quinta-feira, 27 de julho de 2017

Detetive Particular em Roubo de Cargas – Rotina que não imaginamos!



Hoje ao colhermos os periódicos do dia, chama-nos a atenção para a reportagem de capa do jornal Folha de São Paulo; a crescente onda de roubo de cargas no Estado de SP; logo percebemos a utilidade de reportar um caso que resolvemos nesta mesma época do ano, há um ano atrás.
Observo que os nomes e Empresas foram trocados, pois em nossas histórias, pretendemos tratar a maneira e os detalhes que nos levaram a solução do caso.
Estávamos em junho de 2016, o inverno apenas começava na capital paulista, fomos indicados por um diretor de uma grande rede de varejo, para que atendêssemos um Empresário da capital federal que possuía empresa de transportes, esta distribuía cargas com medicamentos a serem entregues em hospitais e secretaria estadual da saúde, aqui em São Paulo.
Confesso que o contato e o início do processo de investigação deram-se de forma pouco usual, mas vamos a ele.
Em um sábado fomos contatados por um amigo, que por vezes, como diretor de uma grande empresa de varejo, utilizou-se dos nossos serviços, informando que um amigo seu, era dono de uma transportadora e tivera um de seus carros roubados, estava com um grande problema, e ele iria passar o nosso contato para que nos procurasse logo nas primeiras horas de segunda feira.
Passaram-se cerca de 10 dias e em uma quarta-feira, estávamos no escritório quando toca o telefone era um Sr chamado João, empresário brasiliense, se apresenta e diz que e estava em São Paulo e pela indicação, já estaria a caminho do escritório para expor seus problemas, e saber se poderíamos auxilia-lo. Confesso que não gostamos de atender sem hora marcada, pois sempre realizamos consultas e pesquisas que nos facilitam, tanto no trato, quanto na resolução e planejamento do trabalho a ser realizado.
Em uma hora, já tocava o interfone e pedimos que o cliente adentrasse ao escritório, era um senhor com seus 55 anos, grisalho e muito abatido, carregava uma mochila com alguns pertences e documentos, após os cumprimentos cordiais, pedimos que se sentasse e relatasse o problema que o trazia a Baker Street:
- Meu nome e João Albuquerque, sou proprietário de algumas transportadoras em Brasília, Rio de Janeiro e Barueri-SP; ganhamos uma concorrência do governo Federal para a entrega de medicamentos especiais, são medicamentos para tratamento de câncer, são medicamentos muito caros, e deveriam ser entregues para a secretaria da saúde do estado e alguns hospitais, embora possuíssem grande valor de compra e venda, nunca nos preocupamos com a sua segurança, pois possuem uma finalidade muito especifica e são de difícil comercialização. Fato, que a cerca de doze dias, um dos meus caminhões de entrega destes medicamentos, no valor aproximado de 4 milhões de reais, foi roubado na cidade Guarulhos, acabo de vir da delegacia especializada em roubo de cargas, e após estes doze dias do ocorrido eles nada apuraram sobre o roubo, esta e a segunda ocorrência de roubo da minha filial de Barueri, nos últimos 60 dias, se bem que na outra eram outras mercadorias com um valor muito menor.
- Quantos funcionários possui a sua empresa em Barueri – indaguei.
-Possuímos um gerente de operação e cerca de doze funcionários registrados, entre administrativos, motoristas e ajudantes – esclareceu ele.
- O que exatamente espera de nós, perguntei
- Estou desesperado, preciso que realizem uma investigação e descubram se há funcionários envolvidos, se possuímos alguma chance de recuperar esta carga, esclareço que não tenho seguro do caminhão e nem da carga, se bem que o caminhão nem me preocupa, me preocupa exatamente a carga de medicamentos, pois ela não e segurada, pelo seu alto valor e o pior ainda, mesmo pagando a carga, corro o risco de perder o contrato público, que hoje mantem nossas operações, desejo ainda saber se vocês mantem contato ou podem intervir nas investigações policiais deste roubo junto a delegacia especializada – perguntou João.
- Quanto a delegacia especializada, sim conhecemos o delegado titular da pasta, posso afirmar que trabalham de forma séria e que possuem todo um tramite processual com relação as ocorrências policiais e jamais admitiriam nosso concurso na investigação, ainda mais nessa fase de início; quanto a chance de recuperar o carro ou a carga, devo lembrar que já se passaram doze dias do roubo, neste caso o tempo e nosso inimigo, agora podemos investigar para saber se seus funcionários estão envolvidos, e de repente chegarmos aos receptadores e até mesmo a valiosa carga, refazendo o local, confrontando os depoimentos e analisando os fatos e a participação de cada funcionário envolvido.
Percebemos que nosso cliente, ficou meio que inconformado, com a realidade que o fizemos compreender, contudo mesmo que sem muito acreditar em nosso trabalho, ele não tinha muitas opções e resolveu pôr nos contratar.
Findo os tramites iniciais, ele no mesmo dia, retornou a Brasília e dois dias depois marcamos com seu gerente de confiança que ele enviara de Brasília, o Sr Damião, uma reunião na transportadora em Barueri-SP.
Confesso que quando realizamos estas investigações no interior das empresas, temos de apresentar um personagem, não podemos nos apresentar como detetives particulares, encarregados de investigar delitos, neste caso em particular, me apresentei como um funcionário do consorcio particular que monitorava a entrega e o sumiço dos remédios para justificar ao governo do estado, recordo haver me vestido e inspirado no personagem do famoso detetive “Columbo” (seriado televisivo dos anos 80); expliquei que me vesti de forma relaxada, barba e cabelos desgrenhados e uma mochila velha com uma prancheta para as anotações, claro que dentro da velha mala, possuíamos um gravador de áudio e vídeo para comprovar as entrevistas e table para checar os locais e suas respectivas distancias.
Quinta feira, eram 10 horas em ponto, estava na empresa transportadora na cidade de Barueri, conheci o Sr Damião, que sabia ser o funcionário de confiança do nosso cliente e o coloquei a par de que era fundamental, que somente ele soubesse de nossa verdadeira condição, todos os outros apenas saberiam o que combinamos de contar, inclusive o gerente operacional Walter que nos acompanharia na reunião inicial.
Iniciada a reunião o Sr Walter, gerente operacional um rapaz de 24 anos moreno, bem vestido e muito falante, que providenciou cópia de todas as fichas individuais dos funcionários, bem como cópia dos boletins de ocorrência dos dois roubos sofridos, fazendo uma explanação detalhada do comportamento de cada funcionário envolvido ou não, no acontecimento e marcamos para que ele chamasse os dois funcionários envolvidos neste último roubo, para que na quinta - feira próxima, mesmo dia da semana e no mesmo horário do roubo, nos encontrássemos com um caminhão  semelhante ao roubado, e refizéssemos todo o percurso com os detalhes do roubo, assim saberíamos o que de fato ocorreu neste tão nefasto dia.
Aproveitamos os sete dias que possuíamos para investigar os envolvidos no roubo, o gerente Walter, o motorista Gumercindo e o ajudante Thiago; checamos seus antecedentes criminais que nada apontaram, obtivemos seus números de celulares e também descobrimos que o Walter além do telefone corporativo utilizava-se de uma linha pré-paga para conversas pessoais, checamos os endereços residências de cada envolvido e mapeamos seus relacionamentos e bens, até ai tudo compatível com os estilos de vida, nada que chamasse a atenção, a não ser o  Walter que ganhava 5 mil mensais, esposa não trabalhava, tinham um filho pequeno de 2 anos e um patrimônio de apartamento próprio, e veículos que somados ao imóvel, ultrapassavam os 800 mil reais, poderiam ser herança ou bons negócios, mas já era algo para se pensar; conseguimos ainda imagens de câmeras de segurança de uma empresa, nos momentos que antecederam o roubo, que nos seriam de muita importância posteriormente.
Na quinta feira marcada, pedi que o Walter e os dois funcionários me apanhassem em frente a uma estação do metrô, aleguei estar sem carro, e para minha surpresa apenas o Walter e o motorista Gumercindo compareceram. Walter alegou que o ajudante Thiago havia bebido muito na véspera e sua esposa havia ligado dizendo que ele não compareceria ao serviço por estar embriagado, sua atitude, era rotineira, tanto que ele estaria pensando em demiti-lo, assim que terminasse a apuração da ocorrência.
Fomos para um endereço onde minutos antes do roubo o caminhão investigado, havia recebido o complemento das carga roubada, o relógio batia com os horários marcados no boletim de ocorrência, ou seja as 10 horas em ponto o caminhão roubado recebera o complemento da carga, o motorista Gumercindo comunica a empresa de monitoramento e estabelece o contato, ciente de que o próximo contato seria apenas em 50 minutos depois; alegou ainda que cerca de 5 minutos depois o caminhão e abordado pelos ladrões que rendem o motorista e o ajudante e os levam para um outro local deserto, os prendem no baú do próprio caminhão e subtraem a carga descarregando em outro veículo não identificado, alguns dos ladrões saem com a carga e outros os mantem presos no baú até solta-los cerca de 1 hora e quarenta minutos depois em uma rodovia próxima.
Dentro deste período, a companhia de monitoramento quando não avisada, informou o desaparecimento do veículo, ao escritório em Barueri que acionou o gerente Walter que disse ter ido ao médico e estar coincidentemente na zona leste de São Paulo, o que o facilitou a encontrar os funcionários libertos há apenas quarenta minutos na rodovia e depois leva-los ao distrito policial e elaborar a ocorrência policial.
Em toda está reconstituição que e fotografada, filmada e analisada todos os trajetos são marcados com tempo e transito e coerência das informações; o que nos deu alguns pontos importantes a serem esclarecidos:
Gumercindo nos disse que não utiliza celular pessoal, apenas o celular que a empresa fornece, e este os ladrões roubaram, porem nos levantamentos comprovamos que tinha sim um aparelho pessoal; e omitiu tal informação tanto para nós como para a polícia ao fazer o boletim de ocorrência; disse que ficou em cativeiro com o ajudante Thiago por uma hora e meia e neste intervalo o caminhão não parou nenhuma vez, lembrando que ele foi solto a cerca de 20 minutos de onde foi preso, seria impossível os ladrões ficarem rodando por mais de uma hora e vinte minutos na mesma região que tomaram o caminhão de roubo; disse ainda que o seu ajudante Thiago tinha um celular novinho que utilizava pela primeira vez naquele dia, contudo ele levara só o aparelho, não tinha chip, pois ainda iria comprar, declarou seu roubo para a polícia com a intenção de acionar o seguro posteriormente; e assim também não tinha nenhum número para fornecer.
O gerente Walter, tomou o partido do motorista e confirmou e montou a história que ele nos contou, com certeza não levou o ajudante Thiago com receio que ele não contasse com exatidão o plano elaborado.
De nossa parte, reunimos todas as informações e deixamos os averiguados muito à vontade, fizemos algumas indagações e colhemos o material que comprovaria a participação dos averiguados no referido roubo, contudo para nós, mais importante que os ligar ao roubo, seria encontrar o receptador da carga, carga esta, que mesmo substituída em termos financeiros, faria uma enorme diferença para os doentes de câncer do sistema público de saúde que teriam de aguardar por meses ainda a sua substituição.
Em posse deste material conclusivo, nos reunimos com o nosso cliente em Brasília, e chegamos à conclusão que não poderíamos esperar as autoridades intima-los e os ligar ao roubo formalmente, pela quebra de sigilo telefônico, que sabidamente, quando realizada, os ligaria de fato ao roubo e aos receptadores. Teríamos uma única chance de pressiona-los informalmente e se eles não voltassem atrás os denunciaríamos a polícia com as informações que já possuíamos.
Precisaríamos marcar uma reunião teatral, onde os ameaçaríamos, caso a carga não fosse devolvida os levaríamos a polícia, caso a carga aparecesse esqueceríamos o ocorrido e assim fizemos.
Alugamos uma sala de reunião em um luxuoso prédio comercial na avenida Nações Unidas, aqui em São Paulo, estávamos presentes com mais 3 agentes, o dono da transportadora, Damião o seu funcionário de confiança, convidamos o Walter a trazer o motorista Gumercindo e o ajudante Thiago, com o pretexto de faze-los resolver assuntos trabalhistas a um advogado, nos reunimos as 10 horas de uma terça–feira.
Damião, juntamente com o Walter, Gumercindo e Thiago já nos aguardavam quando nos quatro acompanhados do cliente João adentramos a sala, todos de terno e gravata, ao me reconhecer Walter e Gumercindo empalideceram, após as apresentações tomei a palavra e comecei por expor os fatos, abrimos uma pasta cheia de folhas, algumas em branco e blefando disse a eles que possuíamos suas contas telefônicas, mostrei os seus números pessoais, as incoerências dos seus depoimentos, fotos das suas residências, e familiares disse que sabia que não haviam vendido a carga, pois em seus extratos bancários não registravam aportes financeiros e que agora seria a hora deles contarem toda a verdade, ou devolverem a valiosa carga, que não haveria consequências e que daríamos 48 horas a eles, ou seja na sexta feira as 11 horas da manhã o Sr João estaria conosco na delegacia especializada de roubo de carga e transmitiria aos policiais tudo o que havíamos apurado; disse ainda que eles teriam duas opções naquele instante, a primeira seria de contar toda a verdade e nos mesmos iriamos atrás da carga a partir daquele momento, ou simplesmente poderiam abrir a porta e sair e devolver a carga até as 10 horas de sexta-feira. Para a nossa surpresa sem dizer uma palavra o Walter levantou-se chamou os outros dois e os três se retiraram da sala, nem preciso dizer que não apareceram na sede da empresa nem na quarta ou quinta feira.
Na sexta feira, fomos acionados logo nas primeiras horas da manhã, com a informação que o caminhão roubado fora localizado intacto no município de Guarulhos -SP, abandonado, e o mais incrível, com toda a carga de medicamentos intacta, enviamos um agente juntamente com o Damião (que representava a vítima) para o Distrito Policial que localizou e apreendeu o veículo com a carga, para a sua liberação.
Haviam-se passado cerca de 42 dias, desde o seu roubo, os meliantes haviam acomodado o carro e a carga de forma que não se deteriorasse, durante todo este período. O agente policial que realizou o auto de entrega, sem saber das nossas atividades, ainda brincou com o Sr Damião ao entregar o carro com a carga:
- Sr Damião, em mais de 20 anos como policial, eu nunca presenciei nada parecido, o Sr tem muita, como se tivéssemos encontrado uma “mosca branca de olhos azuis”.
Em tempo real, comunicamos ao cliente em Brasília, do sucesso de nossa investigação privada, e sugerimos que marcássemos uma reunião para as providenciais junto a Polícia, e determos os funcionários envolvidos.
Esclareço que, como não somos policiais, não temos a obrigação ou dever de levar as autoridades, a suspeita do crime praticado, nosso compromisso encerra-se com o dever de relatar a verdade dos fatos ao nosso cliente.
O Sr João, por ser de Brasília, disse que primeiro precisava desenrolar seus problemas administrativos com relação a filial e aos funcionários envolvidos, contudo após recuperar a carga e restabelecer a devida entrega para o Órgão Público optou por não mais nos procurar e resolver seu problema internamente.
Possuímos muita ética e respeito em nossa relação com os nossos clientes e sempre respeitamos os seus motivos e suas decisões e assim demos por finalizada a Operação.
Com a certeza do dever cumprido, mesmo com atraso da entrega, sabemos que muitas pessoas foram beneficiadas com o nosso trabalho, assim prosseguimos na Baker Street à espera do próximo caso!


FIM.

terça-feira, 25 de julho de 2017

2 - Nem tudo é o que parece!



Mais uma tarde de trabalho na Baker Street, nosso simples, discreto e aconchegante escritório de investigações particulares bem no coração do charmoso Tatuapé em São Paulo. Vivíamos o mês de julho de 2016, alguns casos em andamento, mas este em especial traz-nos a memória um problema, que mesmo parecendo banal à primeira vista, esconde uma triste realidade que com certeza algum dia poderá bater à porta de qualquer um de nós.
Fomos contatados por um casal, ele o Fábio, sessenta e um anos, professor de economia graduado e doutorado, hoje aposentado, e a sua esposa Sonia uma bela mulher de sessenta anos advogada e aposentada do serviço público.
Marcamos uma consulta em nosso escritório, para que pudessem expor o seu problema a ser investigado, e na primeira hora de uma quarta feira iniciamos assim a consulta:
Após as apresentações, demos a palavra ao Fábio que assim narrou o seu problema:
-Temos uma filha chamada Tamara, ela tem 30 anos, é formada em Direito, advogada com registro na Ordem e tudo mais, ela tem uma filhinha, nossa neta, de dois anos, e há cerca de 6 meses terminou seu casamento de dez anos, e veio morar conosco em nosso apartamento aqui no Tatuapé, o rompimento com seu ex-marido foi muito difícil, ele é ex-presidiario e foi um antigo cliente do escritório que ela trabalhava; hoje trabalha com vendas e está muito bem de vida, exceto de caráter, pois desde o rompimento sequer visitou a filha; mas enfim, esta não é a nossa preocupação, desde que veio morar conosco, posso dizer que veio “com uma mão na frente outra atrás”; Tamara havia parado de trabalhar e desde o nascimento da filha dedicava-se exclusivamente à sua criação, até ai tudo bem. Embora aposentados possuímos financeiramente uma vida confortável e jamais cobraríamos nada de nossa filha ou deixaríamos algo faltar a nossa netinha. Depois de instalada e bem instalada em nosso apartamento Tamara colocou a filha em uma escolinha, e dedicou-se a procurar um emprego como advogada, após quatro meses procurando uma colocação, ela foi tomada por muito desanimo e embora insistíssemos em colaborar financeiramente ela nunca aceitou a nossa ajuda; e na segunda feira da semana passada, ela saiu à tarde, depois do almoço e retornou após as 18 horas, em companhia da filha e nos disse que havia arrumado um emprego em uma corretora de valores no centro da capital; ai entra o mais estranho e o que nos tem tirado o sono e a tranquilidade, ela nos deu um nome de Empresa, mas negou-se a fornecer o endereço ou telefone, dizendo que não podia receber pessoas pois seu trabalho é muito concentrado, contudo em algumas tardes leva a nossa neta para trabalhar com ela; diz que não é registrada e seus ganhos variam com seu trabalho, mas minha esposa pegou o seu celular com o aplicativo bancário e notou que ela deposita diariamente algo em torno de quinhentos reais; assim chegamos a 10 mil/mês, por mais que insistíssemos não diz onde trabalha e diante de nossas perguntas até ameaçou se mudar e levar a nossa neta.
Estamos desesperados em saber a verdade, ela realmente trabalha? O que ela faz? Porque leva a menina constantemente ao trabalho? O que está acontecendo com ela? Meus amigos são a estas perguntas que preciso que respondam, mas já adianto ela é muito esperta e astuta, não será fácil segui-la ou descobrir; eu mesmo já a segui mas ela deve ter desconfiado e ao estacionar o carro no Shopping Light desapareceu entre as pessoas.
- Sim compreendo – tomei a palavra, você sabe se ela tem amigas ou namorado?
- Amiga sim, alias a nossa sobrinha Aline é muito amiga dela, sempre saem juntas, mas ela compartilha desta nossa preocupação, aliás ela nos encorajou a procurar orientação profissional – respondeu a esposa Sonia.
-Compreendo precisamos investigar, realizaremos nossos levantamentos preliminares, mas o maior trabalho será de segui-la e registramos e descobrirmos a sua rotina, seja ela qual for.
Acordados os valores, contrato e prazos do trabalho, iniciamos a investigação com os levantamentos que chamamos preliminares, constatamos que ela advogada formada, seu ex-marido vendedor e já casado com outra mulher, ela possuía um carro médio em seu nome, uma conta bancária bem estável, passeava com a prima, ia a eventos culturais, shows, ou seja, nada que uma pessoa com seu perfil não fizesse, era uma pessoa acima de qualquer suspeita.
Na segunda feira seguinte iniciamos o seu acompanhamento, nossa averiguada Tamara é uma mulher muito bonita, estatura média, morena e cabelos compridos muito bem ajeitados e veste-se muito bem ;ela saiu sozinha do seu condomínio no seu carro as 12:00(colocamos com o consentimento do seu pai um rastreador veicular portátil no veículo); deixou sua filhinha na escola e dirigiu-se ao centro de São Paulo e estacionou no Shopping Light, saiu do carro e adentrou a shopping e andou por alguns minutos e entrou no banheiro feminino, nossos agentes por respeito a privacidade do investigado, e para não serem reconhecidos posteriormente, não adentram a banheiros, assim permaneceram na porta, passaram-se quase uma hora e acionamos nossa agente feminina que adentrou ao banheiro e nada da averiguada, algumas pessoas haviam deixado o banheiro, mas nenhuma com as suas características, assim nada mais nos restava ao não ser procurar na região e aguardarmos próximo ao veículo para acompanhar seu retorno, assim foi feito as 18:20 ela retornava ao carro e foi direto para apanhar a sua filha na escola e direto para seu apartamento.Esclarecemos que todo o trabalho de seguimento em investigação, é comum os agentes perderem de vista os averiguados, por distração ou acontecimentos, mas indagados a respeito os agentes não se conformavam de perde-la, mas assim vamos ao outro dia.
Terça feira, mesmo horário por volta do meio dia a nossa averiguada sai de casa, mas desta vez não passa na escola, vai direto ao mesmo Shopping e estaciona quase na mesma vaga, o que demonstra que segue determinada rotina em relação ao trabalho, ao descer e adentrar ao Shopping center encontra uma mulher, negra 1.60 , gordinha e vestida de maneira simples com um roupa surrada e com um aspecto de relaxo, enfim a beija e abraça cumprimentando e a menina também demonstra muita intimidade com esta moça, inclusive nossos agentes captam filmagens onde a menina chama a moça de Tia Lu; nossa averiguada deixa a filha com tia Lu e vai novamente para o banheiro, nossa equipe divide-se e concentra a operação, por minha determinação na criança e segue a tia Lu e a menina em direção a um prédio comercial, onde ambas adentram ao prédio por uma porta lateral e desaparecem em um extenso corredor, outra agente da equipe espera sozinha que a Tamara saia do banheiro, novamente saem várias pessoas e ela simplesmente desaparece.
Retornamos ao local que o carro estava estacionado e exatamente as 18:10 hs, nossa averiguada retorna em companhia da filha e novamente segue direto para a sua casa.
Vida de detetive, não é fácil, as vezes nosso trabalho é tomado de muita dúvida, nem sempre as informações se encaixam, assim pedi que a equipe retornasse ao escritório Baker Street, para passarmos a limpo os acontecimentos com as imagens e gravações antes de iniciarmos o terceiro dia de seguimento.
Recebemos os agentes em reunião e baixamos todas as filmagens e separamos todas as pessoas envolvidas, com uma boa foto buscamos nas redes sociais e descobrimos que a tia Lu, era na verdade uma diarista que trabalhava na casa da Tamara antes de ela se separar do marido. Passamos em uma tela grande todas as fotos das pessoas que entraram e saíram do banheiro do shopping depois que a averiguada entrou e nada, com certeza ela não havia saído, contudo cerca de dez minutos após nossa averiguada entrar percebemos que uma mulher com aspecto de mendigaria, deixa o banheiro ela é mais ou menos da mesma altura e vestida com trapos e roupa suja, demos um close no rosto e ficou muito parecido com a nossa averiguada, contudo as informações não eram tão precisas, mas já havíamos conseguido uma evidencia do que poderia estar acontecendo.
Quinta feira, resolvi agir diferente e a seguimos apenas pelo rastreador veicular, comprovamos a sua saída de casa e diretamente para o shopping, desta feita, coloquei a nossa agente no interior do banheiro feminino, com um uniforme de limpeza, claro que não era da empresa responsável pela limpeza, mas esperávamos que não chamasse atenção da averiguada que segue a sua rotina, colocamos também outro agente na entrada do prédio comercial para identificar a tia Lu e a menina e saber aonde elas iriam.
Nossa averiguada adentra ao banheiro, nossa agente encostada próximo a pia, percebe-a adentrando ao reservado e com uma micro câmera disfarçada capta a sua modificação ela sai do reservado como uma moradora de rua, com uma enorme mala que compunha o seu visual, sai do shopping e dirige-se para uma rua próxima, bem ao lado do prédio comercial em que havíamos perdido a tia Lu, em data anterior. Nosso outro agente ao mesmo tempo havia identificado a tia Lu com a menina que também havia trocado de roupa e encontrava a nossa averiguada em um calçadão do centro da cidade.
Elas montavam uma barraquinha e sentavam-se no chão bem em frente a um prédio público e pediam esmolas, a criança brincava inocente, inclusive a Tamara apresentava um ferimento falso de maquiagem e uma receita médica que mostravam aos funcionários que saiam do prédio público, recebendo muitas esmolas.
Estava descoberta a verdade, marcamos uma reunião com o Fabio e a Sonia para entregarmos as nossas conclusões.
Em todas as nossas operações é certo que realizamos relatórios em que discriminamos passo a passo nossas descobertas e a operação em si; teríamos de tratar com muito discernimento a entrega do relatório, pois sabíamos que a averiguada Tamara era uma pessoa geniosa que havia passado maus momentos e seria muito difícil seus pais confronta-la com a verdade descoberta.
No dia aprazado, encontramos os nossos clientes em nossa Baker Street, após os cumprimentos sentamos, e servindo, como sempre digo, o café da verdade, assim prossegui:
- Passo às suas mãos o resultado da nossa investigação, parte impressa e parte exposta em fotos e vídeos, explicados passo a passo. – Continuei, diante do exposto certo é que sua filha faz o que faz pois não está em posse de suas faculdades mentais plenas, sugerimos apoio profissional e que ao confronta-la com a verdade vocês expliquem que a apoiam, mas desejam o bem dela e da netinha, pois a verdadeira batalha começa agora, e consiste em como lidar com a verdade, quando percebemos que familiares queridos perdem o discernimento de capacidade, é meus amigos a sua luta começa agora!
Claro que ficaram chocados, mas como nossa conclusão não deixava dúvidas, após o susto inicial compreenderam e agradeceram afirmando que antes de qualquer coisa procurariam o apoio psicológico necessário.
Para nós, na Baker Street, resta-nos a verdade e como sempre, nossos amigos dizem “A verdade sempre liberta! ”

FIM.

3 - COM QUEM ESTOU ME ENVOLVENDO?



Mais um dia de trabalho na Baker Street, estávamos em 2016; envolvidos em outros casos, muitas pessoas imaginam como seria um escritório de detetives particulares, muitas pessoas quando nos contatam na verdade não sabem o que vão encontrar, as vezes pensam em um local pequeno e sujo com um detetive gordo e malvestido que ultrapassa os limites da legalidade para atingir seus objetivos, mas posso garantir que a nossa realidade é bem distinta, trabalhamos há mais de 19 anos com investigações privadas e possuímos nosso escritório pequeno, mas aconchegante onde eu e minha assistente trabalhamos diariamente, porém a nossa rede de profissionais e colaboradores especialistas que nos auxiliam direta e indiretamente hoje conta com mais de trinta pessoas; após o esclarecimento vamos à história:
Estávamos em uma terça feira de maio de 2016; e fomos contatados por um rapaz pelo aplicativo WhatsApp que após algumas indagações, fornecermos nossas referencias e ele marcou uma consulta em nosso escritório para as primeiras horas da manhã.
Na hora aprazada toca o interfone e solicitamos que o cliente que vamos chamar de Claudio suba para a consulta; ao adentrar a sala notamos um rapaz aparentando 30 anos, alto e vestido com roupa esporte e de grife, usava aliança na mão direita que indicava compromisso de noivado; indicamos seu lugar na sala que imediatamente ocupou e após as apresentações cordiais iniciamos a consulta:
-Vou começar expondo os últimos acontecimentos que geraram este terrível problema que passo a narrar; sou arquiteto e empresário do ramo da construção, estou separado de minha ex-esposa Carla, há questão de 8 meses, temos uma filha de 6 anos e nosso rompimento deu-se de maneira tranquila e consensual; a questão de seis meses reencontrei uma garota de nome Linda que trabalhou como estagiaria na empresa da minha ex-esposa, que presta serviços de Recursos Humanos a grandes empresas; conhecia Linda apenas de raros encontros e recordo de tê-la visto por poucas vezes, devo confessar que ela é uma linda mulher, com a ênfase do trocadilho, tem 27 anos e hoje é proprietária de uma loja franquiada de uma famosa marca de chocolates bem aqui no bairro do Tatuapé; onde também reside, devo confessar que estou completamente apaixonado como nunca estive, ela é uma mulher muito bonita, encantadora e há um mês atrás a pedi em casamento, contudo devo confessar que embora ela resida apenas com sua irmã gêmea, existem algumas situações que me deixam muito desconfiado e confuso com relação a este relacionamento.
-Peço que descreva algumas destas situações para que possamos entender melhor aonde quer chegar; para podermos traçar um perfil de investigação – indaguei.
-Nestes seis meses em que nos relacionamos ela nunca me apresentou a sua família e embora ela me diga que seus pais são do interior, mais precisamente da cidade de Barretos-SP, sempre apresenta alguma desculpa ou situação para que este encontro não ocorra; nem mesmo a sua irmã fomos apresentados formalmente apenas a encontrei por umas duas ou três vezes em seu apartamento quando procurei a Linda e ela não estava e fui recebido pela sua irmã Ana, que é totalmente diferente de Linda, Ana é promoter de uma boate e trabalha na noite paulistana, é muito despojada, bebe com frequência e Linda até desconfia que ela utilize drogas sintéticas, mas ai já é outro problema.
Outra coisa, nestes seis meses de relacionamento nunca passamos a noite juntos, claro que nos relacionamos e vamos a hotéis e para minha casa, contudo ela sempre se diz obrigada a retornar ao seu apartamento no final da noite, e nunca me permitiu passar a noite com ela.
- E o que ela diz, quando você a indaga a este respeito? – Disse minha assistente Miriam
-Ela sempre fala que teve um relacionamento anterior muito complicado em que seu parceiro a maltratava, inclusive a agredia física e verbalmente, e que ainda não está preparada para dormir na mesma cama comigo por enquanto; chego a pensar que ela o que ela poderia me esconder, talvez um marido ou amante? Sinceramente não sei, em sua loja eu passo lá todos os dias, converso com as funcionárias e com ela todos os dias, não sei mais o que pensar e preciso muito da ajuda de vocês! – Concluiu o Claudio deixando-se abater e recostando em sua cadeira.
Como ele dividia um plano de telefonia celular com a Linda, certamente ela saberia do seu acesso irrestrito as suas chamadas celulares, e que de certa forma nunca escondera ou restringira o acesso do Claudio ao seu aparelho tornando suas atitudes claras e sem restrições.
Optamos por sugerir um seguimento pessoal por um período de quinze dias, para apurarmos suas atitudes e locais de frequência, bem como um levantamento pessoal dela e de sua irmã que residia com ela, bem como uma visita aos seus pais para apurarmos as circunstâncias que envolveram a sua mudança e de sua irmã para a capital paulista.
Iniciamos o seguimento diário e para nossa surpresa, Linda demonstrou ser uma pessoa de rotina, saia para trabalhar todas as manhãs, frequentava academia, encontrava-se com seletas amigas; ia para a loja onde permanecia até o fim da tarde e retornava para casa, esta rotina só era quebrada quando encontrava com o Claudio, quando suspendíamos a vigilância e respeitávamos a sua intimidade.
Dentro dos levantamentos preliminares apuramos que a irmã de Linda, Ana Julia não figurava em cadastros comerciais, processos judiciais ou como proprietária de bens ou veículos, apenas exibia-se em redes sociais com muitos amigos virtuais e sempre em ambientes noturnos, fato que nos chamou muito a atenção; já a Linda possuía cadastro comercial, empresa em seu nome, veículo e contrato de aluguel com seguro fiança e tudo mais.
Enquanto nossos agentes prosseguiam no seguimento, sob nossa supervisão; fomos ao interior em um vilarejo muito próximo a cidade de Barretos/SP, para obtermos informações, e traçarmos os perfis de Linda e de sua irmã Ana Julia.
Nos hospedamos em um Hotel na região central de Barretos, e localizamos o endereço dos pais de Linda que eram Gumercindo e Ana Rosa; residiam sozinhos em um sitio na zona rural da cidade; precisávamos obter informações mais concretas do perfil das averiguadas que nos reunissem elementos para a solução do mistério.
Vigiamos o sitio e apuramos que o casal residia na casa principal e havia uma outra casa de caseiros onde moravam um casal de idade jovem com três filhos pequenos.
Dentro do nosso perfil de busca deduzimos que Barretos é a capital nacional de rodeios e geradora de vários personagens nativos que hoje brilham nos rodeios pelo mundo, então nos transfiguramos em um casal de jornalistas que buscavam histórias de personagens para um publicação editorial que seria lançada no próximo festival de rodeio; e assim nos apresentamos na escola  estadual da região a busca de informações de ex-alunos, dentre nosso foco é claro seria as fichas e perfis escolares de Linda e Ana Julia.
Ao chegarmos na escola fomos recebidos pela diretora, uma mulher de sessenta anos chamada por Silvia que declarou estar no comando da escola há pelo menos 30 anos.
Perguntamos de nomes que pesquisamos como personagens do rodeio e de histórias de sucesso, contudo inserimos as irmãs nas questões pois nos seria necessário sabermos um pouco mais de suas trajetórias escolares para traçarmos seu perfil que seria utilizado na entrevista derradeira com os seus pais.
Para nossa surpresa a diretora nos narrou que as irmãs estudaram na escola até se formarem no ensino médio; e transcrevemos o diálogo da diretora em uma informação que mudaria todo o rumo da investigação:
- As irmãs Linda e Ana Julia, sempre muito bonitas e bem cuidadas pelos seus pais, estudaram conosco por muitos anos, embora idênticas em aparência, elas eram muito diferentes em atitudes e comportamento; aliás comportamento este que culminou com a tragédia que passo a descrever. – Estávamos em Dezembro de 2006; ambas estudavam no último ano do ensino médio ; a Linda uma jovem muito estudiosa que sempre apresentava boas notas, não era muito popular, podemos dizer que era mais caseira que sua irmã Ana Julia que era muito popular e namoradeira, nesta idade já namorava serio com um jovem chamado Jonathan, cinco anos mais velho e filho de um rico fazendeiro da nossa região, a sua turma escolar faria uma viagem de formatura a uma praia nordestina, quando a um dia da tão esperada viagem ela desapareceu, sua família registrou o desaparecimento e cinco dias depois; Ana Julia foi encontrada morta à tiros e enterrada na entrada da fazenda dos pais de Jonathan; o rapaz apontado como principal suspeito nunca chegou a ser preso pois viajou ao exterior; os  pais das meninas ficaram inconformados e meses depois mandaram Linda para a capital residir com parentes. Seus pais nunca mais foram os mesmos e há quem diga que até hoje brigam na justiça a elucidação de tão terrível crime.
Em posse desta informação, fomos conversar com os pais de Linda desta feita, nos apresentamos como repórteres investigativos e conversamos com o casal que confirmou a mesma história acrescentando que desde o ocorrido Linda passou por terapia e até hoje é tratada em São Paulo; desde o ocorrido nunca mais voltou a cidade, sempre que recebe a visita dos pais eles que se deslocam até a capital; claro que durante a conversa tivemos acesso ao atestado de óbito e a exames bem como ao boletim de ocorrência e demais comprovantes que confirmavam a tão terrível história.
Em posse destas revelações, retornamos à capital paulista com muitas dúvidas ainda; Ana Julia teria morrido mesmo, neste crime em 2006? Linda haveria assumido uma dupla identidade por desvios comportamentais, ela realmente acreditava ser a irmã em determinados momentos? De que maneira contar, e provar o que estaria ocorrendo com a nossa investigada?
Retornamos em uma segunda –feira, e imediatamente chamamos o nosso cliente Claudio em nosso escritório para traçarmos uma estratégia de ação e responder as questões que nos prendiam a atenção; marcamos para o mesmo dia as 17 horas.
Na hora aprazada o recebemos em nosso escritório, assim que nos reunimos colocamos as nossas descobertas sempre amparadas pelas gravações e documentos das nossas entrevistas, de modo a não deixar dúvidas dos fatos apurados; ele reagiu com muita desconfiança, como que a não acreditar naquilo que apresentávamos, contudo nossos argumentos precisos e verdadeiros acabaram por convence-lo.
Sugerimos que o Claudio, como já haviam formalizado o noivado, pedisse a Linda uma chave do apartamento como demonstração de confiança, no que foi prontamente atendido; marcamos então para seguir a Ana Julia em seus dias de trabalhos noturnos, e simultaneamente entraríamos junto com o Claudio no apartamento da Linda para de uma vez por todas sabermos se elas eram a mesma pessoa; marcamos para a próxima sexta feira.
Neste dia, acompanhamos a Linda desde a loja até a sua entrada no seu condomínio, exatamente as 19:00 horas; quando as 22:00 horas Ana Julia saiu como sempre, chamou um carro de aluguel e deixou o condomínio pela porta principal; enquanto uma de nossas equipes acompanhava Ana Julia, em direção a casa noturna que trabalhava, no bairro de Vila Madalena, adentramos juntamente com o Claudio ao apartamento de Linda, ele entrou sozinho pela porta principal e confirmou o que suspeitávamos, não havia ninguém em casa, ou seja, seria impossível Linda haver saído senão pela personagem de Ana Julia criada em sua imaginação ; adentramos o apartamento juntamente com o Claudio e para nossa surpresa haviam dois quartos, roupas separadas e produtos de higiene pessoal e maquiagens de duas pessoas diferentes, em uma escrivaninha um diário de Ana Julia, que encerrava-se no dia do seu desaparecimento; diante do apurado agora não havia mais dúvidas Linda e Ana Julia eram a mesma pessoa; Linda não soube psicologicamente lidar com a perda de sua irmã gêmea e assumiu a sua personalidade inconscientemente, e desde que chegou a São Paulo abandonou o tratamento psiquiátrico que iniciara no interior.
Fomos embora e orientamos ao Claudio a deixar tudo como estava, e o mais difícil de tudo era não contar nada neste primeiro momento, não a confrontar ou assustá-la, procuramos juntos um médico especialista que nos aconselhou a seguinte situação:
Procuramos seus pais e Claudio se apresentou, com a nossa ajuda contamos a eles tudo que estava acontecendo, e a necessidade de amparar a Linda no tratamento efetivo a ser realizado; seus pais concordaram em virem para São Paulo e acompanharem de perto o tratamento necessário.
Quase um ano depois do ocorrido, continuamos em contato com o Claudio que eventualmente nos informa a situação de Linda, Ana Julia após o início do tratamento desligou-se de suas atividades e segundo soubemos já não aparece com frequência nas noites paulistanas.
Observamos ainda, que está história demonstrou acima de tudo respeito com a condição alheia, percebam os leitores que o Claudio, por mais que o problema se apresentasse difícil, ele soube colocar seu amor e o bem estar de sua amada acima de qualquer sentimento e soube, ou sabe ainda esperar e cuidar da reabilitação de sua amada, ou como ele mesmo nos afirma o “..ela é o amor de sua vida!”.


FIM.

4 - HISTORIA REAL – A VIÚVA NEGRA



Nestes quase vinte anos de experiência profissional, participamos de vários casos reais, e através deste veículo gostaria de dividir com os amigos alguns destes casos, inclusive o que passo a narrar, esclarecendo que por tratar-se de casos reais os nomes dos personagens foram substituídos, pois nossa intenção é de apenas expor aos nossos amigos e leitores histórias reais que embora pareçam copiadas de obras literárias ou dramas de telenovelas acontecem diariamente em nosso cotidiano:

O CASO DA VIÚVA NEGRA.
Manhã de uma quarta-feira, mais um dia normal de serviço, acabara de chegar ao meu escritório, apuro as ocorrências cotidianas pois nesta época cuidávamos quase que exclusivamente do setor de informações e fraudes de uma grande Empresa varejista em São Paulo, o que nos tomava quase todo nosso tempo disponível de trabalho.
O rádio comunicador chama, era o diretor desta Empresa nos convocando para uma reunião urgente no escritório Central, solicitava a nossa presença imediata, pois ocorrerá um fato que ele solicitava nossos préstimos profissionais.
Cheguei ao escritório do cliente por volta das 14 horas, fazia calor pois estávamos em pleno verão de 2007, e após os cumprimentos percebi que na sala também estava um rapaz chamado Claudio que era o proprietário de uma Empresa que também prestava serviços a esta Holding.
A Empresa do Claudio, iniciou suas atividades bem pequena e com o passar de quatro ou cinco anos teve um crescimento altíssimo em seu faturamento, ou seja, friso este acontecimento, pois falo de um trabalhador simples que vivia com 20 mil reais/ano e num espaço de 4 a 5 anos passou a 250 mil/ano, contratou mão de obra e expandiu seus negócios.
Ali estava o Claudio sentado à minha frente aparentando trinta anos, gordo e barbudo, cabelos maltratados e com diversos ferimentos, inclusive usando uma tipoia no braço esquerdo.
Quando o diretor da Holding, meu amigo Antenor, um executivo habituado a fraudes e desvios, contudo sem familiaridade com crimes contra a pessoa, tomou a palavra e iniciou a apresentação do ocorrido:
-Lembra do Claudio, dono da Empresa que nos assiste em transportes, e na data de segunda-feira, ontem, sofreu um atentado a "tiros', foi alvejado com 5 tiros à queima-roupa na porta de sua casa, por um motoqueiro desconhecido e de capacete; assim nos procurou, como amigos que somos, gostaríamos que o auxiliasse na elucidação do fato, na qualidade de força não oficial, mesmo porque queremos a verdade!
Dizeres que foram completos pelo próprio Claudio:
-Quero uma completa investigação, não oficial, pois quero saber a verdade do que me ocorreu, e não quero vincula-la em nenhuma hipótese a investigação policial que segue pela Delegacia especializada de Homicídios - DHPP, ou seja, quero o compromisso que tudo o apurado seja somente a mim reportado.
Assim foi acordado e uma vez estabelecidos os honorários tudo ficou acertado com o Claudio, assim a Holding apenas fez a apresentação para aceitarmos o caso e tudo mais apurado teria somente o interesse do empresário citado.
Iniciamos já nesta quarta-feira o levantamento inicial através de redes sociais e das lojas especificas que o Empresário cotidianamente executava suas tarefas de transporte.
Pessoalmente nos concentramos em desafetos que o Claudio pudesse colecionar dentre suas atividades pessoais e profissionais, porém nada foi prontamente localizado, visto que ele era uma pessoa muito agradável e também não ostentava a posição que exercia dentro de sua Empresa.
Já com as entrevistas realizadas nas lojas, obtivemos a informação que a “esposa” do Claudio, chamada Yara (aparentava 25 anos, loira, alta olhos verdes) que exercia a função gerencial na referida Empresa, “frequentava” com assiduidade uma das lojas da rede e possuía um estreito relacionamento com um ex-gerente de loja de nome Wilson (25 anos, alto, forte), pessoa de caráter duvidoso, que por coincidência, há cerca de 2 meses, nós, depois de uma denúncia anônima, o surpreendemos em desvio de mercadorias, contudo por não haver materialidade do caso, ele foi mandado embora da Holding “sem justa causa”.
Passamos a intensificar nossas atenções para o casal Yara e Wilson, que se encontravam diariamente passando tardes em um Motel da região onde situava-se a Empresa de transportes.
Esses encontros amorosos foram registrados por filmagem e fotografias, e a partir desta informação passamos a reconstituir a “linha do tempo” em direção ao dia e hora do atentado contra a vida do nosso cliente.
Sem, contudo, dizer o motivo, pedimos que colocasse a nossa disposição os “extratos” dos telefone e comunicadores NEXTEL utilizados por seus funcionários no mês do atentado.
A partir daí, chegamos ao aparelho utilizado pela Yara, que registrava inúmeros contatos com o Wilson, inclusive no dia da tentativa de homicídio contra o Claudio, culminando com o fato de se falarem pela manhã por vários minutos, a tarde cerca de 20 minutos antes do fato e depois cerca de 30 minutos após o fato, hora que inclusive a Yara aguardava o atendimento do seu marido no interior do Pronto Socorro.
Rastreando as ligações do Wilson, na véspera do atentado pelo telefone celular chegamos a um número pré-pago e descartável que supomos ter sido utilizado pelos executores do nefasto plano.
Após a tentativa de homicídio do Claudio, o contato entre eles se rarearam e culminaram com a súbita mudança do Wilson para outro endereço que apuramos mais tarde ser no Estado de Minas Gerais.
Cerca de 20 dias após a contratação, marcamos uma reunião na sede da Holding, para que pudéssemos expor o apurado tanto ao Claudio, quanto ao Diretor que juntos haviam nos colocado a frente dessa investigação.
Na hora aprazada estávamos todos aguardando a reação do Claudio que, quando soubesse do apurado, e assim sucedeu-se:
Estávamos os três sentados na sala de reunião, olhares se entretinham na espera das informações apuradas, como reagiria o Cláudio diante dos fatos incontestáveis que estávamos prestes a expor?
Tomei a palavra e comecei a explicar e mostrar as fotografias e filmagens bem como um relatório explicativo dos extratos telefônicos que elucidavam as informações:
“A Yara teve um caso amoroso com o ex-gerente Wilson e este que na ocasião era casado, fora demitido por desvio de mercadoria, ação que já praticava há pelo menos 2 anos, após a sua demissão a sua esposa Regina sabendo da traição do marido condicionou a permanência dele na família a sua mudança de domicilio à cidade de Belo Horizonte MG, onde sua família residia e ele trabalharia na loja do seu sogro; inconformada com a sua separação iminente do Wilson a Yara arquitetou o plano de assassinar seu esposo e colocar o Wilson na gerencia da Empresa que ela dirigiria, uma vez que o Claudio era sócio majoritário da Empresa com 98% de sua propriedade e ela, além de sua esposa possuía outros 2%; além do fato de ela haver realizado um seguro de vida do Claudio no valor de R$500 mil sendo ela a única beneficiária.
Após a explicação concluí:
-Claudio, após as informações observadas concluímos que se faz necessário chamarmos a sua esposa Yara para que esclareça nossas apurações, se for de sua vontade acionaremos equipes do DHPP para levá-la a prisão juntamente com o Wilson que se encontra em Belo Horizonte MG, cujo endereço já possuímos e com certeza podemos deitar a mão sobre ele assim que quisermos.
Ele tomado de forte emoção, espalmou as mãos sobre a cabeça e após alguns segundos respirando fundo olhou para nós e disse:
-Não quero providências!!! - Não imaginam para mim o que é saber destes fatos, pois amo muito minha esposa e não sei o que fazer, preciso falar com ela a sós, aí então saberei que fazer, daremos este caso como encerrado e se precisar de mais alguma coisa lhes comunicarei agradeço o seu empenho e conto com seu sigilo profissional e seu silêncio amigo.
No mesmo instante levantou-se e saiu rapidamente da sala, eu e o Diretor apenas nos entreolhamos e respeitamos a posição do nosso amigo.
Passados oito meses do ocorrido encontrei pessoalmente a pessoa do Claudio dentro das instalações da Holding e ele estava acompanhado da sua esposa Yara, e ela prestes a dar à luz. Ao ver-me aproximou-se e fez questão de dizer que estava muito bem e havia acertado as contas com ela e tudo que ocorreu já era passado e ela em breve lhe daria um filho que seria o maior sonho de sua vida.
A vida continua, assim passados cerca de 2 anos pelos meandros de 2010, fomos convocados pela Diretoria desta Holding a fim de analisarmos e editarmos algumas imagens que constatavam a presença do Claudio na noite do dia 15 de março acompanhando a entrega de mercadorias em um dos seus depósitos, em um determinado horário.
Ao questionarmos a utilidade das referidas imagens fomos informados que elas seriam entregues a DHPP (Delegacia Especializada em Homicídios), pois havia ocorrido nesta data o homicídio do Carlos (pai do Cláudio, assassinado a noite quando saia de um bar por um motoqueiro com 5 tiros à queima-roupa) e por haver um seguro de vida no valor de R$300 mil as imagens seriam entregues a seguradora que suspeitava de fraude para o pagamento da indenização.
A partir deste acontecimento passamos, mesmo sem contrato legal a acompanhar os acontecimentos referentes ao casal Claudio e a Yara e constatamos os seguintes fatos:
Quando da expansão da empresa o Claudio, que até então era um trabalhador comum, passou a chamar atenção inclusive da família, pelo status que havia adquirido como sitio, casa na praia e uma lancha, com isso foi possível a aproximação de seu pai de nome Carlos que havia abandonado a família há mais de 20 anos e que reaproximou-se da família iniciando uma relação de amizade com a sua esposa Yara, inclusive a auxiliando na expansão financeira e no contato com Bancos, em um destes contatos, inclusive a Yara realizou um seguro de vida no valor de 300 mil reais, tendo o filho Cláudio como único beneficiário.
Cerca de um ano depois, soubemos que a Empresa do Claudio havia sido desligada da Holding, ele havia enfim, recebido judicialmente a indenização referente ao seguro do seu pai.
Alguns meses depois em um shopping center, avistei a Yara e o Claudio passeando de mãos dadas e empurrando um carrinho com um bebê e outra criança, correndo em volta, e assim concluímos que a vida continua!


Fim.

5 - Drogas – a história do dia.



Estávamos no ano de 2015, mais precisamente no mês de maio, quando em São Paulo o verão vai embora e o outono começa a dar “o ar de sua graça”; na Baker Street tudo continua seguindo, como sempre, alguns casos mais simples, outros mais complicados, o sistema de busca do Google nos enlouquecendo para publicarmos nossos serviços, enfim a vida como ela é.
Passávamos pelo dia das mães, essa data tão querida, que se de certa forma tem o poder de lembrar o Amor, também lembra a saudades e a união das famílias; enfim como sempre toca o telefone e por traz daquela linha ouve-se uma voz feminina de mãe, que relata o problema de sua filha desaparecida e que, sabendo de nossa “fama” em desvendar mistérios e encontrar pessoas; nos suplica por auxilio em encontrar a sua filha e traze-la para sua casa.
Marcamos um horário para consulta, e as 11 horas de uma terça feira, realizamos a consulta que passo a narrar:
Sobem para a sala de reunião, um casal, a mulher com seus 55 anos, alta e elegante, trajando um conjunto sóbrio, brincos e joias finas, aliança na mão esquerda, demonstrando posses e um certo requinte; já o homem com seus 35 anos, camiseta e calça jeans, tênis e sem ostentar relógio ou marca de relógio ou aliança nas mãos.
Adentram a sala e após os cumprimentos formais, indicamos que se sentassem para enfim iniciarmos a consulta; imediatamente ela tomou a palavra:
-Meu nome é Valeria, e este é meu marido Gilberto; possuo uma fábrica de doces, aqui no Tatuapé, e o que me traz a procura-los é o desaparecimento de minha filha Regina, ela tem 21 anos, e em dezembro último, após a sua formatura na faculdade simplesmente saiu de casa com uma mochila e nunca mais retornou. Procuramos inutilmente seus amigos e seu ex-namorado que alegaram nada saberem sobre o paradeiro dela.
Minha assistente Miriam, imediatamente realizou uma simples leitura do casal que se apresentava, observando que ela seria mesmo a mãe, pelos modos e a maneira de se expressar, dona da fábrica e responsável pela condução do caso, ele com certeza não seria o pai da filha desaparecida e tão pouco o responsável pela direção do grupo familiar.
- Compreendo, contudo estamos em maio e se ela desapareceu em dezembro, porque nos procura somente agora? Relataram o desaparecimento na Polícia? – Indaguei
-Sim, em dezembro mesmo fizemos um boletim de ocorrência de desaparecimento, e ligamos aos amigos e ao ex-namorado, que nos disse que ela precisava de um tempo e que em breve nos procuraria.
-Aconteceu algo que pudesse determinar que ela fugisse de casa?; naqueles dias em ela desapareceu? – Perguntei.
-Sim alguns dias antes, ela foi lá em casa com seu namorado chamado Dario e seu irmão Rodrigo, quando eles estavam saindo encontraram meu vizinho Renato que é delegado de polícia; e este os reconheceu como traficantes e usuários de drogas do bairro de Itaquera aqui em São Paulo; ele imediatamente nos comunicou; e nós a confrontamos.
Ela disse, que isso era o passado deles e que só porque eles eram mais pobres e humildes a polícia ficava no pé deles. Mesmo assim exigi que ela não mais o encontrasse; mas vocês devem conhecer jovens e sabem que ela jamais concordaria conosco né; estou desesperada e preciso muito que nos ajude! – Concluiu Valéria.
Acertadas as formalidades, como contrato e honorários passamos a investigação preliminar, para localizarmos a jovem fugitiva.
Nestes casos de pessoas que “fogem de casa”, procedemos uma investigação preliminar, onde apuramos o máximo possível de informação da família para adentrarmos a raiz do problema, que neste caso levou a jovem a sair de sua casa.
Apuramos que o homem apresentado pela cliente Valéria, não era de fato seu marido e nem pai da jovem, o verdadeiro marido, empresário e que residia no Canada, sequer sabia do desaparecimento da filha e a decisão da mãe em levar o namorado para morar com ela e a família havia causado um conflito doméstico.
Cientes do quadro que nos aguardava, iniciamos a busca pela jovem desaparecida, voltamos nossas buscas aos registros telefônicos da jovem nas datas que ela levara o namorado e seu irmão para conhecer a sua casa e assim pudemos identificar a ele e ao irmão. Apuramos que ambos possuíam extensa ficha criminal e estavam envolvidos com o tráfico de drogas aqui em São Paulo, passamos a procurar as amigas e amigos de faculdade e tivemos uma dolorosa constatação.
Nossa procurada, estaria envolvida com o uso e tráfico de drogas, pois era usuária de cocaína e drogas sintéticas há pelo menos um ano.
Descobrimos o endereço do seu namorado e o investigamos, descobrimos que ele também havia saído de casa para morar com a Regina, segundo disse ao irmão e aos pais, contudo eles ignoravam seu endereço pois cientes de sua dependência química, preferiam ficar distantes deste problema e relegavam o próprio filho por sua conta e risco.
Seguindo as pistas de Rodrigo, chegamos há uma pensão no centro de São Paulo onde Dário residia com Regina, até a dias atrás, quando então soubemos que eles visitavam sempre um local de usuários de drogas chamado de Cracolândia, e de lá não haviam retornado nas últimas 48 horas.
Em posse destas informações, chamamos a nossa cliente Valéria e a colocamos a par da real situação; cabe um esclarecimento aos leitores e amigos, que aqui em São Paulo, quando nos referimos à Cracolândia é necessário que o leitor imagine um espaço de pelo menos 50.000 metros quadrados divididos em quarteirões ocupados por pelo menos 4 mil dependentes químicos, utilizando e comercializando drogas livremente, onde a própria polícia os guarda sem contudo, poder intervir nos acontecimentos que lá ocorrem.
Chamamos a nossa cliente Valeria para vir ao nosso escritório e a colocamos a par da situação e ela pediu que resgatássemos a sua filha Regina, assim ela poderia interna-la em uma clínica de recuperação; esclareceu que largaria o namorado e mudaria inúmeras coisas em sua relação com a filha.
Olhando em seus olhos lhe disse, que precisaríamos planejar uma verdadeira operação de guerra, pois teríamos de localiza-la e atrai-la para que o socorro, assim a internação poderia ser concretizada.
A preparação, esclareço envolve mapearmos o local, conhecer, buscar agentes experientes para adentrarmos a área da Cracolândia, seguros e sem chamarmos a atenção.
Recordo-me muito bem, nesta data, solicitei um agente chamado Atila para nos auxiliar neste trabalho, meu amigo é um policial militar aposentado, com muita experiencia em sua carreira policial, que inclusive compunha a equipe do batalhão de choque da Polícia Militar quando do famoso episódio do Carandiru em São Paulo, mas isso já é outra história; chamei-o ao nosso escritório e narrei a situação e traçamos uma linha de ação que seguiríamos a partir deste momento.
Na manhã seguinte, uma quarta feira de sol em São Paulo, nos encontramos as 08 horas da manhã e nos disfarçamos de indigentes com roupas sujas e rasgadas, seria apenas eu e meu agente a tratar com pessoas doentes e na maioria das vezes invisíveis, em um local sujo e incerto que estávamos prestes a conhecer; recordo-me neste dia, utilizar uma tala de madeira na perna para caracterizar uma perna manca, que não chamaria a atenção e seria útil caso ocorresse algum entrevero, também serviria de arma branca.
Caracterizados, eu e Atila, embarcamos em nosso carro, Miriam, minha assistente, elogiou nosso disfarce mas criticou o cheiro, indagamos se ela conhecia algum “mendigo” cheiroso; brincadeiras à parte nos deslocamos para o centro da cidade e descemos há alguns quarteirões do destino final.
Sem telefone celular ou algum outro meio de comunicação, possuíamos apenas a segurança um do outro, adentramos assim a chamada Cracolandia, a cena aos nossos olhos era dantesca, eram centenas de pessoas emaranhadas em montes de lixo e barracas improvisadas no meio da rua, onde comercializavam drogas de todo o tipo, com traficantes exibindo armas, homens, mulheres e até mesmo crianças, muitos consumiam o crack em cachimbos improvisados e deitavam pelos cantos das ruas, construções como galpões e hotéis abandonados eram tomados como endereço fixo do tráfico humano e de drogas, ofereciam aparelhos celulares roubados, bem como outras tantas mercadorias pelo meio da rua.
Havíamos mapeado as ruas da região, e seguindo as orientações do Rogério fomos a um estacionamento onde mulheres jovens prostituíam-se em troca de drogas ou de qualquer trocado que lhes adiantassem o maldito consumo; eram pelo menos 10 a 15 mulheres, algumas meninas ainda, todas com roupas minúsculas que se ofereciam ou eram oferecidas aos que lá entravam, sob o olhar atento de um homem negro e jovem que usava boné e óculos escuros e ostentava uma pistola na cintura. O sol brilhava forte e o calor de maio tornava aquele ambiente quente e sufocante, cheiro muito forte e desagradável tomava o ambiente, passamos a tentar identificar Regina, a avistamos em um canto, deitada, ainda sob o efeito da droga, contudo tinha um copo de café nas mãos, o que nos apresentava um bom sinal, que pelo menos ali, naquele momento ela estava disposta e poderíamos conversar com ela e atrai-la para fora daquele estacionamento. Precisávamos agir rápido, pois se ela saísse dali, dificilmente a encontraríamos novamente, de imediato imaginei um plano e chamei o Atila e combinamos:
-É o seguinte, eu vou provocar um tumulto, uma briga acerca de uns vinte metros de onde ela está, (esclareço que eu era o mais indicado para iniciar o tumulto, pois sou baixinho e sempre nos tumultos profissionais sou o primeiro a ser agredido; já o Atila é alto e forte se começasse uma briga alguns nem entrariam ou simplesmente iriam embora); enquanto isso ele iria até a Regina e a convidaria a sair dali e fazer um programa em um Hotel fora do centro, com banho e almoço, aceitaria pagar o preço que ela exigisse, dizendo-se encantado por ela; nos separaríamos e os encontraria dentro de duas horas no referido hotel, ao chegar no hotel ele ligaria para o escritório e imediatamente chamaríamos a família para nos encontrar no hotel. – Conclui. Atila ouviu atento as instruções e concordou plenamente pois sabia que não teríamos outra oportunidade.
Combinada a ação, nos separamos e fui até uma banquinha que vendia pedras e crack, com uma balança, coloquei a mão em frente aos meus olhos segurei meus cabelos e comecei a gritar que queria comprar crack, peguei alguns trocados que carregava no bolso e joguei sobre o vendedor praguejando e ofendendo, gritava palavras de ordem e incitava a anarquia, por alguns segundos todos ficaram me olhando, com dó e sem me agredir, como não produzia o efeito desejado chutei a mesinha e atirei o dinheiro, assim fui agarrado e contido, levei alguns socos e fui atirado para fora daquele estacionamento, a ação durou poucos minutos, que foram suficientes para o Atila conversar com a Regina.
Sai de lá e fui em direção a Estação da Luz, liguei para minha assistente e contei o planejado, peguei um taxi e retornei a Baker Street, quando cheguei o Atila havia acabado de ligar dando o endereço do Hotel que ficava na região da Praça da República; Miriam havia acionado a família da moça que imediatamente chamou um médico especialista em dependência química e que nos encontraria no Hotel dentro de uma hora.
Atila é um agente com formação policial e psicológica, levou Regina para o hotel e no caminho disse que ela lembrava muito a sua filha que havia falecido, que pagaria apenas pela sua companhia, disse que almoçariam lá, e a pagaria o dobro do combinado, o que deixou Regina mais tranquila e relaxada, conversaram muito e lógico que tudo que ele contou era apenas o que ela queria ouvir, a sua missão neste momento era deixa-la tranquila para o reencontro com a família e o médico especialista.
As quinze horas, chegamos todos ao hotel, nos apresentamos na recepção e pagamos ao atendente para nos auxiliar na privacidade que o momento exigia, não sem antes recorda-lo que se não colaborasse chamaríamos a polícia e faríamos um grande escândalo que prejudicaria muito o seu estabelecimento.
Subimos e batemos a porta, Atila atendeu e entramos, eu, a cliente e o médico responsável, ao perceber a nossa presença ela manteve-se calma, explicamos a ela nosso trabalho de acha-la e que ela teria de conversar a sós com a mãe e o médico, que nos retiraríamos e os aguardaríamos na recepção do Hotel.
Assim procedemos, mesmo porque neste momento a nossa missão de localizar Regina já estava cumprida. Para nossa alegria e satisfação a garota compreendeu o esforço da mãe e internou-se voluntariamente na clínica.
Quanto a nós, retornamos a Baker Street, não sem antes um bom banho e vários curativos, mas com o coração bem lavado; em nossa mente ainda permanece a miséria das imagens vistas, da dimensão da tragédia humana que se instalou naquele pedaço desta nossa grande cidade, face esta praga que se tornou a proliferação livre das drogas.
Nossa torcida para que o poder público um dia resolva a esta questão, e até lá permanecemos não apenas encontrando pessoas, mas as auxiliando a traçar o seu futuro.

FIM.

6 - UM CASO DE TRAIÇÃO!



Estávamos no ano de 2014, o mês de Março apenas iniciava-se aqui em São Paulo, no pequeno mas aconchegante escritório da Baker Street; acertávamos alguns procedimentos de operações em andamento eu e minha assistente Miriam, devo confessar que encontrava-me meio distante pois em minha formação policial sempre o crime e suas características é o que mais me fascinam nesta profissão, que abraçamos há mais de vinte anos, não que o nosso empenho em outros casos seja menor, pois tratamos todos nossos casos como os mais importantes, sempre cientes que é através de nossas mãos e conclusões que transformamos a vidas das pessoas e melhoramos o mundo.
Vamos ao caso, como sempre toca o telefone:
- Detetive Baker Street, bom dia posso ajudar?
- Bom Dia, meu nome é Claudia sou advogada e proprietária de um grande escritório jurídico aqui em São Paulo, sua agencia nos foi indicada pelo diretor de uma grande Empresa que é nosso cliente, contudo prefiro omiti-lo nesta indicação, enfim preciso urgentemente de seus serviços gostaria de marcar uma reunião com urgência!
Assim foi feito marcamos uma reunião em nosso escritório para a mesma tarde.
Como sempre que possível; através do primeiro contato realizamos um levantamento do cliente que nos procura, para sabermos um pouco mais de sua Empresa e estarmos prontos para no primeiro contato. Observamos que nossa cliente era advogada e proprietária de um grande escritório jurídico especializado em consultoria empresarial, tinha 53 anos era casada com um médico, tinha filhos e residia próximo a sede de seu escritório na zona sul de São Paulo.
Na hora marcada, toca o interfone e adentram a nosso escritório um casal, composto de uma mulher alta morena com os seus 50 e poucos anos, bem trajada de maneira sóbria, demonstrando muita elegância e um rapaz com seus 30 e poucos anos trajando um terno escuro e óculos.
Ela apresenta-se como a Claudia, proprietária do escritório jurídico e ele como Armando, seu diretor de confiança, nos acomodamos em torno da mesa de reunião e fomos ao assunto:
- Possuo um escritório jurídico aqui em São Paulo, sem modéstia posso dizer que somos muito bem conceituados em âmbito nacional, há questão de dois anos atrás contratei um advogado de nome Francisco que iniciou seus serviços em nosso escritório como advogado júnior, rapidamente demonstrou-se muito eficiente e em questão de um ano já o tínhamos em destacada posição de diretor; o fato é que neste último ano perdemos inúmeros clientes, para termos ideia do que nos preocupa, tivemos uma "quebra" de mais de vinte contratos o que nos contabiliza um prejuízo na casa de 30 milhões de reais por ano, meu assistente o Dr Armando iniciou algumas pesquisas e investigações por conta própria que nos levam a indícios que o Dr Francisco esteja desviando estes clientes para um outro escritório onde ele tenha participação efetiva nestes contratos.
-Como o Sr chegou a esta suspeita? – Indaguei ao Dr Armando.
- Na verdade trata-se apenas de comentários no escritório, assistentes nos reportam que o Dr Francisco, nestes últimos meses elevou em muito, o seu patrimônio, trocou de carro e tem buscado adquirir imóveis de padrão muito superior aos seus rendimentos em nosso escritório. – Concluiu o Dr Armando.
- Exatamente isso que preciso dos Srs, que descubram o que o Dr Francisco está fazendo e se tem a ver com a perda de clientes do nosso escritório. – Concluiu a Dra Cláudia.
Através de nossa experiência aprendemos que todas as informações devem ser analisadas, em um caso como este, nem sempre a verdade é a que nos é apresentada no momento da consulta.
Assim globalizamos o “caso”; teríamos de iniciar não só investigando o Dr Francisco, mas todo o contexto do escritório da nossa cliente, para isso, haveríamos de conversar e expor nossas ideias sem a presença de outros que não a nossa cliente Dra Claudia.
Concordamos a princípio com o que solicitava nossa cliente, traçando uma estratégia cujo personagem principal seria o Dr Francisco, programamos os custos e efetivamos o contrato, porém já sabíamos que somente a Dra Claudia poderia acompanhar o transcorrer da investigação, pelo quadro apresentado outras pessoas poderiam estar envolvidas na investigação que apenas iniciávamos, assim percebemos a necessidade de estreitar nossos laços, tarefa que imediatamente dediquei à minha assistente Miriam, pois como sempre, teríamos que aprofundar nossas investigações.
Após as primeiras analises, concluímos que haveria a necessidade de infiltrarmos uma agente no dia a dia do escritório, que trabalhasse como assistente e compreendesse os fatos que se passavam no dia a dia do escritório, assim em conversa privada, minha assistente conseguiu a autorização e o perfil da agente a ser infiltrada, deveria ser uma mulher de até 20 anos, cursando faculdade de direito e seria inclusa em uma vaga de estagiária.
Observamos que ao todo trabalhavam na Empresa quatro advogados, sendo duas mulheres e dois homens, oito estagiários, sendo seis mulheres e dois homens e passamos a breve seleção da pessoa a ser contratada para o referido trabalho.
Selecionamos uma agente de nome Maria, estudante de direito e cursando o terceiro semestre, uma mulher de 20 anos, muito bonita e que com certeza chamaria a atenção dos advogados.
Iniciado o processo seletivo comum, nossa agente foi aprovada e iniciou seus trabalhos no Escritório.
Quando realizamos um trabalho com este perfil, sempre tomamos muito cuidado na seleção e orientação, pois em nosso ramo a infiltração, sem os devidos cuidados e cautelas podem tornar-se a diferença entre o sucesso e o fracasso absoluto.
Apenas a Dra Claudia, estava ciente dos procedimentos que adotamos, pois para o Dr Armando a investigação seria mais superficial e para ele, expusemos outro perfil.
Nossa agente Maria, iniciou os trabalhos e dentre os murmurinhos do dia a dia, passaram-se pelo menos 45 dias, entre o início e a data dos acontecimentos que transcrevo a seguir.
Neste período separamos e investigamos a cada funcionário do escritório, Maria abastecia-nos de informações e perfis de cada um, a princípio descobrimos que Marta a esposa do Dr Francisco era recepcionista em um outro escritório jurídico, este de pequeno porte onde trabalhavam apenas um casal de advogados genéricos, ou seja, cuidavam de várias especializações.
No início as nossas suspeitas recaíram no Dr Francisco, era muito obvio que ele estaria passando informações internas para a esposa Marta que abasteceria o escritório onde trabalhava, e obteria vantagens quando da migração dos referidos clientes que buscavam vantagens e honorários mais baixos; contudo o perfil do Dr Francisco não combinava com o que apuramos, realmente ele havia elevado seu padrão social, contudo ainda era plenamente condizente com seus ganhos e retiradas do escritório, e sua esposa Marta trabalhava meio período e contentava-se com um salário condizente com a sua função.
Já o Dr Armando, este durante o período investigado, apresentava um perfil completamente diferente do que a Dra Claudia conhecia, ele era mulherengo, inclusive chegou a assediar nossa agente, que a mesmo mantendo o perfil infiltrada gravou certas situações que nos auxiliaram ao compor o seu perfil; descobrimos também que ele gastava muito dinheiro em jogos e drogas, possuía um casamento de cinco anos com uma jovem publicitária.
Marcamos uma reunião e apresentamos nossas suspeitas e a necessidade de estabelecer vigilância intensa no Dr Armando, pois precisávamos saber qual a ligação dele com a Marta ou ao casal de advogados do escritório concorrente.
Durante a reunião a Dra Claudia ficou muito impressionada, se a nossa informação não estivesse bem comprovada dificilmente ela acreditaria, uma vez que Dr Armando, pudemos constatar, inclusive apresentava um perfil de psicopata, pois ao mesmo tempo que era uma pessoa muito agradável, era capaz de apresentar irritação excessiva e até mesmo descontrole violento.
Assim iniciamos um acompanhamento pessoal diário, e não foi difícil perceber logo no primeiro dia que ele saia do escritório e era apanhado pela Marta (esposa do Dr Francisco) na esquina do escritório concorrente e iam a restaurantes e motéis, a deixando-o sempre por volta das 19 horas em um estacionamento onde ele guardava o carro.
Em posse destas informações, agora precisávamos saber se a Marta recebia as informações do Dr Armando e as entregava para o casal de advogados concorrentes; para isso precisávamos saber o que eles conversavam quando se encontravam, uma vez que fotos e filmagens destes encontros já tínhamos.
Avisamos a Dra Claudia, e sugerimos que marcássemos uma reunião com o Dr Francisco e o colocássemos a par dos acontecimentos para que com a sua ajuda pudéssemos descobrir o elo que faltava em nossas investigações.
Marcamos para as dez horas da manhã em nosso escritório, combinamos que a Dra Claudia o traria com a desculpa de visitar a um cliente e assim foi feito.
Na hora aprazada nos reunimos em nosso escritório, eu a minha assistente e os dois convidados e iniciamos o assunto.
Coloquei pessoalmente a ele nossas investigações e os fatos apurados, mostrei os vídeos e as fotos dos encontros.
Dr Francisco, não acreditava no que via, mesmo sendo mais velho; ele na casa dos 40 anos e ela com 30 anos, eram casados a 10 anos e tinham dois filhos.
Tivemos até mesmo um certo trabalho de acalma-lo e convence-lo que era melhor descobrirmos toda a verdade; que de qualquer forma se ele terminasse o casamento continuaria com o emprego e contribuiria de forma decisiva para a recuperação do seu escritório.
Ele compreendeu e demos a ideia de ele colocar um rastreador com escuta no carro de sua esposa, assim teríamos a conversa deles quando dos seus encontros futuros e assim poderíamos saber como ocorria o vazamento de informações.
Assim foi feito, e em questão de uma semana já estávamos com pelo menos 3 horas de conversas entre eles, em que faziam juras de amor e descobrimos ainda que o Dr Armando que passava as informações para a Marta que repassava ao escritório que em trabalhava e cobrava por clientes desviados, em uma destas conversas ele diz a ela para não se preocupar pois, os R$150 mil reais que ela havia ganho, ele havia investido e muito em breve, os dois conseguiriam fugir, uma vez que sua esposa era muito ciumenta e em caso dele pedir a separação, ele temia pela vidas dos seus três filhos, observamos em levantamentos anteriores que ele era casado mas sequer tinha filhos sua esposa era jovem e publicitária de uma grande agencia de modelos.
Com o caso já resolvido, começava o segundo e mais terrível problema para a nossa cliente, que providências tomar, uma vez que se ela resolvesse denunciar o Dr Armando, dificilmente encontraríamos como provar o desvio de informações e ele poderia entregar muitas outras informações às autoridades, em represália, muito dos segredos do escritório.
Assim a Dra Claudia optou por demitir o Dr Armando sem mais explicações e de maneira amistosa, por mais que lhe doesse a alma.
Já o Dr Francisco, combinamos que ele agiria como se nos tivesse contratado apenas para investigar a traição de sua esposa, assim em posse de todas as provas ele a colocou para fora de casa, se empenhando de enviar as coisas dela para a residência do Dr Armando, após uma boa conversa com a esposa do colega, que igualmente o colocou para fora de sua vida, uma vez que a casa em que moravam era dela, ela permitiu que ele saísse somente com o seu carro e suas roupas.
Quanto ao dinheiro que o Dr Armando dizia guardar para a Marta, queridos leitores nem preciso dizer que ele já o havia gasto todo, e que em nenhum momento ele pretendia fugir com ela.
Marta por sua vez, após os advogados descobrirem que eles haviam sido descobertos e que daquele momento em diante não mais surgiriam clientes fáceis, eles a demitiram.
Hoje passados mais de dois anos, sabemos que o escritório jurídico de nossa cliente continua firme e forte no mercado, e que o Dr Francisco hoje é sócio do escritório, já o Dr Armando e a Marta, nunca mais ouvimos falar.
A história aqui narrada só reforça uma grande e absoluta verdade “...quem engana, engana a si mesmo...”


Fim...  

Investigador Particular - UM NOVO CASO - MÍDIA SOCIAL

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