19 - UM CASO DE AMOR – PERDEU-SE NO TEMPO.



19 - UM CASO DE AMOR – PERDEU-SE NO TEMPO.



Mais um dia de trabalho aqui no escritório da Baker Street, esse caso especifico vale a pena ser contado, pois representa uma realidade que poderia estar acontecendo com qualquer casal, engano, paixão, rotina é tudo que deve ser analisado antes de embarcarmos em qualquer aventura do coração; assim vamos aos fatos.
Estávamos em uma tarde de verão em São Paulo, mais exatamente no mês de fevereiro de 2015, época de muito calor onde os termômetros paulistanos facilmente atingem a marca de 30 graus, época marcada pelas noites quentes e abafadas.
Fomos procurados por uma mulher chamada Adriana, que pelo telefone afirmava estar muito triste e angustiada com seu marido e marcou uma consulta imediata para a mesma tarde as 18:00hs em nosso escritório.
Na hora aprazada estávamos eu a minha assistente Miriam, aguardando em nosso escritório da Baker Street, interessante contar que muitas pessoas ao procurarem uma agência de investigações particulares, tem muito receio do que irão encontrar do lado de dentro do escritório, imaginam um lugar esquisito e sujo, com um detetive gordo, malvestido pronto para invadir privacidades e quebrar todas as regras de comportamento em busca de algumas verdades, por vezes, mal-intencionadas; com isso vem até nós com muito receio do que podem encontrar, por isso contamos exatamente o que se passou.
As 18:00hs em ponto, tocam o interfone minha assistente Miriam desce e a recebe, em nosso escritório, um lugar aconchegante no coração do elegante bairro do Tatuapé em São Paulo, e nota de imediato uma mulher assustada, bonita de cerca de 50 anos, loira olhos azuis, bem trajada de forma sóbria como era de fato uma executiva de uma grande Empresa de Transportes, demonstrava muita angustia com os fatos que narraria a seguir, adentrou a nossa sala e deixando-se cair em uma cadeira, passou a narrar os fatos que a afligiam:
-Meu nome é Adriana, sou executiva de uma Empresa de transportes, sou casada a 28 anos com o Jairo, que também é diretor operacional da mesma Empresa que trabalho, temos dois filhos adolescentes de 12 e 15 anos e há alguns meses venho sentindo algo estranho, como a certeza de estar sendo traída.
Minha assistente tratou de consolá-la e dar-lhe a certeza de que juntos descobriríamos a verdade, e pediu que ela apresentasse as suas suspeitas iniciais, assim ela prosseguiu:
-Jairo sempre foi um bom marido, embora, já há a cerca de 10 anos atrás, tive quase certeza de uma traição, mas como as crianças eram pequenas, acabei por acreditar em suas palavras e dei o caso por encerrado, mas agora é como que, se em minha cabeça tudo retornasse dando-me a certeza que estou sendo enganada novamente – juntando as mãos sobre o rosto e caindo em um choro compulsivo.
Instante em que a apoiamos, servimos um copo com água, e lhe transmitimos a confiança que poderia, a partir deste momento contar com os nossos melhores serviços para juntos resolvermos este problema, ela prosseguiu:
-Bem, ele tem 55 anos e dedica-se muito às atividades físicas, inclusive na última virada do ano correu os 15 km da corrida de São Silvestre aqui em São Paulo, sai com frequência para treinar à noite pelo menos 4 dias por semana, sempre sozinho, colocou uma película muito escura nos vidros do carro dele, não me deixa tocar em seu telefone, tem me tratado com muita indiferença, sempre irritado e pela menor contrariedade mostra-se rude, faz ameaças, como se eu nada somasse na sua vida, temos sim, um patrimônio composto por imóveis, veículos e levamos uma vida confortável, que foi adquirido à custa de muito trabalho juntos, e de meses para cá, ele escusasse de pagamentos de contas, sempre alegando estar sem dinheiro, assim eu acabo arcando com as maiores despesas da casa. Como trabalhamos o dia todo fora, temos em casa apenas um notebook que todos utilizamos, pois, nossos filhos além dos seus telefones utilizam-se dos seus tabletes, digo isso porquê ao abrir o navegador deste notebook percebi que ele navegou, por vários dias, em um site de um aplicativo espião de telefone, tenho certeza que não me espia, assim, só pode estar espiando a sua amante, além do que, uma amiga minha, que há questão de alguns dias o viu em uma rua do centro de São Paulo, famosa pela venda de celulares e artigos eletrônicos que se ele comprou, não o levou para casa.
Após todos os esclarecimentos, a indagamos se ele sempre andava com seu carro, ela disse que sim, jamais saia a pé. Quando saia para correr ia com o carro e depois da corrida retornava à sua casa. Uma vez que ambos os carros que possuíam, eram de propriedade do casal, sugerimos que colocássemos no veículo que ele utilizava um rastreador de veículo portátil, assim saberíamos em tempo real o local que ele estaria.
Assim, decorrida as tratativas preliminares, instalamos o aparelho no veículo por volta das 18:00hs de uma sexta-feira, na qual ele já havia avisado que sairia à noite para as suas corridas noturnas.
Acompanhando o movimento do veículo nesta noite, percebemos que ele saiu de casa por volta das 20 horas, dirigiu-se diretamente há um endereço, no qual parou por minutos e em seguida dirigiu-se a um motel no bairro da Barra Funda em São Paulo, como eles residiam em Perdizes, ele estava há poucos quilômetros de sua residência; informamos imediatamente à Adriana que muito nervosa pediu que a pegássemos em sua casa para irmos até o motel “tirar a história a limpo” ; assim foi feito, acionamos a nossa central que permanecia monitorando o seu posicionamento, contudo ao sair de sua casa a Adriana cometeu o erro de falar ao seu filho Renato, um dos seus dois filhos adolescentes, este com 15 anos; disse que “estava indo tirar umas coisas a limpo”, e ele assustado, imediatamente ligou para o seu pai Jairo, e disse que sua mãe havia saído de casa, estava aflita e saiu com uma amiga, instante que o Jairo pressentindo a ameaça ao seu segredo, saiu imediatamente do Motel e deixou sua companheira em sua casa e retornou ao local onde ele costumava praticar a suas atividades, como se nada tivesse ocorrido.
Não conseguimos surpreende-lo no Motel, mas seus passos foram registrados em nosso sistema, o que nos possibilitaria posteriormente o registro preciso de suas atividades e da rotina de seu novo relacionamento; ainda pudemos observa-lo rodando com o carro próximo ao parque que ele corria, desta feita sozinho, como a esperar a presença de sua esposa a vigia-lo; assim orientamos a Adriana a nada comentar, segurar seu ímpeto para nos possibilitar a descoberta plena, das verdades secretas de Jairo.
Quando ocorre fatos desta natureza, em investigações, posso assegurar que temos plena consciência do sacrifício que pedimos aos nossos clientes, sabemos que não é fácil guardar um segredo e prosseguir esperando, mas é nossa obrigação orientar para que a descoberta da verdade seja plena e não reste a menor dúvida dos fatos, pois a esta altura já sabíamos que ele tinha uma amante, porém ainda nos restava descobrir quem, quando e onde e em que grau estaria este relacionamento extraconjugal?
O final de semana Jairo passava-os sempre em casa, e desta feita voltou a acessar a página do celular espião, que ficou registrada no seu navegador de internet, e cujos acessos foram novamente percebidos pela Adriana que logo na segunda-feira nos reportou.
Prosseguimos o acompanhando pelo veículo, e fomos somando as particularidades de suas rotas e deslocamentos, e para corroborar com a intuição feminina, acompanhamos o veículo ainda por outras noites e percebemos que ele utilizava-se do veículo com vidro filmado para estacionar por minutos em lugares escuros para momentos íntimos com a namorada; contudo sabíamos que descobriríamos muito mais se tivéssemos acesso ao programa do celular espião que ele provavelmente havia instalado no celular da sua amante e pedimos que a Adriana nos desse acesso ao seu notebook para que instalássemos um aplicativo espião e obtivéssemos acesso pleno ao programa espião, assim foi feito e nos passamos por técnicos em manutenção de computadores e em minutos instalamos o acesso ao notebook.
Estávamos na terça-feira, e mais uma semana se passou, e certo que sua esposa o investigava, ele blindava os encontros com a sua amante, que a esta altura já havíamos identificado como Selma, uma mulher separada com seus 32 anos e que trabalhava em um comercio no qual ele passava diariamente, contudo ainda nos faltava surpreende-los juntos, o que provavelmente se daria na próxima sexta-feira, uma vez que ele já havia avisado a esposa que sairia a noite para correr.
Fomos surpreendidos na manhã de quarta-feira, quando Adriana constatou mais acessos ao sistema do celular espião, realizado por Jairo na noite anterior; era o que precisávamos, com as informações de acesso, pudemos adentrar ao sistema do celular espião que Jairo utilizava para espionar a sua amante Selma; cabe-nos esclarecer que no caso Jairo espionava Selma de forma licita e legal, uma vez que o aparelho que Selma utilizava era de propriedade de Jairo, e que por conseguinte Adriana nos autorizava a acessa-lo; e para nossa surpresa constatamos registros e conversas que nos levaram à seguinte conclusão:
Jairo, com 56 anos havia conhecido Selma, ela com 32 anos e 24 anos mais nova, há questão de 3 meses, ela praticava atividades físicas no mesmo local que ele, viu-se apaixonado e passou a prover e auxiliar a sua amante em suas despesas financeiras, planejava formalizar uma relação com Selma após separar-se de Adriana com quem era casado há mais de 28 anos, contudo, em seu íntimo sentia que Selma o traia e coincidentemente contratou, nos mesmos dias, uma outra agencia de detetives para investiga-la, e através do celular espião soube que ela tinha mais, pelo menos 3 relacionamentos, e que os outros detetives, na quarta-feira à noite a flagraram em um motel com um deles e avisaram ao Jairo, que em tempo real ligou para a amante e terminou o relacionamento, sem imaginar que sua ligação estava sendo gravada, por ele mesmo, em seu programa espião, detalhamos alguns trechos desta inesquecível conversa:
-Amor, boa noite tudo bem? – Jairo
-Boa noite tudo bem amor! – Selma
-Sai um pouco aqui na varanda que trouxe um presentinho par você e não quero esperar, que lhe dar agora!
-Porque está falando isso, você está me espionando?
-Bom vou falar a verdade, você não vai sair por que não está em casa, você está em um motel com o cara do Mercedes, você está me traindo, eu te amo, estava trocando a minha vida para ficar contigo, deixando minha esposa e filhos por você, agora acabou!
-Não meu amor, você não me entende, as vezes você me sufoca, é a primeira vez que te traio! – Justifica-se Selma.
A conversa foi longa, quase 20 minutos nos quais Jairo conta tudo o que fez, inclusive fala de Adriana e ouve da amante que – Se você trai a sua esposa, acha que não poderia ser traído!
O programa espião de telefone é acompanhado de ligações, mensagens de WhatsApp e de informações que deixavam claro em seu conjunto, que neste caso a Selma, estava simplesmente aproveitando do dinheiro do Jairo, e que nunca teve a intenção de levá-lo a sério, inclusive uma troca de mensagens entre a Adriana e Carmem (uma amiga dela)ela diz:
-Esses tiozinhos, só porque pagam alguns boletos, pensam serem donos da gente. – disse Selma.
Na tarde de quinta-feira, chamamos Adriana para que viesse ao nosso escritório, pois a esta altura, já tínhamos fatos e evidencias que finalizavam e tiravam qualquer dúvida da verdade dos fatos.
As 16:00hs, eu e minha assistente já aguardávamos a Adriana que chegou pontualmente, adentrou ao escritório e após os cumprimentos e detalhes dos fatos comprovados, ajeitou-se na cadeira, criou coragem e passou a ouvir a conversa detalhadamente, inclusive identificando parte em que seu marido arrependido, emociona-se ao terminar com a amante pelo telefone.
Havíamos terminado o trabalho, Adriana descobrira a verdade, seu marido Jairo tinha uma amante, amante que o havia enganado e por isso ele havia terminado o relacionamento extraconjugal, e agora o que fazer? O que pensar? Era um relacionamento de 28 anos, em jogo.
Tratamos de consola-la e afirmar que somente ela poderia resolver esta questão, colocar no âmbito familiar toda a verdade dos fatos e decidir sobre o futuro, esclarecemos que para nós uma coisa havia ficado clara, ela a Adriana que semanas antes parecia angustiada e perdida, hoje mostrava-se forte, decidida, como quem havia vencido o medo do desconhecido, libertava-se pela verdade, não temia o fim de um relacionamento desgastado ou o perdão para uma nova jornada, ela ali sentada, era envolvida por um sentimento de verdade, autoconfiança e sem medo do futuro, pois aos seus olhos ele se revelara, por mais doloroso que fosse, ela agora sabia da verdade, suas intuições sempre estiveram certas, ela acabara de retomar as rédeas de sua vida.
Levantou-se, e após um demorado abraço, saiu confiante e sabendo que teria decisões a tomar, que todas elas seriam suas e que ela agora era a única responsável pelo seu destino, sem erros ou arrependimentos.
Continuamos mantendo contato com Adriana, pois para nós uma investigação não termina na entrega do relatório, é muito mais do que isso, cada cliente é um amigo cuja páginas da sua história sabemos que ajudamos a escrever.
Meses depois, Adriana e minha assistente Miriam marcaram um delicioso café da tarde e Adriana confidenciou que seu marido Jairo, após as suas descobertas havia se arrependido muito, não saiu de casa, alegando que cometeria suicídio, exagero reconhecido por Adriana, ele havia modificado às suas atitudes e aos poucos tentava uma reaproximação, pedindo perdão pelo ocorrido, e que seu coração por mais que ainda o amasse, não havia conseguido até o momento perdoa-lo, conseguirá algum dia? Somente o tempo poderá dizer.
A cada história, a cada verdade descoberta, aprendemos que somos e sempre seremos os responsáveis pelo nosso destino, somos arquitetos do nosso próprio universo.

“A medida do Amor, é Amar sem medida.” – Victor Hugo.


FIM.

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