16 - Um caso de traição !




16 - Um caso de traição!



Estávamos no ano de 2014, o mês de Março apenas iniciava-se aqui em São Paulo, no pequeno mas aconchegante escritório da Baker Street; acertávamos alguns procedimentos de operações em andamento eu e minha assistente Miriam, devo confessar que encontrava-me meio distante pois em minha formação policial sempre o crime e suas características é o que mais me fascinam nesta profissão, que abraçamos há mais de vinte anos, não que o nosso empenho em outros casos seja menor, pois tratamos todos nossos casos como os mais importantes, sempre cientes que é através de nossas mãos e conclusões que transformamos a vidas das pessoas e melhoramos o mundo.
Vamos ao caso, como sempre toca o telefone:
- Detetive Baker Street, bom dia posso ajudar?
- Bom Dia, meu nome é Claudia sou advogada e proprietária de um grande escritório jurídico aqui em São Paulo, sua agencia nos foi indicada pelo diretor de uma grande Empresa que é nosso cliente, contudo prefiro omiti-lo nesta indicação, enfim preciso urgentemente de seus serviços gostaria de marcar uma reunião com urgência!
Assim foi feito marcamos uma reunião em nosso escritório para a mesma tarde.
Como sempre que possível; através do primeiro contato realizamos um levantamento do cliente que nos procura, para sabermos um pouco mais de sua Empresa e estarmos prontos para no primeiro contato. Observamos que nossa cliente era advogada e proprietária de um grande escritório jurídico especializado em consultoria empresarial, tinha 53 anos era casada com um médico, tinha filhos e residia próximo a sede de seu escritório na zona sul de São Paulo.
Na hora marcada, toca o interfone e adentram a nosso escritório um casal, composto de uma mulher alta morena com os seus 50 e poucos anos, bem trajada de maneira sóbria, demonstrando muita elegância e um rapaz com seus 30 e poucos anos trajando um terno escuro e óculos.
Ela apresenta-se como a Claudia, proprietária do escritório jurídico e ele como Armando, seu diretor de confiança, nos acomodamos em torno da mesa de reunião e fomos ao assunto:
- Possuo um escritório jurídico aqui em São Paulo, sem modéstia posso dizer que somos muito bem conceituados em âmbito nacional, há questão de dois anos atrás contratei um advogado de nome Francisco que iniciou seus serviços em nosso escritório como advogado júnior, rapidamente demonstrou-se muito eficiente e em questão de um ano já o tínhamos em destacada posição de diretor; o fato é que neste último ano perdemos inúmeros clientes, para ter uma ideia do que nos preocupa, tivemos uma "quebra" de mais de vinte contratos o que nos contabiliza um prejuízo na casa de 30 milhões de reais por ano, meu assistente o Dr Armando iniciou algumas pesquisas e investigações por conta própria que nos levam a indícios que o Dr Francisco esteja desviando estes clientes para um outro escritório onde ele tenha participação efetiva nestes contratos.
-Como o Sr. chegou a esta suspeita? – Indaguei ao Dr Armando.
- Na verdade trata-se apenas de comentários no escritório, assistentes nos reportam que o Dr Francisco, nestes últimos meses elevou em muito, o seu patrimônio, trocou de carro e tem buscado adquirir imóveis de padrão muito superior aos seus rendimentos em nosso escritório. – Concluiu o Dr Armando.
- Exatamente isso que preciso dos Srs, que descubram o que o Dr Francisco está fazendo e se tem a ver com a perda de clientes do nosso escritório. – Concluiu a Dra Cláudia.
Através de nossa experiência aprendemos que todas as informações devem ser analisadas, em um caso como este, nem sempre a verdade é a que nos é apresentada no momento da consulta.
Assim globalizamos o “caso”; teríamos de iniciar não só investigando o Dr Francisco, mas todo o contexto do escritório da nossa cliente, para isso, haveríamos de conversar e expor nossas ideias sem a presença de outros que não a nossa cliente Dra Claudia.
Concordamos a princípio com o que solicitava nossa cliente, traçando uma estratégia cujo personagem principal seria o Dr Francisco, programamos os custos e efetivamos o contrato, porém já sabíamos que somente a Dra Claudia poderia acompanhar o transcorrer da investigação, pelo quadro apresentado outras pessoas poderiam estar envolvidas na investigação que apenas iniciávamos, assim percebemos a necessidade de estreitar nossos laços, tarefa que imediatamente dediquei à minha assistente Miriam, pois como sempre, teríamos que aprofundar nossas investigações.
Após as primeiras análises, concluímos que haveria a necessidade de infiltrarmos uma agente no dia a dia do escritório, que trabalhasse como assistente e compreendesse os fatos que se passavam no dia a dia do escritório, assim em conversa privada, minha assistente conseguiu a autorização e o perfil da agente a ser infiltrada, deveria ser uma mulher de até 20 anos, cursando faculdade de direito e seria inclusa em uma vaga de estagiária.
Observamos que ao todo trabalhavam na Empresa quatro advogados, sendo duas mulheres e dois homens, oito estagiários, sendo seis mulheres e dois homens e passamos a breve seleção da pessoa a ser contratada para o referido trabalho.
Selecionamos uma agente de nome Maria, estudante de direito e cursando o terceiro semestre, uma mulher de 20 anos, muito bonita e que com certeza chamaria a atenção dos advogados.
Iniciado o processo seletivo comum, nossa agente foi aprovada e iniciou seus trabalhos no Escritório.
Quando realizamos um trabalho com este perfil, sempre tomamos muito cuidado na seleção e orientação, pois em nosso ramo a infiltração, sem os devidos cuidados e cautelas podem tornar-se a diferença entre o sucesso e o fracasso absoluto.
Apenas a Dra Claudia, estava ciente dos procedimentos que adotamos, pois para o Dr Armando a investigação seria mais superficial e para ele, expusemos outro perfil.
Nossa agente Maria, iniciou os trabalhos e dentre os murmurinhos do dia a dia, passaram-se pelo menos 45 dias, entre o início e a data dos acontecimentos que transcrevo a seguir.
Neste período separamos e investigamos a cada funcionário do escritório, Maria abastecia-nos de informações e perfis de cada um, a princípio descobrimos que Marta a esposa do Dr Francisco era recepcionista em um outro escritório jurídico, este de pequeno porte onde trabalhavam apenas um casal de advogados genéricos, ou seja, cuidavam de várias especializações.
No início as nossas suspeitas recaíram no Dr Francisco, era muito obvio que ele estaria passando informações internas para a esposa Marta que abasteceria o escritório onde trabalhava, e obteria vantagens quando da migração dos referidos clientes que buscavam vantagens e honorários mais baixos; contudo o perfil do Dr Francisco não combinava com o que apuramos, realmente ele havia elevado seu padrão social, contudo ainda era plenamente condizente com seus ganhos e retiradas do escritório, e sua esposa Marta trabalhava meio período e contentava-se com um salário condizente com a sua função.
Já o Dr Armando, este durante o período investigado, apresentava um perfil completamente diferente do que a Dra Claudia conhecia, ele era mulherengo, inclusive chegou a assediar nossa agente, que a mesmo mantendo o perfil infiltrada gravou certas situações que nos auxiliaram ao compor o seu perfil; descobrimos também que ele gastava muito dinheiro em jogos e drogas, possuía um casamento de cinco anos com uma jovem publicitária.
Marcamos uma reunião e apresentamos nossas suspeitas e a necessidade de estabelecer vigilância intensa no Dr Armando, pois precisávamos saber qual a ligação dele com a Marta ou ao casal de advogados do escritório concorrente.
Durante a reunião a Dra Claudia ficou muito impressionada, se a nossa informação não estivesse bem comprovada dificilmente ela acreditaria, uma vez que Dr Armando, pudemos constatar, inclusive apresentava um perfil de psicopata, pois ao mesmo tempo que era uma pessoa muito agradável, era capaz de apresentar irritação excessiva e até mesmo descontrole violento.
Assim iniciamos um acompanhamento pessoal diário, e não foi difícil perceber logo no primeiro dia que ele saia do escritório e era apanhado pela Marta (esposa do Dr Francisco) na esquina do escritório concorrente e iam a restaurantes e motéis, a deixando-o sempre por volta das 19 horas em um estacionamento onde ele guardava o carro.
Em posse destas informações, agora precisávamos saber se a Marta recebia as informações do Dr Armando e as entregava para o casal de advogados concorrentes; para isso precisávamos saber o que eles conversavam quando se encontravam, uma vez que fotos e filmagens destes encontros já tínhamos.
Avisamos a Dra Claudia, e sugerimos que marcássemos uma reunião com o Dr Francisco e o colocássemos a par dos acontecimentos para que com a sua ajuda pudéssemos descobrir o elo que faltava em nossas investigações.
Marcamos para as dez horas da manhã em nosso escritório, combinamos que a Dra Claudia o traria com a desculpa de visitar a um cliente e assim foi feito.
Na hora aprazada nos reunimos em nosso escritório, eu a minha assistente e os dois convidados e iniciamos o assunto.
Coloquei pessoalmente a ele nossas investigações e os fatos apurados, mostrei os vídeos e as fotos dos encontros.
Dr Francisco, não acreditava no que via, mesmo sendo mais velho; ele na casa dos 40 anos e ela com 30 anos, eram casados a 10 anos e tinham dois filhos.
Tivemos até mesmo um certo trabalho de acalmá-lo e convencê-lo que era melhor descobrirmos toda a verdade; que de qualquer forma se ele terminasse o casamento continuaria com o emprego e contribuiria de forma decisiva para a recuperação do seu escritório.
Ele compreendeu e demos a ideia de colocarmos um rastreador com escuta no carro de sua esposa, assim teríamos a conversa deles quando dos seus encontros futuros e assim poderíamos saber como ocorria o vazamento de informações.
Assim foi feito, e em questão de uma semana já estávamos com pelo menos 3 horas de conversas entre eles, em que faziam juras de amor e descobrimos ainda que o Dr Armando que passava as informações para a Marta que repassava ao escritório que em trabalhava e cobrava por clientes desviados, em uma destas conversas ele diz a ela para não se preocupar pois, os R$150 mil reais que ela havia ganho, ele havia investido e muito em breve, os dois conseguiriam fugir, uma vez que sua esposa era muito ciumenta e em caso dele pedir a separação, ele temia pela vidas dos seus três filhos, observamos em levantamentos anteriores que ele era casado mas sequer tinha filhos sua esposa era jovem e publicitária de uma grande agencia de modelos.
Com o caso já resolvido, começava o segundo e mais terrível problema para a nossa cliente, que providências tomar, uma vez que se ela resolvesse denunciar o Dr Armando, dificilmente encontraríamos como provar o desvio de informações e ele poderia entregar muitas outras informações às autoridades, em represália, muito dos segredos do escritório.
Assim a Dra Claudia optou por demitir o Dr Armando sem mais explicações e de maneira amistosa, por mais que lhe doesse a alma.
Já o Dr Francisco, combinamos que ele agiria como se nos tivesse contratado apenas para investigar a traição de sua esposa, assim em posse de todas as provas ele a colocou para fora de casa, se empenhando de enviar as coisas dela para a residência do Dr Armando, após uma boa conversa com a esposa do colega, que igualmente o colocou para fora de sua vida, uma vez que a casa em que moravam era dela, ela permitiu que ele saísse somente com o seu carro e suas roupas.
Quanto ao dinheiro que o Dr Armando dizia guardar para a Marta, queridos leitores nem preciso dizer que ele já o havia gastado todo, e que em nenhum momento ele pretendia fugir com ela.
Marta por sua vez, após os advogados descobrirem que eles haviam sido descobertos e que daquele momento em diante não mais surgiriam clientes fáceis, eles a demitiram.
Hoje passados mais de dois anos, sabemos que o escritório jurídico de nossa cliente continua firme e forte no mercado, e que o Dr Francisco hoje é sócio do escritório, já o Dr Armando e a Marta, nunca mais ouvimos falar.
A história aqui narrada só reforça uma grande e absoluta verdade “...quem engana, engana a si mesmo...”


Fim... 

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