sonia para entregarmos as nossas conclusões.
Em todas as nossas operações é certo que realizamos relatórios em que discriminamos passo a passo nossas descobertas e a operação em si; teríamos de tratar com muito discernimento a entrega do relatório, pois sabíamos que a averiguada Tamara era uma pessoa geniosa que havia passado maus momentos e seria muito difícil seus pais confronta-la com a verdade descoberta.
No dia aprazado, encontramos os nossos clientes em nossa Baker Street, após os cumprimentos sentamos, e servindo, como sempre digo, o café da verdade, assim prossegui:
- Passo às suas mãos o resultado da nossa investigação, parte impressa e parte exposta em fotos e vídeos, explicados passo a passo. – Continuei, diante do exposto certo é que sua filha faz o que faz pois não está em posse de suas faculdades mentais plenas, sugerimos apoio profissional e que ao confronta-la com a verdade vocês expliquem que a apoiam, mas desejam o bem dela e da netinha, pois a verdadeira batalha começa agora, e consiste em como lidar com a verdade, quando percebemos que familiares queridos perdem o discernimento de capacidade, é meus amigos a sua luta começa agora!
Claro que ficaram chocados, mas como nossa conclusão não deixava dúvidas, após o susto inicial compreenderam e agradeceram afirmando que antes de qualquer coisa procurariam o apoio psicológico necessário.
Para nós, na Baker Street, resta-nos a verdade e como sempre, nossos amigos dizem “A verdade sempre liberta! ”

FIM.

3 - COM QUEM ESTOU ME ENVOLVENDO?



Mais um dia de trabalho na Baker Street, estávamos em 2016; envolvidos em outros casos, muitas pessoas imaginam como seria um escritório de detetives particulares, muitas pessoas quando nos contatam na verdade não sabem o que vão encontrar, as vezes pensam em um local pequeno e sujo com um detetive gordo e malvestido que ultrapassa os limites da legalidade para atingir seus objetivos, mas posso garantir que a nossa realidade é bem distinta, trabalhamos há mais de 19 anos com investigações privadas e possuímos nosso escritório pequeno, mas aconchegante onde eu e minha assistente trabalhamos diariamente, porém a nossa rede de profissionais e colaboradores especialistas que nos auxiliam direta e indiretamente hoje conta com mais de trinta pessoas; após o esclarecimento vamos à história:
Estávamos em uma terça feira de maio de 2016; e fomos contatados por um rapaz pelo aplicativo WhatsApp que após algumas indagações, fornecermos nossas referencias e ele marcou uma consulta em nosso escritório para as primeiras horas da manhã.
Na hora aprazada toca o interfone e solicitamos que o cliente que vamos chamar de Claudio suba para a consulta; ao adentrar a sala notamos um rapaz aparentando 30 anos, alto e vestido com roupa esporte e de grife, usava aliança na mão direita que indicava compromisso de noivado; indicamos seu lugar na sala que imediatamente ocupou e após as apresentações cordiais iniciamos a consulta:
-Vou começar expondo os últimos acontecimentos que geraram este terrível problema que passo a narrar; sou arquiteto e empresário do ramo da construção, estou separado de minha ex-esposa Carla, há questão de 8 meses, temos uma filha de 6 anos e nosso rompimento deu-se de maneira tranquila e consensual; a questão de seis meses reencontrei uma garota de nome Linda que trabalhou como estagiaria na empresa da minha ex-esposa, que presta serviços de Recursos Humanos a grandes empresas; conhecia Linda apenas de raros encontros e recordo de tê-la visto por poucas vezes, devo confessar que ela é uma linda mulher, com a ênfase do trocadilho, tem 27 anos e hoje é proprietária de uma loja franquiada de uma famosa marca de chocolates bem aqui no bairro do Tatuapé; onde também reside, devo confessar que estou completamente apaixonado como nunca estive, ela é uma mulher muito bonita, encantadora e há um mês atrás a pedi em casamento, contudo devo confessar que embora ela resida apenas com sua irmã gêmea, existem algumas situações que me deixam muito desconfiado e confuso com relação a este relacionamento.
-Peço que descreva algumas destas situações para que possamos entender melhor aonde quer chegar; para podermos traçar um perfil de investigação – indaguei.
-Nestes seis meses em que nos relacionamos ela nunca me apresentou a sua família e embora ela me diga que seus pais são do interior, mais precisamente da cidade de Barretos-SP, sempre apresenta alguma desculpa ou situação para que este encontro não ocorra; nem mesmo a sua irmã fomos apresentados formalmente apenas a encontrei por umas duas ou três vezes em seu apartamento quando procurei a Linda e ela não estava e fui recebido pela sua irmã Ana, que é totalmente diferente de Linda, Ana é promoter de uma boate e trabalha na noite paulistana, é muito despojada, bebe com frequência e Linda até desconfia que ela utilize drogas sintéticas, mas ai já é outro problema.
Outra coisa, nestes seis meses de relacionamento nunca passamos a noite juntos, claro que nos relacionamos e vamos a hotéis e para minha casa, contudo ela sempre se diz obrigada a retornar ao seu apartamento no final da noite, e nunca me permitiu passar a noite com ela.
- E o que ela diz, quando você a indaga a este respeito? – Disse minha assistente Miriam
-Ela sempre fala que teve um relacionamento anterior muito complicado em que seu parceiro a maltratava, inclusive a agredia física e verbalmente, e que ainda não está preparada para dormir na mesma cama comigo por enquanto; chego a pensar que ela o que ela poderia me esconder, talvez um marido ou amante? Sinceramente não sei, em sua loja eu passo lá todos os dias, converso com as funcionárias e com ela todos os dias, não sei mais o que pensar e preciso muito da ajuda de vocês! – Concluiu o Claudio deixando-se abater e recostando em sua cadeira.
Como ele dividia um plano de telefonia celular com a Linda, certamente ela saberia do seu acesso irrestrito as suas chamadas celulares, e que de certa forma nunca escondera ou restringira o acesso do Claudio ao seu aparelho tornando suas atitudes claras e sem restrições.
Optamos por sugerir um seguimento pessoal por um período de quinze dias, para apurarmos suas atitudes e locais de frequência, bem como um levantamento pessoal dela e de sua irmã que residia com ela, bem como uma visita aos seus pais para apurarmos as circunstâncias que envolveram a sua mudança e de sua irmã para a capital paulista.
Iniciamos o seguimento diário e para nossa surpresa, Linda demonstrou ser uma pessoa de rotina, saia para trabalhar todas as manhãs, frequentava academia, encontrava-se com seletas amigas; ia para a loja onde permanecia até o fim da tarde e retornava para casa, esta rotina só era quebrada quando encontrava com o Claudio, quando suspendíamos a vigilância e respeitávamos a sua intimidade.
Dentro dos levantamentos preliminares apuramos que a irmã de Linda, Ana Julia não figurava em cadastros comerciais, processos judiciais ou como proprietária de bens ou veículos, apenas exibia-se em redes sociais com muitos amigos virtuais e sempre em ambientes noturnos, fato que nos chamou muito a atenção; já a Linda possuía cadastro comercial, empresa em seu nome, veículo e contrato de aluguel com seguro fiança e tudo mais.
Enquanto nossos agentes prosseguiam no seguimento, sob nossa supervisão; fomos ao interior em um vilarejo muito próximo a cidade de Barretos/SP, para obtermos informações, e traçarmos os perfis de Linda e de sua irmã Ana Julia.
Nos hospedamos em um Hotel na região central de Barretos, e localizamos o endereço dos pais de Linda que eram Gumercindo e Ana Rosa; residiam sozinhos em um sitio na zona rural da cidade; precisávamos obter informações mais concretas do perfil das averiguadas que nos reunissem elementos para a solução do mistério.
Vigiamos o sitio e apuramos que o casal residia na casa principal e havia uma outra casa de caseiros onde moravam um casal de idade jovem com três filhos pequenos.
Dentro do nosso perfil de busca deduzimos que Barretos é a capital nacional de rodeios e geradora de vários personagens nativos que hoje brilham nos rodeios pelo mundo, então nos transfiguramos em um casal de jornalistas que buscavam histórias de personagens para um publicação editorial que seria lançada no próximo festival de rodeio; e assim nos apresentamos na escola  estadual da região a busca de informações de ex-alunos, dentre nosso foco é claro seria as fichas e perfis escolares de Linda e Ana Julia.
Ao chegarmos na escola fomos recebidos pela diretora, uma mulher de sessenta anos chamada por Silvia que declarou estar no comando da escola há pelo menos 30 anos.
Perguntamos de nomes que pesquisamos como personagens do rodeio e de histórias de sucesso, contudo inserimos as irmãs nas questões pois nos seria necessário sabermos um pouco mais de suas trajetórias escolares para traçarmos seu perfil que seria utilizado na entrevista derradeira com os seus pais.
Para nossa surpresa a diretora nos narrou que as irmãs estudaram na escola até se formarem no ensino médio; e transcrevemos o diálogo da diretora em uma informação que mudaria todo o rumo da investigação:
- As irmãs Linda e Ana Julia, sempre muito bonitas e bem cuidadas pelos seus pais, estudaram conosco por muitos anos, embora idênticas em aparência, elas eram muito diferentes em atitudes e comportamento; aliás comportamento este que culminou com a tragédia que passo a descrever. – Estávamos em Dezembro de 2006; ambas estudavam no último ano do ensino médio ; a Linda uma jovem muito estudiosa que sempre apresentava boas notas, não era muito popular, podemos dizer que era mais caseira que sua irmã Ana Julia que era muito popular e namoradeira, nesta idade já namorava serio com um jovem chamado Jonathan, cinco anos mais velho e filho de um rico fazendeiro da nossa região, a sua turma escolar faria uma viagem de formatura a uma praia nordestina, quando a um dia da tão esperada viagem ela desapareceu, sua família registrou o desaparecimento e cinco dias depois; Ana Julia foi encontrada morta à tiros e enterrada na entrada da fazenda dos pais de Jonathan; o rapaz apontado como principal suspeito nunca chegou a ser preso pois viajou ao exterior; os  pais das meninas ficaram inconformados e meses depois mandaram Linda para a capital residir com parentes. Seus pais nunca mais foram os mesmos e há quem diga que até hoje brigam na justiça a elucidação de tão terrível crime.
Em posse desta informação, fomos conversar com os pais de Linda desta feita, nos apresentamos como repórteres investigativos e conversamos com o casal que confirmou a mesma história acrescentando que desde o ocorrido Linda passou por terapia e até hoje é tratada em São Paulo; desde o ocorrido nunca mais voltou a cidade, sempre que recebe a visita dos pais eles que se deslocam até a capital; claro que durante a conversa tivemos acesso ao atestado de óbito e a exames bem como ao boletim de ocorrência e demais comprovantes que confirmavam a tão terrível história.
Em posse destas revelações, retornamos à capital paulista com muitas dúvidas ainda; Ana Julia teria morrido mesmo, neste crime em 2006? Linda haveria assumido uma dupla identidade por desvios comportamentais, ela realmente acreditava ser a irmã em determinados momentos? De que maneira contar, e provar o que estaria ocorrendo com a nossa investigada?
Retornamos em uma segunda –feira, e imediatamente chamamos o nosso cliente Claudio em nosso escritório para traçarmos uma estratégia de ação e responder as questões que nos prendiam a atenção; marcamos para o mesmo dia as 17 horas.
Na hora aprazada o recebemos em nosso escritório, assim que nos reunimos colocamos as nossas descobertas sempre amparadas pelas gravações e documentos das nossas entrevistas, de modo a não deixar dúvidas dos fatos apurados; ele reagiu com muita desconfiança, como que a não acreditar naquilo que apresentávamos, contudo nossos argumentos precisos e verdadeiros acabaram por convence-lo.
Sugerimos que o Claudio, como já haviam formalizado o noivado, pedisse a Linda uma chave do apartamento como demonstração de confiança, no que foi prontamente atendido; marcamos então para seguir a Ana Julia em seus dias de trabalhos noturnos, e simultaneamente entraríamos junto com o Claudio no apartamento da Linda para de uma vez por todas sabermos se elas eram a mesma pessoa; marcamos para a próxima sexta feira.
Neste dia, acompanhamos a Linda desde a loja até a sua entrada no seu condomínio, exatamente as 19:00 horas; quando as 22:00 horas Ana Julia saiu como sempre, chamou um carro de aluguel e deixou o condomínio pela porta principal; enquanto uma de nossas equipes acompanhava Ana Julia, em direção a casa noturna que trabalhava, no bairro de Vila Madalena, adentramos juntamente com o Claudio ao apartamento de Linda, ele entrou sozinho pela porta principal e confirmou o que suspeitávamos, não havia ninguém em casa, ou seja, seria impossível Linda haver saído senão pela personagem de Ana Julia criada em sua imaginação ; adentramos o apartamento juntamente com o Claudio e para nossa surpresa haviam dois quartos, roupas separadas e produtos de higiene pessoal e maquiagens de duas pessoas diferentes, em uma escrivaninha um diário de Ana Julia, que encerrava-se no dia do seu desaparecimento; diante do apurado agora não havia mais dúvidas Linda e Ana Julia eram a mesma pessoa; Linda não soube psicologicamente lidar com a perda de sua irmã gêmea e assumiu a sua personalidade inconscientemente, e desde que chegou a São Paulo abandonou o tratamento psiquiátrico que iniciara no interior.
Fomos embora e orientamos ao Claudio a deixar tudo como estava, e o mais difícil de tudo era não contar nada neste primeiro momento, não a confrontar ou assustá-la, procuramos juntos um médico especialista que nos aconselhou a seguinte situação:
Procuramos seus pais e Claudio se apresentou, com a nossa ajuda contamos a eles tudo que estava acontecendo, e a necessidade de amparar a Linda no tratamento efetivo a ser realizado; seus pais concordaram em virem para São Paulo e acompanharem de perto o tratamento necessário.
Quase um ano depois do ocorrido, continuamos em contato com o Claudio que eventualmente nos informa a situação de Linda, Ana Julia após o início do tratamento desligou-se de suas atividades e segundo soubemos já não aparece com frequência nas noites paulistanas.
Observamos ainda, que está história demonstrou acima de tudo respeito com a condição alheia, percebam os leitores que o Claudio, por mais que o problema se apresentasse difícil, ele soube colocar seu amor e o bem estar de sua amada acima de qualquer sentimento e soube, ou sabe ainda esperar e cuidar da reabilitação de sua amada, ou como ele mesmo nos afirma o “..ela é o amor de sua vida!”.


FIM.

Investigador Particular - UM NOVO CASO - MÍDIA SOCIAL

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